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Produtor Musical: uma opção ao Rock Star

2015-11-25 - FB

Fala pessoal, tudo bem?

Já sabemos de muitas oportunidades que o músico tem para se firmar em uma carreira no mercado musical. Vendedor, roadie, técnico de áudio ou de iluminação e professor são só algumas delas (ainda vamos explorar outras nos próximos posts).

Aproveitamos essa “onda” para relembrar outro post, escrito pela jornalista Isis Mastromano Correia, falando sobre os produtores e como imaginar uma carreira nesse meio. Leia e inspire-se!

Você já deve ter notado que muitos dos nossos guitar heroes brasileiros, bateristas, baixistas, tecladistas e vocalistas admirados têm de se desdobrar em dez para, além de atuar nos palcos e criar seus discos, ministrar aulas, palestras, workshops e produzir CDs de outros músicos, não é mesmo?

No Brasil, são raríssimos os casos de músicos que podem caminhar livremente de mãos dadas com o estilo de vida de um Rock Star, no máximo, dá pra flertar um pouco com esse lado mítico da profissão. Para quem está a fim de entrar no mercado de trabalho, vale descortinar o contorno de ídolo dessas figuras e tirar lições valiosas que eles têm a nos oferecer, mesmo sem nos contar diretamente: o “segredo” é que todo músico também está apto a desempenhar outras funções além do entretenimento e dos espetáculos.

Pensando nessas possibilidades – algumas já mencionadas durante as últimas semanas aqui no blog da SANTO ANGELO -, continuamos indo fundo em outras funções profissionais não tão visadas pela maior parte dos estudantes e músicos, mas, que são excelentes e gratificantes modos de ingressar e se manter vivo no mercado de trabalho da Música.

Demos, em um  post anterior, o exemplo de um baixista que trabalha como professor de História e que aliou a pedagogia à Música usando letras de Rock e Heavy Metal para ilustrar o conteúdo transmitido em sala de aula. Foi o modo que ele inventou de trabalhar com a Música de alguma forma.

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Nossa primeira dica de um bom caminho a ser trilhado no mercado musical é a carreira de Produtor Musical, ou, Produtor Fonográfico como a função também é conhecida. Com uma crescente demanda por especialistas dessa área, o mercado de trabalho para o Produtor Musical qualificado é promissor e está aquecido.

Graças a democratização da tecnologia e diminuição dos custos de equipamentos de áudio, esse profissional foi liberado para procurar trabalho para além daquela meia dúzia de grandes gravadoras que dominavam o mercado fonográfico até pouco tempo e também para galgar espaço no sem número de estúdios em funcionamento, muitos, até, dentro das próprias casas, os homestudios, que surgem inclusive em diversas vídeo aulas oferecidas gratuitamente no canal YouTube da SANTO ANGELO.

Mas o que faz mesmo o Produtor Musical?

Atrás de um grande disco, na maioria das vezes há um bom Produtor Musical. Ele é o profissional responsável por captar, gravar e mixar canções para que fiquem coerentes com a obra do autor ou autores. Ou seja, é ele quem controla as sessões de gravação, treina e guia os músicos e cantores e supervisiona o processo de mixagem.

Um Produtor Musical está para o artista como o técnico está para um atleta. Assim, quando falamos, por exemplo, da gravação de um CD, o produtor é o profissional destacado para decidir qual o estúdio mais adequado de gravação e quais instrumentos musicais ou arranjos são mais pertinentes para o estilo de Música desempenhado pelo artista da vez.

Ele é responsável pelos aspectos criativos e práticos de todo o processo de gravação. Pode trabalhar por demanda em estúdios sempre que um artista de seu know how começar uma gravação ou ainda procurar trabalho também em locais formais de trabalho, como rádio, TV, estúdio de cinema, internet e agencias de publicidade o que implicará algumas variações na rotina de suas funções.

O papel do Produtor Musical evoluiu bastante. Na primeira metade do século XX, além de supervisionar as sessões de gravação ele tinha como função contratar e remunerar os técnicos, músicos e os responsáveis pelo arranjo das músicas, e, algumas vezes, até escolhia as melhores canções para o artista.

Nos anos 1960 é que os Produtores Musicais passaram a desempenhar um papel mais direto no processo musical, incluindo criar arranjos, cuidar da engenharia da gravação e até escrever canções. Assim, os produtores passaram a ter forte influência não apenas em carreiras individuais de artistas e bandas, mas no próprio curso da Música Popular.

Não é para menos: a maioria também é Músico, habilidade mais do que desejada para se ter uma carreira bem sucedida nessa área. Como cuidam de suas próprias bandas e carreira como artistas, têm facilidade de se entender e comunicar com que está em pleno trabalho de gravação.

Em um fragmento de entrevista concedida pelo Produtor Carlos Eduardo Miranda à revista “IstoÉ”, em 1999, dá para entender a importância da função deles no som de um artista. Miranda se tornou figura popular entre o grande público depois de aparecer em realities shows musicais da TV aberta, mas, via de regra, o Produtor é uma figura de bastidor e funciona como alicerce de todo trabalho musical.

O trecho extraído da publicação diz que “às vezes, um produtor pode interferir tanto em um trabalho que, no final, a banda não reconhece o próprio som”. Quando o paulistano Miranda pegou Samba Esquema Noise, primeiro disco do grupo pernambucano Mundo Livre S.A, para produzir, ele passou três meses no estúdio.

Mudou o andamento de algumas faixas e acrescentou instrumentos gravados por músicos do Nação Zumbi e dos Titãs. “Quando a banda ouviu, alguns não sabiam como tocar as músicas.”, diz Miranda. “Éramos totalmente ignorantes quanto à técnica de gravação”, conta Fred 04, líder do Mundo Livre, ao final do texto.

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Um adendo (antes de entrarmos nos produtores mais conhecidos) que ocorreu nesse último ano (2016) foi a morte do George Martin (não é o cara do Game of Thrones), conhecido como 5º Beatle, o produtor que ajudou o quarteto a alcançar o estrelato. Imagina como é ir de frente com uma das maiores bandas de todos os tempos? Essa frieza é função do produtor, que enxerga o que o mercado deseja e não só o que o músico quer. George não esteve só com os Beatles, mas também com alguns artistas desconhecidos como Rolling Stones, Elton John e Sting (o desconhecidos foi uma brincadeira) dada a sua competência.

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Se você reverencia discos clássicos como “Reign in Blood” (Slayer), “Hypnotize” (System of a Down), Blood Sugar Sex Magik (Red Hot Chili Peppers), Ballbreaker (AC/DC) e Death Magnetic (Metallica) deve agradecimentos justamente a um Produtor, Rick Rubin, que revolucionou o trabalho desses e de diversos outros artistas como Beastie Boys, Slipknot, Shakira, The Mars Volta, Linkin Park, ZZ Top, Adele e Black Sabbath. Rubin, com um extenso legado, se tornou uma das maiores referências no mundo da Produção Musical.

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No Brasil, também por conta de um Produtor Musical, muitas bandas se tornaram queridas pelo grande público. Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr, CPM 22 e NX Zero tiveram como curinga Rick Bonadio. Parece que Rick é um bom nome para ser promissor na carreira, hein!

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Brincadeiras a parte, vale a pesquisa de outros nomes como Chris Tsangarides, o Midas por trás de grandes nomes do Heavy Metal como Judas Priest, Helloween, Bruce Dickinson e Yngwie Malmsteen e o brasileiro Tom Capone, falecido em 2004, mas que deixou um portfólio rico para estudo dos interessados em Produção Musical abarcando gente como Raimundos, Legião Urbana, O Rappa, Maria Rita, Skank, Gilberto Gil, Marisa Monte, Frejat, Nando Reis e Hebert Vianna.

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Se alguém ainda duvida da importância do Produtor Musical, vale dizer que o Grammy, maior premiação da Música mundial, reserva um troféu exclusivo para essa categoria de profissional.

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Quem se especializa em Produção Musical alia sua competência de músico à de técnico e pode atuar tanto em shows, espetáculos e eventos musicais ao vivo como técnico de som como no setor de gravações e criação musical voltada para área comercial ou artística.

Em geral, o conteúdo visto nos cursos de formação técnica e superior em Produção Musical abrange tópicos como análise e visão de produtos musicais, gestão de projetos, marketing, direitos autorais, leis de incentivo cultural, além dos conhecimentos musicais, claro, tais como prática musical, vivência instrumental e vocal, análise da história da música popular no rádio, cinema e TV, criação em música e imagem, trilha e linguagem sonora.

Entender e lidar com os equipamentos de um estúdio, como mesas de som, microfones, softwares de gravação e edição, também faz parte da grade curricular juntamente com o ensino de técnicas de captação de áudio, mixagem, masterização, uso do sintetizador e utilização de softwares de instrumentos musicais e efeitos virtuais.

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Existem várias entidades especializadas, como o IATECIAV e o CAM oferecendo cursos técnicos de extensão ou especialização, mas, a única instituição brasileira a oferecer um curso de graduação superior na área é a Anhembi Morumbi com seu “Tecnologia em Produção Fonográfica/ Produção Musical”. O curso tem duração de dois anos, o aluno sai diplomado como tecnólogo e, para ingressar, é necessário prestar vestibular.

Outras escolas especializadas no ensino de Música e em formação de DJs também oferecem formação em Produção Musical, porém com carga horária menor e certificação diferenciada. Há ainda a opção de cursos online.

A decisão em qual desses cursos apostar cabe ao aluno após algum período de uma boa pesquisa para avaliar o que cabe melhor nos anseios e no bolso já que o investimento médio nas mensalidades para a formação de um Produtor Musical varia de R$ 700,00 a R$ 1.300,00, em média. Já inserido no mercado de trabalho, o salário do produtor musical gira em torno de R$ 4.000,00.

E o que achou dessa possibilidade? Com certeza o investimento de tempo e dinheiro retornaria de muitas formas para você, seja para sua carreira solo de músico, seja para desenvolver-se em uma nova carreira.

Fique de olho que estamos ainda com muitas matérias para vocês pensarem nas possibilidades que a música trás.

Um abraço.

Dan Souza é Relações Artísticas, Baixista e fissurado em tecnologia e música, além disso, é apaixonado por Publicidade, Propaganda, Literatura e Filosofia. Formado em Marketing pela UNINOVE/SP, atualmente é CMO da equipe de Marketing da Santo Angelo.




  • Daniela Tiemi

    Boa matéria, mas tenho uma correção a fazer. Hoje não é somente a Anhembi Morumbi que ministra o curso superior em Produção Fonográfica. O curso também é ministrado pela Fatec, pertencente ao Centro Paula Souza, na unidade Tatuí (Fatec Tatuí), sendo um curso também tecnólogo mas com duração de 3 anos, que é uma pareceria do Governo do Estado de São Paulo com o Conservatório de Tatuí.