Professor + Método + Aluno Interessado = \ooooo/

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Olá pessoal, como estão nesse feriado?

Ainda na onda da Semana do Professor, relembramos um texto da Isis Mastromano Correia que vai fundo no processo de aprendizado musical. Se seu professor é bom, tem método e você está interessado, o aprendizado é mais fluente e funciona muito melhor.

Junte os conhecimentos desse post com um anterior sobre aprender em boas companhias e use esse conhecimento no seu dia a dia, seja você docente ou discente.

Estudar Música, infelizmente, ainda é um martírio para boa parte das pessoas. Mas por que se, afinal, é na Música onde buscamos um refúgio de alegria e prazer na vida?

A mistura de um método de ensino chato com um professor cativante tem muitas chances de funcionar, mas um método azucrinante aliado a um professor chato é uma formula certeira para perderemos o entusiasmo em aprender a tocar um instrumento musical! E parece que pelo bem ou pelo mau, dessa conclusão nenhum aluno escapará ao longo da sua empreitada com musico!

Assim sendo, fica claro que o professor é fundamental no processo de aprendizagem (e já falamos aqui que infelizmente são nos cursos superiores de licenciatura, os que formam os “formadores”, onde há mais evasão nas universidades brasileiras!). No Brasil, a Educação Musical na escola convencional é apenas mais uma gama dentro da disciplina geral de Educação Artística onde a polivalência de um professor predomina: ele é responsável por todas as áreas artísticas e isso contribuiu para o afastamento dos profissionais licenciados em Música da escola regular.

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Então, quem forma os formadores, quem instala aquela vontade dentro do aluno de seguir na Música dali em diante, também está um passo atrás. Isso é reflexo da falta de incentivo à Educação no país como um todo, assunto que já estamos calejados em discutir, mas não há outro caminho, nem formula mágica!

Gostando ou não, o certo é que são preciso bases para se construir qualquer edifício e assim também é na Educação Musical: bons instrutores são fundamentais para adequar a parte teórica à prática, que é, nada menos do que onde estamos sempre afoitos em chegar.

Os professores são a chave para conseguirmos mais e bons Músicos nas próximas gerações. Eles têm de estar atentos aos desejos do estudante moderno. Para se ter uma ideia, Mozart Mello, coordenador de ensino do EM&T (Escola de Música e Tecnologia localizada em São Paulo/SP) explica que o método aprovado por ele para a unidade do Jabaquara, por exemplo, não funciona para a mesma escola com filial no Morumbi. O motivo? Formação cultural dos alunos.

Por conta não de métodos inadequados, mas sim da aplicação inadequada dos métodos que já não preenchem as expectativas do futuro músico em suas mais variadas culturas, alguns têm verdadeiras crises existenciais com aquela que era sua maior aliada até então: a Música. Há casos de alunos que partem a procura de ajuda psicológica para equalizar o problema “muita teoria versus pouca Música” ou ainda “muito estudo versus pouco avanço no instrumento”.

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Os procedimentos de Ensino Musical disponíveis atualmente têm um novo desafio que é o de reinventar os elementos metodológicos para fazerem sentido nos dias de hoje. Essa repaginação passa por algo que estimule o estudante de Música que tem familiaridade com a tecnologia como por exemplo celulares, iPads, iPods, ultrabooks e por aí vai.

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Professores mais antenados já se deram conta de que não dá para desconsiderar essa nova ordem mais tecnológica, veloz e à mão. Mas sabem também que essas novas ferramentas devem ser usadas com bom senso e equilíbrio para dar uma boa contribuição na educação do jovem atual.

Diversas propostas metodológicas tornaram-se conhecidas e aplicadas no mundo em função de sua coerência. O que grande parte das desenvolvidas no século XX, apresenta em comum é a revisão dos modelos de ensino praticados nos períodos anteriores que passaram a englobar a proposta de estender o ensino da música além das raias do talento nato.

Algumas propostas de Educação Musical desenvolvidas em vários países na primeira metade do século XX desembarcaram no Brasil a partir dos anos 1950 e continuam a ser utilizadas por aqui como os métodos de Émile Jacques-Dalcroze, Edgar Willems, Zoltán Kodály, Carl Orff e Shinichi Suzuky.

A seleção desses autores não significa que eles sejam mais importantes que outros. É necessário reconhecer diversos educadores que contribuíram para a educação musical no mundo, mas, as propostas destes nomes eminentes conquistaram espaços por sua pertinência e adequação a diferentes perspectivas do ensino de Música.

Não é a assinatura de um mestre consagrado que irá garantir nossa prática cotidiana da canção. É importante que sejam utilizadas essas referências do passado para a elaboração de propostas adequadas à atualidade do ensino. Deve-se dizer ainda que a aplicação direta desses métodos não signifique êxito. O êxito está exatamente em não considera-los receitas prontas e adapta-los a diversidade cultural, social e educacional dos alunos. Vejamos:

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O suíço Émile Jacques-Dalcroze (1865-1950) apresentou uma proposta de Educação Musical que relaciona a música ao movimento corporal. Com isso, Dalcroze propôs estimular o desenvolvimento global da pessoa na área física, afetiva, intelectual e social. Ritmo, solfejo e improvisação fazem parte da proposta de Dalcroze para o desenvolvimento musical de crianças, jovens e adultos.

Para o também suiço Edgar Willems (1890-1978) a proposta de ensino de música deu-se no foco de crianças a partir de três anos de idade. E considerava a escuta a base da Musicalidade e o estudo da audição foi um dos pontos fundamentais abordados em sua proposta. Willems buscou por bases psicológicas para a Educação Musical e procurou estabelecer relações entre o som e a natureza humana a partir dos aspectos sensorial, afetivo e mental.

O húngaro Zoltán Kodály (1882-1967) realizou uma proposta de educação musical dirigida para todas as pessoas. A prática vocal em grupo, o treinamento auditivo e o solfejo são atividades centrais para esta metodologia. A Música folclórica, que surge no coração de um povo, é um princípio fundamental do método Kodály que por isso pode ser aplicado a diferentes experiências culturais em educação musical. Ainda assim, a experiência musical para Kodály abarca a criatividade, movimentos corporais, desenvolvimento intelectual e emocional.

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O alemão Carl Orff (1895-1982) é autor de uma proposta que combina Música e Dança, trabalhando com o ritmo da fala, atividades vocais e instrumentais em grupo, com forte enfoque para a improvisação e a criação musical. O instrumental

Orff, que é um conjunto de instrumentos musicais idealizados por ele mesmo, inclui xilofones, metalofones, tambores e instrumentos de percussão, além de violas da gamba e flautas doces. Para ele, a experiência de tocar em grupo colocava o aprendiz em contato direto com o fazer musical, que o motiva a executar música em grupo desde os primeiros estágios.

O japonês Shinichi Suzuki (1898-1998) montou sua proposta pedagógica baseada na aquisição da língua materna pelas crianças considerando que haveria um paralelismo entre aprender a língua e aprender um instrumento musical. Ele pensou que assim como as crianças aprendem a língua a partir da escuta constante das pessoas à sua volta poderiam aprender a Música da mesma maneira, baseando o aprendizado no processo de imitação. O desenvolvimento da habilidade da memória, o estímulo à execução “de ouvido” e a busca do talento inato que todos possuem são elementos fundamentais para o método Suzuki, que também dá grande importância para a Música feita em grupo e a participação da família no processo de aprendizagem de crianças.

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No próximo post do nosso blog você conferirá uma entrevista exclusiva com o guitarrista Mozart Mello onde fomos muito além do já batido “o que você indica para quem está começando na Música?” (que atire a primeira palheta quem frequenta workshops e ainda não escutou essa!). Também preparamos uma surpresa para todos aqueles que se inscreverem no blog a partir de hoje.

O mestre Mozart falou sobre a necessária renovação da maneira de se ensinar Música, sobre a importância da luta pela Educação Musical no Brasil, sua empreitada na formação de novas frentes de professores e como, enfim, incluir a Música em larga escala na vida das pessoas, além de uma instigante opinião sobre a relação dos últimos acontecimentos no país e a relação disso tudo com a Música.

E o que acha sobre esse assunto? É possível evoluir sem essa combinação de fatores? Conhece métodos milagrosos de ensino que saem desse tripé? Comente conosco sobre sua experiência de ensino ou aprendizado, usando ou não métodos. Dessa forma, ajudaremos uns aos outros a superar barreiras e aprender sempre.

Nos vemos em breve.

Dan Souza é CMO, Relações Artísticas, fissurado em tecnologia e música, além de baixista nas horas vagas e apaixonado por Publicidade, Propaganda, Literatura e Filosofia. Formado em Marketing pela UNINOVE/SP, faz parte, desde 2013, da equipe de Marketing SANTO ANGELO.