O que é bom para mim é bom para todos?

Duvida 2

Olá galera, tudo bem?

Mais uma vez estou com vocês, para refletirmos juntos sobre como influenciamos e somos influenciados pelos outros. Aliás, tem usado meus conceitos da boa crítica que abordei nesse post ou nesse outro?

Agora abordarei um tema comportamental que, de tão personalista, passa despercebido no cotidiano, mas acaba, certamente, afetando nossas relações pessoais e profissionais:

O que é bom para mim é bom para todos?

É possível dimensionar e avaliar a influência do que me faz bem num contexto social difuso? Quais critérios para utilizar um repertório social e cultural?

Como podem perceber, o individualismo do mundo moderno tende a nos remeter a uma perigosa perda de foco sobre o que realmente nos compete avaliar de forma genérica e impessoal.

O mundo profissional é inicialmente o mais atingido, mas os reflexos dessa distorção são tão profundos que (não raras vezes) chegam a alterar até mesmo as nossas relações interpessoais.

Fazer uma escolha certa exige a avaliação de um leque tão grande de variáveis que quase sempre erramos ao prescindir do contexto e consequências dessa escolha.

A dicotomia começa quando caímos na tentação de sempre escolher o que nos faz bem. Afinal essa é a regra.

Mas e quando isso não é o melhor a fazer?  

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Um crítico musical precisa sempre respeitar os limites do seu trabalho e mesmo não gostando de um determinado gênero, deve fazer a sua avaliação com critério e respeito para com aquilo que lhe é proposto na sua atividade laboral.

Mesmo não gostando de música sertaneja, não é dado o direito a qualquer pessoa ou crítico de achar que todos os trabalhos desse estilo são de má qualidade.

Tal regra se aplica igualmente às avaliações técnicas e ao seu complexo universo de variáveis.

Um sintetizador de última geração equipado com teclas balanceadas (mais pesadas) não é melhor ou pior do que outro equipado com teclas normais de poliéster plástico simplesmente porque o crítico tem preferência por um ou outro sistema.

A forma como nos identificamos com algo é traiçoeiro e perigoso quando estamos em posição de avaliador circunstancial.

Nossa vida é feita de pequenas avaliações diárias onde definimos o que nos satisfaz internamente ou nos projeta no meio social. Essa aparente convergência é na verdade a maior ambiguidade que habita o nosso cotidiano.

Pensar no melhor e pensar no todo são decisões nem sempre uníssonas e da opção que fazemos a todo o instante sai à verdadeira satisfação de ter a escolha certa validada sob o prisma do harmônico convívio social.

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Ser um é ser todos e nisso reside o conceito de sociedade e de sucesso.

Não ser o melhor para mim, mas sim o melhor para todos, nos insere numa vanguarda de interação e vida em comunidade que traz a credibilidade e a confiança como seus frutos imediatos.

Afinal, ninguém torce contra o piloto estando dentro do avião em pleno voo…

Abraços e até a próxima!

Gustavo Victorino é músico, produtor, advogado, engenheiro, jornalista e radialista, assina coluna mensal na Revista Backstage e produtor executivo da Festa Nacional da Música , o maior encontro da música brasileira que acontece anualmente no Rio Grande do Sul.