Como evitar desarmonias na banda?

2016-05-30 -FB

Edu Falaschi e Fabiano Carelli dão suas dicas

Dizem que banda é igual a casamento. Será? Se pararmos para pensar, essa afirmação pode ser bem verdadeira! Assim como no matrimônio, em uma banda, premissas como compromisso, dedicação, vontade de estar junto e, principalmente, companheirismo devem fazer parte da relação entre os músicos. Bem da verdade, esses valores devem andar lado a lado com o talento musical de cada integrante.

Entretanto, conciliar esses dois lados nem sempre é fácil e frequentemente presenciamos grandes bandas se desfazendo. Na maioria das vezes, o motivo recorre a conflitos de interesses dos mais variados. Aqui mesmo, no blog SANTO ANGELO, o Dan Souza abordou o tema “conviver em grupo” de maneira bem legal.

Metallica at a packed concert this week at Shanghai's Mercedes-Benz Arena.

Para buscar algumas visões de como tornar a convivência dentro de uma banda mais harmoniosa, conversamos com dois músicos bem experientes. São eles o Edu Falaschi, ex-vocalista do Angra e atual líder do Almah, e o Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial e de A Máfia. O que eles têm em comum? Ambos conhecem de perto como é a convivência dentro de grandes bandas, cujo profissionalismo tende a pairar acima das diferenças internas.

Contudo, se existisse uma receita de bolo, qual seria ela para fazer com que uma banda tenha realmente um bom relacionamento? Segundo Edu, os ingredientes estão no respeito mútuo, na honestidade na contabilidade da banda e na boa convivência com as diferenças de cada um como músico e pessoa. Para Carelli, o segredo está em saber ouvir opiniões com respeito e humildade, sendo este um dos principais pilares para a boa relação dentro do grupo.

O que fazer em caso de divergência interna?

E quando os interesses passam a ser diferentes e os desentendimentos a pipocar? O que fazer? Seguindo a premissa do bom e velho profissionalismo, Carelli lembra que os Ramones passaram a maior parte de suas vidas sem se falar. “Não necessariamente todos são amigos”, conta o guitarrista.

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Entretanto, quando as divergências realmente aparecem dentro da banda, Edu aconselha que os integrantes tenham foco. “Quando se pensa que os caminhos podem ser diferentes, mas o objetivo o mesmo, aí a coisa anda. O respeito e a inteligência emocional são a chave”, ressalta o vocalista.

Ele lembra que a disputa de ego é um dos fatores principais que leva à desavença dentro do grupo. “A pessoa achar que é mais importante do que a outra sempre vai minar a boa relação dentro da banda.

Ninguém é insubstituível.

“Se você tem um gênio difícil, é de opinião muito forte, não aceita opiniões nem criticas e, principalmente, tem consciência disso tudo (o que é raro) faça uma banda solo. Assuma toda a responsabilidade e deixe isso bem claro para todos. Faça um acordo de negócio no qual todos aceitem e bola pra frente. Mas se prefere trabalhar em grupo, então terá de abrir mão de algumas coisas e descentralizar a administração”, aconselha o músico.

A importância da figura do líder

Assim como na vida empresarial, é aconselhável que uma banda também tenha um líder? Que importância essa figura deve ter para a banda? Indagado sobre essa pergunta, Carelli conta que o líder da banda deve ter uma visão aberta e estar pronto para muitos desafios, além de muitas portas fechadas também. No caso do Capital Inicial, este modelo inclusivo é visto no processo de composição da banda. “O Dinho escreve (as músicas) com o seu parceiro Alvin L., mas sempre quer ouvir e escutar as nossas ideias”, conta o guitarrista.

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Para Edu, um líder pode facilitar nas decisões, agilizando os processos na administração da banda. “Contudo, ele tem que ter o respeito de todos e ser claramente reconhecido como o líder. Se isso não ficar claro para todos, aí começam os problemas”, afirma. No caso do Almah, grande parte das músicas é composta por Edu, com contribuição final dos outros integrantes. “Geralmente, eu mostro as músicas para a banda e decidimos, juntos, quais devem ser trabalhadas, partindo para a pré-produção”, detalha o artista.

Convivência na estrada

Ao se ter uma banda com uma agenda recheada, é preciso ter em mente que, em muitos casos, você passará mais tempo com o seu colega em turnê do que propriamente com a sua família.

Nesse caso, Carelli conta que é preciso saber conviver com a individualidade do outro. “De vez em quando, um está de mal humor, o outro com dor de dente, etc. Nem sempre tudo vira festa, mas temos os momentos de diversão também, de ir jantar, ou almoçar, em algum lugar legal. Mas quando pegamos mais de três shows seguidos, eu fico muito cansado com as viagens e não vejo a hora de voltar para casa”, confessa.

Compartilhando da mesma experiência, Edu, que hoje revela estar bem mais voltado à sua satisfação pessoal como músico e à saúde física, ressalta que a estrada tem períodos de altos e baixos. “Tem hora que está bacana, tem hora que satura. A saudade da família gera um estresse também”, finaliza o cantor, que, de certa forma, corrobora com outro excelente post do blog com o testemunho do Ozeias Rodrigues.

Então fica a dica: respeitar o outro e buscar sempre a boa convivência ainda podem ser bons ingredientes para sua banda ter vida longa!

E para você? Qual é a fórmula para uma banda ter mais entrosamento? Participe deixando o seu comentário abaixo, ou nas redes sociais da SANTO ANGELO.

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Até a próxima!

André Iunes Pinto é guitarrista e jornalista. Já trabalhou como editor da revista Áudio Música & Tecnologia e colaborador da Backstage. Foi colunista de tecnologia musical no jornal O Globo e no Território da Música (Portal Terra). Atualmente, é editor do site sobre áudio www.overdubbing.com e do canal no YouTube OverdubbingNews. É também diretor da agência TMI – Texto & Mídia, onde coordena as atividades do MusicPress, e fundador dos site www.estrategistasdigitais.com.br.