Presenças (boas e más) de Palco

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por Alexandre Magno

O post de hoje traz uma novidade. Até agora, só autores técnicos escreveram as matérias, sempre com um tom mais formal nas abordagens. Para mudar um pouco esse estilo, convidamos os nossos endorsees e apoiados para escreverem sobre temas que dizem diretamente ao universo de cada um deles.

Quem respondeu mais rápido, foi o Alexandre Magno, guitarrista e especialista em tecnologia ao alcance de todos. Ele se deu bem como vencedor da categoria Voto Popular em nosso Concurso Cultural “Meus Riffs Inspiradores” e já nos fez 2 vídeos para o canal YouTube da SANTO ANGELO: Apps para Guitarristas e o tutorial do Chordana Composer. Mas deixemos que ele mesmo se apresente:

Fala pessoal, bão d+? Primeiramente, gostaria de me apresentar. Sou Alexandre Magno, apoiado da SANTO ANGELO e faço minha estreia aqui no blog.

Ah, o palco… o lugar mais sonhado pelas bandas desde o inicio de suas carreira, a segunda casa de muito musico, o local com a visão mais privilegiada e normalmente, o melhor camarote da festa. No palco você ganha, digamos, superpoderes. Ali você pode se transformar em outra pessoa e interpretar personagens (como o mega grupo de rock KISS) que você, às vezes, não consegue na vida real, fora todas as outras sensações e experiências únicas (tem gente que diz que estar em um palco lotado é melhor do que fazer sexo).

Mas como já dizia o grande roteirista de quadrinhos Stan Lee nas histórias do Homem-Aranha: “Com grandes poderes, sempre vêm grandes responsabilidades” (obrigado pela lição, tio Ben). Apesar de o palco ser um local onde você acaba desabafando (tanto em falas como em gestos) sua responsabilidade é fazer boa música, entreter e respeitar ao máximo o público que estiver prestigiando seu show, certo?

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Infelizmente, muitos músicos acabam esquecendo o publico e a casa na qual estão se apresentando e abusando desses “stage powers” (poderes de palco, em tradução livre). Ninguém vai ao seu show para ser xingado, desrespeitado ou para assistir alguma bizarrice vinda de você ou de qualquer membro da banda.

Vários relatos e casos me vêm à mente:

Claro que o primeiro (e talvez o mais lembrado de todos) deles é de Jimi Hendrix queimando sua guitarra em pleno palco. Mas esperem que tem muito mais.

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Um dos mais recentes foi da cantora Miley Cyrus, que surpreendeu seu público (majoritariamente formado por crianças e adolescentes graças a seu sucesso como Hanna Montana, da Disney) com apresentações lotadas de apelos sexuais. As mães não gostaram nem um pouco. Claro que entendemos isso como uma estratégia da artista (e de seus empresários) em abarcar um novo público. Deu certo, mas o custo pode ter sido alto para o público anterior.

Outros famosos também já tiveram suas loucuras no palco. Axl Rose, lider (e dono, não é?) do Guns n’Roses já pulou em um fã para enchê-lo de porrada por filmar o show (superpoder de voo??). O dono da “Bullseye”, Zakk Wylde, em um show com o Metallica e o Skid Row, sem querer (diz ele), fez com que Lars Ulrich oferecesse urina no lugar de cerveja para pessoas que estavam na fila de um bar (poder de…. não sei). E lembrar-se de Kurt Cobain, que subia no palco por várias vezes completamente sem condições nem de ficar em pé (e isso que a galera já tinha pago o ingresso, poder de extorquir o fã?).

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E um dos casos mais bizarros que já vi:

Apesar de pouco conhecido no “mainstream”, G. G. Allin foi vocalista de diversas bandas do cenário punk e tinha um público pequeno, mas muito fiel. Garantimos, ele não tinha superpoderes. No palco ele já se cortou, bateu com o microfone na cabeça até sangrar e certa vez, defecou no palco e atirou as fezes no público. Deleite de todos? Muito pelo contrário. Essas atitudes “sadias” renderam 52 passagens pela prisão. Pesado, não é?

Depois dessas histórias bizarras há de se pensar. Pense no público em primeiro lugar. Antes de fazer qualquer coisa, imagine o impacto que isso poderá gerar. Lembre-se sempre que você, como figura publica, pode estar influenciando várias pessoas com suas atitudes.

Se você não teve um bom dia ou está frustrado com algo, não use o palco como válvula de escape para descontar no público, que pagou e está querendo o seu melhor, mesmo que talvez alguns deles nem saibam quem você é ou qual o seu trabalho, o importante e ter respeito sempre.

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Depois de uma atitude errada, da pedra lançada, você terá muito mais trabalho que uma pessoa comum para “limpar a bagunça, trocar a vidraça e seguir em frente”.

Tendo em vista todo esse papo, deixo aqui algumas dicas e boas maneiras para te ajudar a “sobreviver” no palco:

  • Faça alongamento e aquecimento antes da apresentação e aproveite para relembrar alguma parte mais complexa de algumas músicas;
  • Vá ao banheiro e se hidrate antes de começar (já pensou pedir pausa para um xixi?);
  • Verifique todo o seu equipamento antes do show e confira a afinação dos instrumentos;
  • Seja legal com os técnicos de som (eles são um tipo diferente de público e você precisa deles para que as pessoas ouçam você. Não seja arrogante);
  • Passe o cabo da SANTO ANGELO (opa, lá vai a “merchan” do patrocinador) por detrás da correia para não correr o risco de pisar no cabo, desplugando seu instrumento;
  • Tenha um “kit de primeiros socorros” para seu equipamento: cordas reservas, instrumento reserva, cabos reserva (não que você precise usando SANTO ANGELO), palhetas, baterias, chaves de fenda e Philips;
  • Tenha o repertorio em mente, mas se a memória não estiver boa anote em algum lugar visível;
  • Se você ou alguém da banda errar, não faça cara feia ou olhe com cara de “você errou, safado” para outro integrante. Erros acontecem. Siga em frente;
  • Movimente-se. O público não gosta de estatuas no palco (senão iriam ao museu), tente se mexer e andar um pouco (se o palco permitir);
  • Não se intimide com ninguém na plateia, olhe para o publico, sorria, faça cara de mau, interaja;
  • Seja educado sempre, não responda comentários que não gostou de alguém da plateia ou faça gestos obscenos que vá se arrepender depois;
  • Sempre terá alguém pra gritar “Toca Raul” ou “Toca Manuel” dentre outros pedidos “básicos” e que perderam a graça, cabe a você e sua banda saberem se atenderão ou não. Tenha “cartas na manga”;
  • E o principal: aproveite e divirta-se bastante, nada melhor que um palco e toda a experiência que ele proporciona.

Abração a todos e curtam as minhas redes sociais, Youtube e Facebook.”

Esse foi o depoimento do Alexandre e que nos faz pensar: você tem alguma historia interessante que tenha vivido ou presenciado nos palcos? Ou mesmo já viu algum artista ofender alguém (ou mesmo você)? Compartilhe com a gente nos comentários aqui do blog e vamos ter em mente sempre o respeito àquele que nos fará ter sucesso e trabalhar com a música, o público.

Grande abraço e até a próxima.