A Mulher será o que cada uma desejar para si

2018-03-07

Caros leitores e leitoras,

Meu nome é Rogério, sou o CEO e fundador da SANTO ANGELO, mas nesse post mais um simples homem a abrir espaço para as mulheres.

Assim, peço licença à nossa excelente RP, Lygia Teles, que tão bem tem conduzido o blog SANTO ANGELO, para escrever algumas palavras sobre a Política da empresa com relação às Mulheres.

Cerca de 29% da nossa força de trabalho é composta por trabalhadoras, sendo que 2 delas ocupam cargos de gerencia e alta responsabilidade com relação ao presente e futuro da SANTO ANGELO.

Mas o que me dá mais alegria é ver a inclusão de mais mulheres em nosso cast de artistas, tanto brasileiras como estrangeiras, cujos testemunhos vocês poderão ler ao longo desse post.

Não somos nós da empresa quem as escolhemos: são elas que escolheram os cabos e a marca SANTO ANGELO, conforme diretriz interna que já foi explicada aqui no blog nesse post de 2016 . É por isso que chamamos nossos artistas de endorsees e não com a palavra que outras empresas os denominam.

Portanto, é muito grande a minha alegria quando anuncio que a nossa mais recente endorsee é a baixista Ana Karina Sebastião, cuja história pessoal também poderão ler a seguir. E, não menos feliz, me deixa a Sra. Cacau Santos, a Quesia Aguiar, com seu testemunho ao mesmo tempo fraterno e guerreiro ao final do post.

Dessa forma, firmo o exemplo a outros empresários, que ao invés de simples “homenagens” às Mulheres nesse 8 de março, abram espaço em suas empresas para que mais mulheres possam participar e contribuir com seu talento no mundo corporativo.

Certamente, todos nós, Homens e sociedade, ganharemos com essa atitude.

Olá pessoal, tudo bem?

Sou Ana Karina Sebastião, baixista, backing vocal e compositora. Minha trajetória na música começou aos 9 anos de idade. Tenho 3 irmãos mais velhos e um mais novo, todos homens.

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Certo dia um de meus irmãos demonstrou interesse por violão e minha avó o presenteou. Para não fazer dessa uma situação injusta, meu pai comprou um violão para cada um de nós e começamos a fazer aula na igreja.

Após algum tempo, tivemos a ideia de formar uma banda e partir dai tivemos que escolher instrumentos diferentes. Cada um escolheu o seu e para mim sobrou o que ninguém quis e eu nem sabia o que era: o baixo elétrico.

No começo houve resistência da minha parte em tocar o instrumento – talvez por ser algo novo para mim – e não muito comum ao que eu via quando tinha 9 anos.

Eu nunca tinha visto uma mulher tocar qualquer instrumento que não fosse violão, piano ou violino.

Naquela idade, o que eu tinha como referência musical era a Sandy da dupla Sandy e Junior, Zelia Duncan, Gal Costa, Elis Regina e algumas outras cantoras.

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As referências de instrumentistas eram em grande parte masculinas, assim como eu via nos grupos de pagode como o ExaltaSsamba e os músicos da banda do Djavan.

Então eu achava que se eu pudesse fazer algo em relação à música seria no máximo cantar (pra vocês notarem como representatividade é algo importante).

Nunca expressei esse tipo de pensamento, ate porque eu era apenas uma criança e isso estava no meu subconsciente, mas uma coisa importante nesse período foi o apoio de meus pais sobre minhas vontades, pois quando me interessei em estudar contrabaixo elétrico, eles me apoiaram muito, procurando se informar sobre onde seria um bom lugar para eu aprender corretamente.

Chegamos então a Indicação da escola que me formou como instrumentista, a antiga Universidade Livre de Música (ULM) – hoje chamada EMESP.

Recordo bem do dia em que fui fazer o teste para essa escola, quando optei por prestar o nível intermediário, pois ja havia estudado um pouco de Musica com meus irmãos em casa.

Era um teste muito concorrido- mais ou menos 40 concorrentes para 3 vagas.

Entrei na sala de espera e nunca me senti tão sozinha: eram 40 homens aquecendo com seus baixos nas mãos e uma vontade absurda de entrar na escola pra que pudessem estudar com grandes mestres do contrabaixo brasileiro.

Eu tinha apenas 12 anos, era a única mulher e com certeza a pessoa mais nova daquela sala de espera, até que chegou outra menina, um pouco mais velha do que eu e se sentou ao meu lado. Seu nome dela era Lana Ferreira e somos amigas até hoje, sendo minha substituta em casos onde não posso fazer algum trabalho.

Como eu tinha estudado bastante o conteúdo da prova, cheguei e fiz o que me pediram. A principio fiquei na lista de espera, mas logo em seguida fui chamada pra fazer parte do grupo de alunos da escola.

Fiquei imensamente feliz em saber que estava apta para estudar ali.

Pois é, logo de inicio me deparei com um ambiente super masculino. Uma coisa que fui começando a notar com o passar dos anos foi ar de dúvida, e também falta de crédito que alguns homens (e até mesmo mulheres com educação machista),  as vezes, depositam em mulheres com respeito à Musica.

Passei por diversas situações desagradáveis, como por exemplo nos casos em que estava pronta para me apresentar e o assistente de palco entrava procurando ‘’o Baixista’’. Hilário, se não fosse trágico, não é mesmo?

E olhem que em muitos daqueles palcos, eu já tinha me apresentado como tal, ou  estava com o baixo em mãos pronta para subir com os outros músicos.

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Houve outras situações em que a minha capacidade de ligar o próprio instrumento era colocada em dúvida ou  acharem que fosse tocar mal pra caramba até que eu provasse o contrário.

Mas para mim, o pior é perceber que a opinião da Mulher muitas vezes não é levada em consideração principalmente em meios de criação coletiva, produção e direção musical.

Isso é fato; temos como exemplo a grande Ivone de Lara, compositora carioca que teve que ocultar a autoria dos primeiros sambas que compôs para impor, aos poucos, a própria obra nos terreiros dos anos 30.

Dona Ivone conseguiu vencer e se impor e por isso volto a citar aqui a importância da representatividade.

São mulheres como Dona Ivone, Chiquinha Gonzaga, instrumentistas mais atuais, como Esperanza Spalding, Lea Freire, musicistas e amigas com quem tenho e tive o prazer de trabalhar junto, como Lari Basilio, Anna Tréa, Simone Sou, Livia Mattos entre outras.

São elas que me inspiram e inspiram outras mulheres que estão mudando os preconceitos do showbiz com relação ao indiscutível talento feminino.

São as Mulheres, que cada vez mais vão se impor e mostrar sua capacidade.

Se você é Homem, entenda que não as Mulheres não desejam competição, mas espaço para trabalharmos juntos cada vez mais. É por isso que agradeço demais a oportunidade que a SANTO ANGELO me deu ao abrir esse espaço para conversarmos sobre respeito e representatividade.

Espero estar com voces em outras ocasiões.

Obrigado, Ana Karina, por ter compartilhado sua história pessoal com os nossos leitores.

Eu, Lygia, sinto-me extremamente gratificada por ter mais Mulheres participando, tanto no blog como na capacidade de dividir suas experiências profissionais e conhecimento com a nossa galera.

Prestem agora atenção ao testemunho das duas endorsees chilenas, recem aderidas ao cast daquele país, cuja responsabilidade pertence ao guitarrista Rodrigo Burotto.

Natalie Santibañez- Baixista Chilena

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“La mujer chilena despertó, celebrando una época en que podemos expresarnos con mayor libertad, en una cultura chilena tan nueva como inmadura. Nuestro rol es empoderarnos, mostrarnos en todo nuestro esplendor, en todas nuestras facetas, ya sin miedo a que dirán los demás, porque ahora estamos unidas, solidarias, cercanas, libres y poderosas.

La mujer en la música no compite: comparte, se expande, abre sus orgánicos y estelares universos interiores. Gracias a las redes, las nuevas generaciones de mujeres ven en referentes anteriores una enorme inspiración, y ahí es donde las que ya hemos atravesado ríos y montañas luchando por hacer lo que amamos hasta la médula, que es la música, podemos mostrarles el camino más llano, acompañarlas en el proceso y animarlas a crecer sin limites”

A mulher chilena acordou, comemorando um momento em que podemos nos expressar com mais liberdade, numa cultura chilena ainda nova quanto imatura.

Nosso papel é nos fortalecermos, mostrar todo o nosso esplendor, em todas as nossas facetas, e sem medo do que os outros dirão, porque agora estamos unidas, juntas, próximos, livres e poderosas.

A mulher na música não compete, ela compartilha, ela se expande, ela abre seus universos internos orgânicos e estelares.

Graças às redes, as novas gerações de mulheres vêem em referências anteriores uma enorme inspiração, e é aí que aqueles que já atravessaram rios e montanhas lutando para fazer o que amamos ao núcleo, que é música, podemos mostrar o máximo nível, acompanhe o processo e incentive a crescer sem limites.

América Paz- Cantora e Baixista Chilena

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“Desde hace un tiempo que las mujeres estamos cada vez más presentes en la música, tocando diferentes estilos e instrumentos que quizás es más común ver a un hombre tocando, en mi caso, el bajo eléctrico

Siento que desde ese punto de vista se ha avanzado muchísimo ya que hay mujeres de gran nivel interpretando el instrumento. Espero eso sí, que llegue un día en que no se haga una diferencia por sexo, como al decir “Mejor Baterista/Guitarrista/Bajista Femenina”  pues nunca he visto que se hable del “Mejor Guitarrista Masculino” Ojalá que frases como “Para ser mujer ella es buena” pasen al olvido prontamente, porque déjenme decirles que no somos buenas por ser mujeres, simplemente somos buenas por nuestro talento y trabajo. Punto final”

Há um bom tempo, as mulheres estão cada vez mais presentes na música, tocando diferentes estilos e instrumentos que talvez seja mais comum ver um homem tocando, no meu caso, o baixo elétrico.

Eu sinto que, desse ponto de vista, tem havido muitos progressos, pois há mulheres de grande nível tocando instrumentos.

Espero por um dia que não haja mais diferença por gênero, como em dizer: “Melhor Baterista / Guitarrista / Baixista Feminino” porque nunca vi o “Melhor Guitarrista Masculino”. Gostaria de frases como “Para ser mulher até que é boa” vá ao esquecimento rapidamente, porque não somos boas por sermos mulheres, somos simplesmente boas pelo nosso talento e trabalho. Ponto final.

Fechando o post, adicionei o testemunho da Quesia Aguiar, uma mulher batalhadora que vale a pena conhecer sua história também.

Quesia Aguiar- Musicista, Professora e Assessora do Cacau Santos

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Muitas de nós temos jornadas duplas, triplas. Diria que no meu caso a jornada é bem extensa(rs). Leciono música, cuido da minha família (esposo e filho), gerencio a casa, estudo e ainda administro a carreira do Cacau o que tem sido bastante desafiador lidar com contratos, agendas e toda questão do marketing que envolve a trajetória e imagem dele como artista.

Pensar em estratégias, ajudá-lo no relacionamento com as marcas parceiras, alunos, projetos e a rotina administrativa são algumas das atividades na correria do meu dia a dia.

Ao longo dos anos temos trabalhado arduamente e juntos (eu e Cacau) nos dedicado com muito afinco em produzir arte de qualidade, educação e informação relevante para as pessoas.

O sucesso da carreira do Cacau é fruto de um trabalho criterioso e cuidadoso que vem sendo construído há muitos anos. Trabalho este que muitas vezes não é visto ou observado no produto final, como exemplo, cito a realização de um evento, um DVD ou uma turnê.

Obviamente que o talento e a capacidade do Cacau como artista são surpreendentes, não coincidentemente, quando nos conhecemos ele já era um músico muito bem sucedido.

Mas o trabalho de planejamento e  gerenciamento de carreira o fez alcançar resultados excelentes e tem projetado para outros níveis de mercado.

Refletindo sobre minha caminhada como esposa, mãe e profissional, percebo que cada uma de nós mulheres, somos dotadas de muita força, resiliência e coragem para vencer obstáculos e por vezes preconceitos que aparecem em nossos caminhos.

Nem sempre os planos e sonhos acontecem e se realizam no tempo e da forma como planejamos. Tenho aprendido com Deus sobre ser diligente,  tratar tudo com zelo, esmero, empenho e presteza e acima de tudo termos gratidão por tudo que Ele já nos proporcionou. Isso nos leva a novas conquistas.

Pra mim é um grande privilégio com o meu depoimento encorajar mulheres a  desenvolverem cada vez mais estratégias para conquistarem seus sonhos.

Leia o máximo que puder, busque informação, construa em você através do conhecimento um espírito crítico capaz de lhe trazer discernimento. Acredite em você como um agente transformador e tenha fé em Deus, no  tempo certo tudo floresce!!

Faço minhas todas às palavras dessas mulheres corajosas e desde agradeço a todos vocês que puderem comentar aqui no blog ou nas redes sociais da SANTO ANGELO.

Abraços e até a próxima.

Lygia Teles, é Relações Públicas e especialista em Gestão de Marketing pelo SENAC-SP. Desde janeiro/16 integra a equipe de Marketing e Comunicação da SANTO ANGELO.