Ser “músico de quarto” é condição, opção ou necessidade?

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Fala pessoal, tudo bem?

De vez em quando, o mundo da Guitarra é agitado por um “terremoto” que parece aquele que separou o grande continente Pangea e formou os atuais contornos que vemos hoje nos mapas.

Sem querer alongar demais, esse novo cataclismo foi o vazamento recente das conversas de um grupo fechado de WhatsApp formado por determinados músicos e pequenos fabricantes autodenominados “handmakers” que usavam métodos nada ortodoxos para prejudicar outros músicos e demais “handmakers” não participantes daquele grupo.

Ou seja, uma “treta” forte que sobrou para muita gente, principalmente alguns endorsees, ex-musicos SANTO ANGELO e até mesmo para a nossa marca, taxada como inferior, sendo que poucas empresas mundiais fabricantes de cabos tem a certificação internacional ISO 9001 e ISO 14001 como nós.

Portanto, não foi a primeira nem será a última vez que seremos atacados.

No entanto, em certos trechos dos áudios vazados, alguns endorsees foram chamados pejorativamente de “músicos de quarto” a despeito de toda contribuição que já deram (ou dão) ao universo da Guitarra.

Aí ficou difícil de segurar (e com razão) todos os fãs desses artistas que foram em socorro dos seus (e nossos) ídolos contra o “rótulo” utilizado por aquele grupo. Você faria o mesmo, certo?

Mas afinal, chamar um guitarrista” de “musico de quarto” é elogio, sinal de inveja ou mau caráter?

Para responder essa pergunta, vamos mostrar, mais do que com palavras, as ações que temos desenvolvido, ao longo desses anos aqui no blog, várias iniciativas em favor dos músicos que iniciaram e continuam iniciando as respectivas carreiras musicais em seus respectivos quartos.

Talvez o começo de tudo tenha sido a promoção “Quarto de Músico” lançada em 24/03/2014 que você pode conferir nesse post: 

Como sabemos que viver de música é difícil, mas possível, também fizemos vários posts com inúmeras dicas de como buscar alternativas, ascensão profissional e construção de uma carreira de sucesso, mesmo não sendo um Rockstar porque, como em toda profissão, existem riscos e desafios diários que devem ser superados com dedicação e foco.

Nosso mercado é composto por diversos profissionais: músicos, artistas, técnicos, produtores, fabricantes, empresários, profissionais liberais e até mesmo especialistas de produtos ligados às revistas especializadas.

Portanto, concorda comigo que muitos artistas (e demais profissionais do setor) famosos hoje em dia, começaram sendo “músicos de quarto”?

Claro que concorda, assim como milhares de seguidores (quase todos músicos de quartos) das redes sociais da SANTO ANGELO que todos os dias nos ajudam nessa batalha de construir e fomentar ainda mais esse mercado, por meio de comentários, sugestões, críticas e elogios.

Portanto, quando alguém ou determinado grupo de pessoas utiliza o termo “musico de quarto” de maneira pejorativa e preconceituosa, é nosso dever reafirmar nossa determinação com a opinião de quem nos acompanha e participa mais detalhadamente dessa missão.

Por isso, convidamos alguns dos nossos endorsees para apresentarem suas visões sobre o tema. Leia, a seguir, como eles pensam:

Ernani Júnior: O “músico de quarto” tem um papel muito importante para a Música. Imagine se todos os músicos ficassem na estrada o tempo todo, quem faria os vídeos review, quem daria aula?

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Então, cada um na sua importância, lembrando que dá pra ser músico, dar aula e sair na estrada, ainda mais hoje em dia com os recursos da internet.

Alexandre Magno: Para mim, “músico de quarto” é um músico que está correndo atrás do seu sonho da forma que ele consegue, naquele momento. Estamos na era da informação, do mundo digital, home offices, etc, certo? 

Grande parte de nós já passa uma enorme parte da vida no quarto estudando, logo por que não fazer disso uma forma de divulgação e trabalho em casa?

Geralmente muitos desses músicos tem até mais qualidades que apenas músicos de palco porque, devido a situação econômica atual, muitas vezes esses músicos de quarto acabam aprendendo sobre filmagem, gravação, edição de áudio e vídeo, marketing digital, redes sociais, dentre outras qualificações.

Lógico a experiência em palco, estúdio é única também e o ideal seria que todo mundo pudesse ter uma dosagem adequada de todas, mas sabemos que a vida não é tão fácil e simples assim.

Venho de uma cidade minúscula, e lá você não consegue tocar o que gosta, não tem recursos de gravações, não tem espaço, nem shows, praticamente nada.

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Você vai desistir do seu sonho por causa disso ou vai usar o maior palco de todos que é a internet a seu favor?

Lógico que nesse “palco” também existem os “sem noção” e “perdidos”, mas isso tem em todos os lugares da vida, não é mesmo?

Existem grandes artistas mundiais que começaram como “músicos de quarto” que são referências mundialmente, como por exemplo o guitarrista Rick Graham, talvez o maior nome que lembro nesse sentido.

Enfim, muita gente antiga, que infelizmente manteve a cabeça antiga, fala mal dos “músicos de quarto” e vice versa, mas no final, tudo é Música e deveria estar todo mundo junto.

Ricky Furlani: Músico de quarto” é o cara que só toca no quarto ué ( rsrs).

Grava vídeos com a cama aparecendo, ou o armário. Muito diferente de músico de estúdio, ou professor de música como confundiu o autor dos áudios vazados descrito no começo desse post.

Pois é… mas o termo “músico de quarto” é normal e inofensivo quando se aplica, como por exemplo, quando um adolescente, que está evoluindo na guitarra, passa horas no quarto estudando (quem nunca?), porém, nunca tocou ao vivo, ou tem pouca experiência ainda.

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Esse próprio iniciante se intitula, sem drama,  que ainda é um músico de quarto. No caso do áudio vazado, ele confundiu o termo não se aplica aos músicos Gustavo Guerra ou ao Ozielzinho porque são músicos experientes.

Me pareceu mais um momento de dor de cotovelo daquele autor do áudio.

Nenel Lucena: Músico é aquele que TRABALHA com Música, seja pra ganhar 100% de sua renda ou não.

E uma coisa muito legal da Música é que existem várias vertentes para se trabalhar. Por exemplo, um guitarrista pode ser: Sideman, acompanhando um artista, Guitarrista de Estúdio, apenas gravando artistas, pode ser Professor, pode também ser O ARTISTA com trabalhos solos com vocal ou instrumental.

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Enfim, são muitas opções. Alguns trabalham em duas ou três dessas áreas, outros conseguem trabalhar em todas elas, mas outros focam especificamente em apenas um desses segmentos.

Hoje em dia o mercado gira muito rápido e algumas novas áreas estão sempre aparecendo. A internet, atualmente, é das melhores ferramentas para muitos trabalhos! Por que não usar isso na Música?

Pois é, hoje temos mais uma área para podermos trabalhar com a Música: fazendo reviews de instrumentos, equipamentos em geral, dentre muitas outras coisas, mas acima de tudo, compartilhar informação. O Google e o Youtube pagam por isso, assim como os patrocinadores.

Muitos músicos se destacaram no mercado internacional por causa de seus trabalhos na internet, recebem e vivem disso.

“Todo trabalhador é digno de seu salário” isso é bíblico. Todo trabalho é digno se for feito com ética e caráter!

Então, músico que trabalha no metrô, numa escola, num palco grande, num palco pequeno, na rua, num quarto, num estúdio, de baixo da escada (risos) é simplesmente um músico, que deve SEMPRE ser respeitado!

Leandro Ramajo: Acho interessante esse tópico porque, em diversos casos não é tão simples poder viver da Música.

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Fatores como: localização, transporte, equipamentos e desconhecer as pessoas certas do segmento que te indiquem para trabalhos. Além de estar apto a realizar shows com as mais variadas abordagens musicais, acabam dificultando um pouco a vida de quem planeja viver da Música.

Não há como fugir de começar uma carreira dentro do quarto, mas uma das maiores questões que acho importante para o músico que vive da Música é buscar o conhecimento externo e não só o internato.

Quem toca precisa de público, além de poder trocar experiências não só pela internet. O músico precisa sair do quarto para ir em busca de novos horizontes.

Já fui músico de quarto dos meus 11 aos 13 anos e com certeza a melhor coisa que me aconteceu foi conhecer o mundo fora de casa. Enfim, viver a Música!

Israel Rodrigues: Pois então, “músico de quarto” são aqueles músicos que geralmente se dedicam mais as aulas, vídeos, gravações e até produções musicais.

Acho que o que diferencia esse tipo de músico dos demais é não se apresentar tanto em público com bandas ou acompanhar artistas como apoio.

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Meu pensamento é que cada vez mais o músico deve ser diversificado e ser, ora “músico de quarto”, ora um frontman, porque é importante do ponto de vista da evolução do mercado musical.

Alexandre Berni (Médico e Guitarrista): Todos os meus sonhos começaram dentro do quarto, seja na elaboração ou na execução dos meus projetos.

Na Música não foi diferente. Comecei há cerca de 30 anos sozinho dentro do quarto, passei para a garagem com amigos e depois, graças à evolução tecnológica, voltei a ser músico exclusivamente de quarto.

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Felizmente, hoje meu quarto já não tem mais minha cama, apenas equipamentos que também fizeram parte dos meus sonhos, tanto de origem nacional quanto importada. É de lá que também escrevi e escrevo meus posts para o blog da SANTO ANGELO.

Assim como na Medicina, os profissionais médicos podem escolher diversas áreas para atuarem sem sofrer qualquer desrespeito ou constrangimento, não é diferente do músico que pode escolher o quarto, a garagem, o bar, a Igreja, o palco, sideman e etc.

Em suma, tenho orgulho da área médica que escolhi e também tenho orgulho do local que escolhi ser músico. Em ambos procuro melhorar cada dia mais.

Bruno MelloO pessoal usa a expressão “musico de quarto” geralmente de forma pejorativa.

No conceito deles, um músico para poder ser músico de verdade, tem que sair de casa, tocar em pubs, gravar em estúdios, fazer turnê, estar na estrada.

Comparam ao guri que toca com a cama aparecendo no vídeo, o armário de fundo e tal, como o Rick Furlani escreveu anteriormente.

Hoje em dia com a internet, várias profissões viraram “home office”. O cara não precisa sair de casa para trabalhar, nem para ganhar dinheiro. A música é uma dessas profissões.

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Lógico que ainda temos todo o mercado “offline”, mas temos grandes guitarristas no Brasil e no mundo que estão construindo uma carreira sólida na internet.

O problema de ter o foco do seu trabalho na internet, é que o teu público fica muito espalhado. É muito difícil lotar um lugar se tiver fãs em todos os cantos do Brasil e do mundo, porque é impossível juntar esse pessoal em uma só cidade.

Portanto, o pessoal que trabalhou ou trabalha mais na internet, geralmente tem certa dificuldade em trabalhar fora dela.

Não é uma regra, mas acontece muito. Lembro até do Rick Graham (guitarrista “de quarto” britânico) que faz muito tempo que não sobe num palco, mas pratica todos os dias, dá aula todos os dias, grava vídeos, compõem e tudo o que envolve a profissão músico além da estrada e shows.

No entanto, alguns conseguem quebrar essa barreira e irem para estrada.

Como já deu para ver, o tal “músico de quarto” trabalha tanto quanto, ou até mais que o “músico de estrada”. E muitas vezes é até mais bem pago. Não é menos músico por trabalhar em casa.

A estrada tem seus pontos negativos. Perigo de sair de casa, acidente, colega de banda chato, dono de banda “carrascão” (nota do revisor: termo usado para determinar um vinho áspero, rascante), colocar equipamentos caros na rua, todos os perrengues de casa mal estruturada, contratante pilantra, evento mal divulgado, gente bêbada demais e sem falar em todos os custos que nem sempre o contratante está disposto a pagar.

Dessa forma, você pensa: o cara está em casa, ganhando bem com as aulas dele, só de olho nos gráficos, vendo o dinheiro chegar e planejando novas ações que não será preciso nem sair de casa para ser pago.

Vale mesmo a pena passar por todo stress? Tem gente que acha que não.

Mateus StarlingPor coincidência gravei um vídeo sobre o tema dessa discussão recentemente e acho que esgotei tudo o que penso sobre isso

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Quem quiser conferir: segue o link aqui.

Gostou dos depoimentos dos nossos parceiros ou prefere pensar do seu jeito? Está tudo bem, desde que haja respeito, chamar outro guitarrista pode ser tanto um elogio como uma opção de viver da Música, certo?

Se quiser contribuir, deixe sua opinião, críticas, dúvidas ou demais comentários aqui no blog ou no website da SANTO ANGELO, além de comentar nas nossas redes sociais, combinado?

Abraços e até a próxima.

Lygia Teles, é Relações Públicas e especialista em Gestão de Marketing pelo SENAC-SP. Desde janeiro/16 integra a equipe de Marketing e Comunicação da SANTO ANGELO.