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Música e mobilização popular: nada mais natural!

Por Isis Mastromano Correia 

“Vem pra rua, vem contra o aumento, vem, vem”. Que deixe de dar o primeiro like no Facebook aquele que não ficou com esse refrão e respectivo ritmo na cabeça, seja por ter participado ou por ter visto imagens dos protestos dos últimos dias por ai. Mas como foi que a MÚSICA entrou nessa?

Não é de hoje que a Música e as manifestações em geral têm andado de mãos dadas. São os cânticos de ordem nascidos entre o povo e os instrumentos de percussão que estão sempre presentes dando o tom em passeatas, greves e protestos. As canções de ordem que surgem de forma espontânea dão o tom, motivam os participantes e, quando abraçadas por muita gente, deixam uma marca eterna para a causa em questão.

“Ai, ai, ai, ai, se empurrar o Collor cai”, foi o jingle criado pelos Caras-Pintadas para dar força ao movimento popular que conseguiu o afastamento do ex-presidente Fernando Collor de Melo do maior cargo de poder da nação em 1992. O ritmo para as palavras foi inspirado no grito da torcida do time de vôlei campeão olímpico daquele mesmo ano.

“Ai, ai, ai, ai, se empurrar o Collor cai”. Fonte – educadores.diaadia.pr.gov.br

“Diretas Já”, assim, simples, mas com ritmo e em coro musicalizou a mobilização popular e os comícios que pediam a redemocratização do país na entrada dos anos 1980.

 

Movimento das Diretas Já. Fonte – Arquivo Público

A Música é sempre o elemento estético eleito para encaminhar qualquer manifestação, pois, ela é também uma forma de expressar sentimentos, desejos, frustrações e, sobretudo em situações de protesto, é utilizada como forma de alertar a sociedade para as questões que afligem o mundo como a guerra, o racismo, a discriminação, o descaso, os abusos e a opressão.

Da criação popular e espontânea dos jingles, simples e curtos para serem facilmente memorizados, não dá para esquecer que artistas do ramo musical são os mais lembrados quando o assunto é manifestação e mobilização. Basta escutarmos os primeiros versos de “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, para sermos arremessados pelo túnel do tempo diretamente para as agruras e a luta contra a Ditadura Militar no Brasil.

Então, nunca sabemos quando a Música vai cumprir seu papel. Veja que cantar hoje no meio da “revolta dos 20 centavos” Geração Coca-Cola, da Legião Urbana, ou da musica instrumental interpretada pelo Gustavo Guerra que está no player do nosso canal YouTube para ilustrar este post e o momento atual que vivemos.

O modelo, o parâmetro, o exemplo de uma moda, um comportamento, um critério ético ou estético de uma época pode certamente ser relembrado pelas músicas e, sobretudo, as eleitas pelo povo para representar seus desejos e sentimentos.

Apesar da Música com referência ideológica existir a mais tempo do que isso, foi a partir dos anos de 1960 que ela ganhou força impulsionada por bandas como Beatles e Rolling Stones que protestavam contra o poder estabelecido na Inglaterra, os costumes da época e afins. Outras bandas surgiram para manifestar contra a Guerra do Vietnã.

No Brasil não foi diferente. Ainda na década de 1960, movimentos musicais que criticavam o governo e chamavam a população para a luta de direitos surgiram por mãos como as dos Mutantes, Novos Baianos, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque.

Nos anos 1970, a vez foi do movimento punk rock com as bandas Ramones, Sex Pistols e The Clash que criticavam a Guerra Fria, por exemplo, e ainda do Reggae, na Jamaica, com mensagens de conscientização sobre os problemas da época e a pobreza.

As principais referências atuais no campo da Música sobre intolerância e problemas mundiais surgiram entre os anos 1980 e 1990 e de terras “improváveis” como a Irlanda, do U2, e a Austrália, do Midnight Oil que hasteia a bandeira ambiental. Nesse embalo, no Brasil surgiam Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Capital Inicial, Titãs e Ratos de Porão avessos à soberania estrangeira, à ordem política e ao modo de vida estabelecido por aqui.

Cantores da MPB como Fafá de Belém e Milton Nascimento também contribuíram muito com a mobilização popular nos anos 1980. Fafá, particularmente, conseguiu colocar em cima do palco do evento das Diretas Já o deputado federal Dante de Oliveira que se empenhava em coletar assinaturas para o projeto de emenda constitucional para estabelecer eleições diretas no Brasil alegando aos policiais que ele era o percussionista de sua banda.

Quem é músico ou ama a Música sabe que ela por si só já subverte em muito a ordem estabelecida em busca de novas possibilidades. Seu poder é intangível, ecoa pelo tempo, não dá para medir! Que bom.