Quando cobrar ou tocar de graça? Parte II

21-08-15 Links - Cobrar

Por Carla Lima

Olá galera!

No meu post anterior, eu falei quando você deve cobrar e quando tocar de graça num show, ou pagar para tocar, para que, além da experiência e da publicidade, aumente também o seu círculo de network. Ou seja, conhecer mais pessoas que possam te convidar para outros trabalhos como músico. E se fez a lição de casa que passei (de conhecer um pouco mais sobre educação financeira) também já sabe quanto te custa para tocar (saiba mais neste post). Vamos então continuar respondendo perguntas?

Como devo valorizar meu trabalho como músico?

Se você já toca para o público há algum tempo e esta é a sua única profissão, você sabe de todos os custos envolvidos, desde as despesas com os instrumentos e acessórios até o deslocamento para chegar até o local do show. Assim, é importante que você sempre encare o seu trabalho como uma “empresa” e antes de qualquer coisa, faça um planejamento de negócio (veja aqui um modelo). Por meio deste planejamento, você também saberá qual será o cachê justo pelo seu trabalho (veja este outro post sobre quanto custa para tocar).

Por exemplo, imagine-se como uma empresa “X”, que vende o produto “y” (seu trabalho como músico), e precisa estabelecer o valor de venda para este produto “y”. Como fazer isso? É preciso fazer uma conta com todos os custos fixos (como o salário dos funcionários e aluguel) e os custos variáveis (como água e energia elétrica) para atingir o ponto de equilíbrio e assim definir o valor que o produto será vendido.

Quando cobrar e quando tocar de graça II 1- Tocando para idosos

Leia mais sobre como calcular o valor da sua prestação de serviço (clique aqui).

Tenha em mente que o preço que for calcular é o seu “preço mínimo”. Ou seja, você poderá cobrar um valor maior, caso o seu mercado (cliente) puder pagar mais.

E como saber quanto é esse “a mais”?

Seja como músico ou qualquer outro profissional, ter sucesso e produzir um trabalho de qualidade exige esforços contínuos, pois os valores de um profissional não são adquiridos “do dia para a noite”. Pense nisso como a construção de um muro: é preciso incluir tijolo por tijolo. É necessário ter dedicação para estudar diariamente, muito treino, obter mais conhecimento e, assim, se profissionalizar, o que sabemos não ser uma tarefa fácil. As suas habilidades, em conjunto com as técnicas e o profissionalismo, é que lhe colocaram na posição profissional que se encontra atualmente. Por isso, é preciso dar o devido valor a todos esses esforços, lembre-se sempre disso.

Suponha que recebeu um convite para dar aulas em uma escola de música. Você já sabe quanto custa a sua hora, bem como o custo do deslocamento por km, certo? A oferta que a escola lhe fez cobre seus custos? Está em linha com o que pagam as demais escolas da região? Vai rolar alguma ajuda de custo para estacionamento ou vale refeição como bônus extra?

Ótimo se todas as respostas forem positivas, mas será que podem pagar um pouco a mais? Analise as instalações da escola, assim como o nível econômico dos alunos que a frequentam. Se possível, até a marca e modelo das guitarras dos seus “futuros alunos”. Será que o seu nome não estará dando um prestígio extra para a escola e trazendo novos alunos que sejam seus fãs? Pense em tudo e faça uma contra oferta para a escola, mas sem parecer arrogante ou explorador. Converse e tente fechar o acordo, pelo menos por um período inicial para que tanto a escola como você possam avaliar as vantagens e desvantagens do contrato. Lembre-se que o seu network não pode ser rotulado como “mercenário”.

Quando cobrar e quando tocar de graça II 2

Suponha que agora esteja tocando como “sider man” em uma banda. Um exemplo bacana como network funciona é dado pelo nosso amigo Fabiano Carelli neste ou neste vídeo. A mesma análise que te recomendei no parágrafo anterior deve ser feita neste caso, até no caso da banda viajar de ônibus ou avião fretado. Tudo isso pode valer uma plus a mais no seu valor, certo?

Quer dizer que nunca mais poderei tocar de graça?

Como falei no início da nossa conversa, para toda regra existe uma exceção e você poderá sim tocar de graça em algumas situações mesmo se já tiver uma carreira consolidada.

A música tem o poder de mexer com as emoções das pessoas e trazer a tona diversas sensações. Você também pode usar o seu dom e talento para despertar a música em outras pessoas, pois muitos precisam apenas de um “empurrãozinho” para começar a tocar um instrumento musical.

Além do mais, a música tem o incrível poder inclusive sobre a saúde, podendo ser uma terapia muito funcional para os mais variados problemas (veja mais sobre este assunto neste post).

Quando cobrar e quando tocar de graça II 3- Tocando para idosos

Leve a música para onde as pessoas querem e precisam ouvir, seja voluntário em um asilo ou orfanato e alegre os ouvidos e os corações de quem precisa. Também considere a possibilidade de levar a música até as ruas (caso isso seja permitido em sua cidade), pois com a correria diária que todos nós vivemos, uma música ao vivo no meio do dia poderá reverter o estresse de qualquer um, além de levar um pouco de alegria e vida a moradores de rua. A satisfação por estas ações será recíproca, pois é “doando que se recebe” (leia mais neste artigo).

Quando cobrar e quando tocar de graça II 4 - Tocando na rua

Um abraço e até a próxima!