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Muito velho(a) para aprender a tocar um instrumento musical?

Por Isis Mastromano Correia

A Música está presente em nossa vida desde o nascimento, com as canções de ninar, até os últimos momentos de lucidez quando os sons nos trazem lembranças vivas do que fizemos. Ela faz com que a gente se emocione, provoca sensações!

Portanto, meu amigo, esse post é dirigido a você que se considera muito velho ou velha para aprender a tocar um instrumento musical. E mesmo que ainda tenha seus 20 anos, pense naquele velhinho ou velhinha que tanto o incentivou a crescer e que, agora, precisa da sua compreensão e igual incentivo nas possibilidades oferecidas pela modernidade.

Ao contrário do que se pensa, a idade não limita a nossa capacidade de aprendizagem. Portanto, enquanto conscientes, vive em nós a necessidade eterna de aprender mais. Na fase adulta, ao atingirmos a idade mais madura, dos 60 anos em diante, estaremos vivenciando, na verdade, mais uma das nossas etapas do crescimento e desenvolvimento intelectuais. Em outras palavras, apesar da finitude de nossa saga pelo planeta Terra, isso não significa simplesmente “parar na estação e esperar o bonde passar”.

Aprender Música nessa fase da vida instiga a espacialização, a memória, a coordenação motora, a criatividade, a atenção, o raciocínio, a respiração, a socialização e a auto-estima. E o melhor de tudo, sem sombra de dúvidas, o prazer de se estar vivo!

Os recursos musicais para os mais maduros ampliam ainda o conhecimento do mundo e de si mesmos. Mas, como ensinar a Música para os mais velhos? Tendo em vista que nessa fase mais avançada da vida, nossa acuidade visual – para observar e escrever os símbolos – e auditiva já sofreram certo declínio, é pela oralidade que o professor deve trabalhar com essa faixa etária para bons resultados.

Bem, esses obstáculos não constituem um problema para o trabalho de musicalização com essa turma! “A Música é uma das melhores maneiras de manter a atenção de um ser humano devido a constante mistura de estímulos novos e estímulos já conhecidos”, segundo definiu o psicólogo Ever Ruud do Instituto de Musicalidade da Universidade Oslo, na Noruega.

Maria de Lourdes Sekeff, que foi uma musicista e musicóloga brasileira, complementa ao afirmar que a Música e sua prática não constitui apenas um recurso de combinação de sons, mas, sobretudo expressão, comunicação, gratificação, realização, interessando forçosamente à plenitude do ser humano.

O desenvolvimento das atividades de musicalização com idosos deve contar com o apoio da ludicidade, pois, são pelos jogos lúdicos que se pode obter uma maior atenção e compreensão do conteúdo trabalhado.

No processo de ensino-aprendizagem, educadores musicais como Willems, Dalcroze, Kodály, Orff e Gainza contribuíram para o entendimento de que a Música ocupa um espaço relevante no desenvolvimento integral do ser humano.

Em nenhum momento deve ser priorizada a formação de um instrumentista profissional, um “performer”, quando se trabalha com os mais velhos, mas sim, incentivar a improvisação, o tocar de ouvido e, denovo, o prazer da realização de uma atividade.

Um trabalho de musicalização para idosos realizado pela UFG (Universidade Federal de Goiás) revelou que com indivíduos na terceira idade deve-se principalmente propiciar o desenvolvimento da autonomia. Verificar, por exemplo, se ele tem curiosidade, se deseja crescer cognitivamente, se quer agregar para si o que vê de positivo no outro, se tem necessidade de interagir socialmente. Acima de tudo, deve-se incentivá-lo a querer viver uma vida melhor, estar aberto a novas experiências e querer ser, mais do que tudo, feliz.

Vovó Rock ´n´Roll!

A pesquisa demonstrou melhora na criatividade, auto-estima e socialização nos maduros. Os pesquisadores contam que, no início dos trabalhos foi difícil conquistar as idosas participantes da experiência e ministrar as aulas, no caso, de flauta doce. Elas não conseguiam descontrair, conversar entre si, não sorriam, não conseguiam sequer segurar a flauta com segurança.

No final da pesquisa as idosas já tocavam vários exercícios, músicas que elas mesmas escolheram e o clima das aulas era de total descontração, alegria e conversa! Os pesquisadores explicaram ainda que nos últimos encontros, a professora de flauta teve que pedir “silêncio” às idosas e todas caíram na gargalhada ao constatar o quanto mudaram de comportamento desde o início da pesquisa!

Isso porque a Música também ajuda na socialização que vai se perdendo pelas dificuldades de se comunicar e locomover e devolve o vigor e o gosto de conviver em grupo que se perde e dá vez ao isolamento.

Então, aprender Música na idade madura ajuda a despertar potencialidades comprometidas no decorrer do envelhecimento. Assim sendo, quanto mais se exercita o cérebro e o corpo todo, mais chances se têm de ter uma vida melhor por mais tempo.

Músico mais velho do mundo é brasileiro

Aos 92 anos, o pastor Feliciano Amaral está no livro dos recordes como o cantor mais velho no mundo em atividade. Antes, o artista mais idoso do planeta era o também cantor Johnnes Heesters que morreu em 2001 aos 108 anos de idade.

Há ainda o bom exemplo do paraense Mestre Laurentino, o neto de escravos que virou pop depois dos 70 anos! Laurentino se embrenhou a compor, tocar gaita e se envolver com a música popular com um pezinho no rock. Suas composições, depois de feitas na melhor idade, foram regravadas por bandas como Mundo Livre S/A.

Mestre Laurentino

O governo do Pará cedeu incentivo para a construção de uma escolinha e aquisição de instrumentos para a banda de rock de Laurentino. O roqueiro mais antigo do Brasil fez apresentações na Europa no London International Festival of Exploratory Music e já recebeu convites para se apresentar nos Estados Unidos.

Laurentino é autodidata, já foi homenageado e teve o talento reconhecido em programas como Domingão do Faustão.

Dê uma olhada na performance “Loirinha Americana” do Mestre Laurentino e Banda Calibre no link:

O assunto é instigante e no post que vem, continuaremos nele!

Até lá