Ah, na minha época não tinha essas coisas…

por Carolina Gasparini

Parece que em 2015 o avanço tecnológico está mais evidente, confirmando o post do Dr. SANTO ANGELO sobre as tendências observadas por ele durante a NAMM Winter. Se ainda não leu ou quer relembrar o assunto, clique aqui.

No entanto, contrapondo tantas informações, você já deve ter escutado algum saudosista dizer que, no tempo dele, com o vinil, escutava-se Música de verdade. Também é verdade que pagavam caro, tinham que procurar o disco nas lojas físicas e download na hora era coisa de ficção científica. Assim, como os seres humanos gostam de debater idéias e principalmente opiniões, muito ainda se discute sobre as formas de ouvir sons e cada um tem a sua verdade.

Alguns dirão que o vinil ainda é a melhor forma de se escutar qualquer disco, mas isso não é bem verdade se analisarmos a fundo como é feita a gravação no vinil. Devido às particularidades do disco, não são reproduzidas certos tipos de Música adequadamente, como trash metal, por exemplo.

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Uma coisa é certa: a tecnologia trabalha para apresentar melhores formatos compactados de áudio a cada dia e, portanto, ocupar menos espaço nos tocadores sem perder a Qualidade original. Segundo Rodrigo Itaboray, parceiro da SANTO ANGELO e produtor musical, a perda de qualidade ocorre com a compressão para menores formatos. “No entanto, se a perda será perceptível ou não, dependerá das características utilizadas e da taxa de compressão”, explica Itaboray.

Dessa forma, você já deve ter descoberto que no post de hoje iremos esmiuçar as características, os prós e contras das principais formas de gravação e reprodução de áudio.

Vinil

Aquele disco preto cheio de “risquinhos” traz ótimas lembranças aos mais velhos e possuem inúmeros fãs, que defendem o vinil acima de qualquer forma de gravação e reprodução de áudio.

Para Luís Calanca, dono da loja e do selo independente Baratos & Afins, o vinil traz muito saudosismo. “Com o vinil a minha loja ganhou visibilidade internacional e eu sempre vou defender a qualidade sonora do vinil”, comenta.

O vinil realmente tem ótimas características, mas também apresenta alguns pontos negativos. A portabilidade é um deles: não dá para ouvir vinil no carro ou na rua, e carregá-lo não é uma das tarefas mais simples.

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Além disso, o vinil tem espaço limitadíssimo para gravar. Por isso, cada disco armazena poucas músicas e quanto menos, melhor, uma vez que as faixas gravadas no começo do disco (a parte de fora da “bolacha”) possuem melhor qualidade quando reproduzidas do que as últimas – isso ocorre porque a agulha muda sua velocidade quando se aproxima do centro do disco, modificando levemente a qualidade sonora.

Por outro lado, quando gravado da maneira correta, o vinil é o formato analógico que mais se aproxima do que foi realmente gravado pelo artista no estúdio, além de ser comum encontrar encartes ricos, com letras das músicas, informações sobre o disco e o artista e capas especiais.

Outro problema que diminui o lado positivo do vinil apontado por Itaboray é a falta de equipamentos: “O vinil pode ser gravado com extremo cuidado e qualidade, mas caso o ouvinte não tenha um equipamento de ponta, dificilmente perceberá toda a qualidade do material.”

Fita K7

O que falar da fita K7? Era prática quando queríamos gravar uma música que estivesse tocando no rádio, mas seus benefícios praticamente paravam aí. Eram menores e mais fáceis de guardar do que o Vinil ou LP, além do surgimento dos Walkmans, que possibilitava escutar a fita na rua.

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Porém, as fitas possuíam uma qualidade de áudio duvidável, além de rasgarem, enrolarem e muitas vezes ser preciso uma caneta para voltá-la ao formato certo e conseguir escutá-la.

CD

A chegada do Compact Disc revolucionou as coleções e aumentou a possibilidade de ouvir Música na rua, sem ser nas detestáveis fitas K7. Claro que andar com um Discman (famoso tocador de CD fabricado pela Sony e um dos produtos de maior sucesso mundial da marca) e alguns CD’s na mochila ainda era incômodo, mas possível.

Com o CD também passou a ser possível mudar de faixa com apenas um clique, sem precisar mudar precisamente a posição da agulha no disco, como era feito no vinil. A qualidade das músicas também era uma vantagem, que pode passar despercebida por muitos, mas ainda é superior a formatos muito compactados como o MP3.

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Apesar da facilidade, o CD ainda não parecia ser o formato ideal para carregar músicas para todos os lugares. O formato ainda armazenava poucas faixas e o espaço para guardar a coleção era grande. Além do espaço, os CD’s precisam de cuidado no manuseio para não riscarem e possuem o mesmo problema que o vinil: a falta de equipamento adequado para a audição. “Faz-se arquivos de áudio como se fossem ser ouvidos por um audiófilo, mas nivela-se por baixo quando chegam na maioria dos equipamentos das pessoas”, comenta Itaboray.

Já Calanca foi um dos profissionais que abominava o CD, até ele ser o responsável pela maior guinada econômica de sua carreira: “No começo, trocava vinil por CD’s. Dessa forma consegui o acervo de cerca de 100 mil discos que tenho hoje na loja, mas abominava o CD”, explica o lojista.

Streaming

A forma mais moderna de ouvir música com baixo (ou nenhum) custo e de qualquer lugar que tenha acesso à internet. O streaming não armazena as músicas e as transmite conforme a velocidade de banda da conexão.

Além disso, quando utilizamos programas de streaming podemos conhecer novas bandas de Musica, uma vez que o algoritmo do sistema sugere outros sons baseados no histórico que você tem ouvido.

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Apesar de parecer maravilhoso, o streaming tem seu lado ruim: a qualidade do som e a dependência da internet. Se a sua banda de conexão estiver lenta, prepare-se para interrupções constantes no meio da Música (pela Lei de Murphy, na parte que você mais gosta). Para ouvir na rua, é preciso um bom pacote de dados no smartphone e provavelmente ele será consumido rapidamente.

Para completar os pontos negativos, a qualidade do áudio costuma ser muito baixa. Para ser transmitido pela internet rapidamente, o arquivo de áudio é compactado ao extremo, deixando de lado a qualidade do som.

MP3

O formato mais popular e utilizado atualmente. O MP3 pode ser gravado em CD, salvo no celular, no MP3 Player, no iPod ou no computador. Até mesmo pen drives salvam o arquivo e podem ser conectados em diversos modelos de rádios para a reprodução.

O problema do MP3? A qualidade do áudio em alguns casos. Para o arquivo ficar pequeno ele é compactado. Há quem garanta que para isso, os programas de compressão só excluem faixas de som imperceptíveis ao ouvido humano. No entanto, alguns casos exageram e realmente afetam a qualidade do áudio, sendo que quanto menor for o arquivo, pior será sua qualidade. Segundo Itaboray, através de testes comparativos é possível perceber e analisar a perda de sons com a compressão do arquivo.

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Para ouvir o que é perdido quando compactamos e salvamos em MP3 uma gravação, confira o vídeo abaixo. Nele, Ryan Maguire, P.H.D. em Composição Musical e Tecnologia da Computação pela Universidade da Virgínia, nos EUA, criou um arquivo de áudio com todas as faixas que foram excluídas da música “Tom’s Diner”, de Suzanne Vega, quando ela foi comprimida digitalmente.

Para comparação, esta é a faixa após a compressão:

Formatos Lossless

Atualmente existem formatos digitais chamados de lossless (sem perdas, em português), que diminuem um pouco o tamanho do arquivo sem prejudicar a qualidade do áudio.

Apesar da leve compressão, tais arquivos ainda são muito grandes (entre 4 e 10 vezes maior do que o MP3), o que dificulta o armazenamento. Para gravações, produções e mixagem, é necessário um arquivo com melhor qualidade, mesmo que ele seja maior. Segundo Itaboray, alguns formatos lossless são Apple Lossless e FLAC, mas é possível ter qualidade de outras maneiras. “Até mesmo o formato MP3 pode ter boa qualidade, com taxa de bits variável em cada arquivo”, explica.

Qual escutar?

O MP3 (e outros formatos parecidos como o WMA) é considerado o arquivo mais prático para ouvir e carregar as músicas que gostamos para todos os lugares, mas é preciso cuidado com a qualidade do áudio – uma boa alternativa é ter apenas seus álbuns preferidos salvos com maior qualidade, para não ocupar espaço demais – e também com a pirataria, que aumentou consideravelmente com os formatos digitais e é crime, segundo a lei 10.695 de 2003.

Cada forma de gravação, compressão e reprodução de áudio tem pontos positivos e negativos. O que vale é buscar aquela que mais agrada e curtir o som que mais gostamos, seja em um disco de vinil, CD, MP3 ou por streaming, sem esquecer dos shows ao vivo. Confira a tabela abaixo com alguns prós e contras de cada um (clique na imagem para ampliá-la):

TABELA - VMSCK7
Fonte: whiplash.net

E você leitor? Qual formato prefere, independente da sua idade: Vinil, CD, Streaming ou MP3? Conte para nós a sua preferência!

Até a próxima!