Bateria e Neurociência

2016-06-01 - FB

Olá pessoal, como vão?

Depois que valorizamos os baixistas nesse post e já entendendo (depois de centenas de compartilhamentos dessa matéria nas redes sociais) que nossos amigos leitores estão sedentos por informações de todos os tipos na música (e quanto mais aprofundada, melhor), voltamos a mergulhar nas pesquisas científicas que se propõem a descobrir mais do que acontece no nosso corpo quando tocamos ou ouvimos.

Assim, chegou agora a vez daqueles que não têm botão de mute (quem tem banda sabe do que estou falando), mas que garantem a pulsação e a “vibe” das músicas. Acertou (se ainda lembram do título desse post) quem pensou nos bateristas.

2016-06-01 - 001

Baseamos nossos comentários na tradução do estudo intitulado The Neuroscience of Drumming: Researchers Discover the Secrets of Drumming & The Human Brain (“A Neurociência de Tocar Bateria: Descobrindo os Segredos de Tocar Bateria & O Cérebro Humano”, em tradução livre).

Chegou a hora de entender um pouco mais do que acontece no cérebro da galera das baquetas.

Uma antiga piada de músicos diz “existem três tipos de bateristas no mundo – aqueles que sabem contar e àqueles que não sabem[1]. Talvez isso seja mais uma divisão global. Possivelmente temos três tipos de pessoas no mundo – àquelas que podem batucar e àquelas que não podem[2].

Talvez, como o vídeo promocional da GE acima sugere, bateristas têm cérebros fundamentalmente diferentes do resto de nós. Hoje nós sublinhamos a pesquisa científica sobre o cérebro dos bateristas, uma área expandida da neurociência e psicologia que desmente uma série de piadas idiotas sobre eles.

“Bateristas”, escreve Jordan Taylor Sloan no Music.mic, “podem ser bem mais espertos que seus parceiros de banda menos ritmicamente focados”. Isso de acordo com as descobertas de um estudo Sueco (Karolinska Institutet em Estocolmo) que mostra “um vínculo entre a inteligência, boa noção de tempo e a parte do cérebro usada para resolução de problemas”. Como Gary Cleland disse no jornal “The Telegraph”, bateristas “podem efetivamente ser intelectuais naturais”.

O neurocientista David Eagleman, um estudioso do renascimento que o jornal “The New Yorker” chama de “um homem obcecado pelo tempo”, descobriu isso em um experimento que conduziu com vários bateristas profissionais no estúdio de Brian Eno. Foi Eno que teorizou que os bateristas têm uma “maquiagem mental” única e verificou-se que “Eno estava certo: bateristas têm cérebros diferentes do resto”.

O teste de Eagleman mostrou “uma diferença estatística gigante entre a noção de tempo do baterista e a dos outros participantes”. Como disse Eagleman, “Agora nós sabemos que existe algo anatomicamente diferente sobre eles”.

A habilidade de manter o tempo dá a eles um entendimento intuitivo dos padrões rítmicos que percebem ao seu redor.

Essa diferença pode ser irritante – como a dor de ter uma afinação perfeita em um mundo perpetuamente fora do tom. Porém, tocar bateria hoje tem um valor terapêutico, provendo benefícios emocionais e físicos conhecidos popularmente por “drummer’s high”, uma carga de Endorfina que só pode ser estimulada tocando uma música e não simplesmente ouvindo-a.

Além de aumentar os limiares de dor das pessoas, um psicólogo de Oxford descobriu que a Endorfina liberada no ato de tocar percussão melhora as emoções positivas e conduz as pessoas a trabalharem juntas como um hábito de maior cooperação.

O baterista do The Clash, Topper Headon, discute acima o aspecto terapêutico de tocar bateria em uma rápida entrevista pela BBC. Ele também diz que tocar é uma atividade primitiva, distintamente e universalmente humana.

O primeiro baterista do “Grateful Dead”, Mikey Hart e o neurocientista Adam Gazzaley têm grandes expectativas para a ciência do ritmo. Hart, que controla um show de luzes com suas ondas cerebrais em shows de sua própria banda, debate o “poder” do ritmo para mover multidões e trazer pacientes com Alzheimer para o presente.

Se podemos treinar a nós mesmos para pensarmos e sentirmo-nos como bateristas é um assunto a se debater. Mas se bateristas realmente pensam de forma diferente à de não bateristas, considere a neurociência de batidas poli rítmicas de Stewart Copeland e o trabalho de Terry Bozzio (abaixo) tocando a maior bateria que já se viu.

É muito mais do que caixa, bumbo e prato!

O vídeo que finaliza o artigo mostra que a forma do cérebro de um baterista ou percussionista agir é bem diferente dos outros músicos. Claro, isso pode ser aprendido com muito treino e foco (é o famoso “mudar o mindset).

Fica como lição: ninguém (lembre-se do meu post sobre os baixistas) é dispensável em uma banda. Vocalistas estimulam o cérebro; guitarristas, os ouvidos; baixistas, a base da coluna e bateristas o senso de ritmo.

2016-06-01 - 002

O todo sempre é mais interessante que o individual.

Não se esqueça de comentar aqui no blog e nas redes sociais da SANTO ANGELO sobre suas experiências tocando, vendo ou mesmo só ouvindo uma bateria. Ela fez você entrar no ritmo?

Um abraço e nos falamos em breve.

Dan Souza é CMO, Relações Artísticas, fissurado em tecnologia e música, além de baixista nas horas vagas e apaixonado por Publicidade, Propaganda, Literatura e Filosofia. Formado em Marketing pela UNINOVE/SP, faz parte, desde 2013, da equipe de Marketing SANTO ANGELO.

[1] OK, piada de gringo é mesmo confusa, sem graça e precisa de uma “tradução”: para quem não sabe contar, 2 é igual a 3.

[2] Fazemos tudo para não editarmos o original, mas essa parte continua mais confusa e sem graça ainda. Faça de conta que entendeu e siga lendo até o final.