SÓ PARA BAIXISTAS

Por Alexandre Berni

Olá pessoal! Aproveitando o tema do concurso cultural que a SANTO ANGELO está promovendo em outubro/13, resolvi escrever sobre este maravilhoso instrumento abordando seus tipos mais comuns e como realizar uma rápida regulagem.

O contrabaixo que conhecemos hoje em dia foi inventado no inicio dos anos 50 por Leo Fender, o criador da marca Fender de instrumentos musicais. Os contrabaixos usados até aquela data eram acústicos, sem trastes além de serem muito grandes, dificultando o transporte. Com isso, a aceitação dos músicos da época para a nova invenção de Leo Fender foi imediata. Os tipos atuais mais comuns de contrabaixos são:

Contrabaixo elétrico: Podem ter de quatro a oito cordas sendo que os modelos mais comerciais, geralmente possuem de quatro a cinco. Tambem podem utilizar captadores ativos e passivos.

Contrabaixo fretless: Apresentam a mesma característica do contrabaixo elétrico normal, porém não possuem trastes na escala. Alguns amantes deste modelo dizem que o timbre é um pouco ”chorado” e “melancólico”.

Contrabaixo acústico: Este é o baixo que observamos em apresentações orquestrais clássicas. Origina-se da família dos violinos, porém com proporções bem maiores, rico em harmônicos por causa da ressonância do corpo. Também não possuem trastes na escala. Ele é muito usado no Jazz também.

Baixolão: Quando olhamos de longe, ele se parece muito com um violão, entretanto, apresenta um corpo de proporções maiores. Os amantes deste modelo dizem que o timbre é mais “aveludado” do que o timbre do baixo elétrico tradicional. Pode ter ou não trastes na escala. Muito utilizado em shows “acústicos” que estiveram em evidência há alguns anos.

Baixo vertical: Também conhecido como “Upright bass” trata-se de um baixo elétrico com proporções do acústico, porém, sem a caixa de ressonância. Alguns modelos possuem um timbre bem próximo ao do acústico; outros têm a sonoridade de um fretless. Não possuem trastes no braço.

 

Uma vez que vocês já sabem sobre os vários tipos de baixo, vamos falar um pouco mais sobre captadores específicos para baixos. No entanto, não  explicarem como os captadores são feitos ou como funcionam, porque guardaremos este assunto para um outro post deste blog.

Como sabemos, os captadores são importantíssimos em qualquer instrumento de cordas. É importante sabermos que existem captadores ATIVOS e PASSIVOS sendo os ativos alimentados por uma bateria de 9 Volts acoplados a um  pré-amplificador apresentando um som mais alto, claro e brilhante e com muito menos ruídos que os passivos, principalmente devido ao aterramento do circuito.

A escolha do captador ideal tem a ver com as diferenças de gostos pessoais entre os músicos “tecnológicos”, que preferem os captadores ativos, e os “puristas” também conhecidos como “vintages” que preferem os captadores passivos.  O mais importante é respeitarmos qualquer uma destas opiniões, sempre lembrando que não existe um melhor que o outro, mas músicos de gostos diferentes. Talvez, neste caso, um fator a ser considerado é o quanto o nosso “bolso” poderá ajudar em nossa escolha.

Os modelos de captadores podem ser:

Humbucker: captador com duas ou mais bobinas interligadas ou não, sua principal característica sonora são os graves firmes e definidos além de pouco ruído.
Single Coil: Captador com apenas uma bobina, geralmente construído com núcleos magnéticos de Alnico ou Cerâmicos. Possui um destaque nos agudos e médios dependendo da engenharia da construção, mas possuem certo ruído que conhecemos como os famosos “HUM”.

Split Coil: Construído geralmente com duas bobinas (uma do lado da outra ou sobre a outra) Possui características sonoras similares do Single Coil, porém com menos ruído.

Depois desse breve resumo, vamos entrar no assunto que nos interessa, ou seja, como realizar uma regulagem simples em qualquer tipo dos baixos citados acima.

Eu classifico a regulagem dos instrumentos de cordas em duas formas:

Regulagem Simples: Trocar cordas, ajustar o tensor, regular as oitavas, ajustar ação de cordas na ponte e nut, altura dos captadores e carrinhos (saddles) e por último uma limpeza geral do instrumento.

Regulagem Completa: Trocar cordas, ajustar tensor, regular oitavas, ajustar ação de cordas na ponte e nut, altura dos captadores, retífica completa de trastes, limpeza da parte elétrica (para retirar ruídos e chiados dos potenciômetros, chave e jack), ajuste da altura dos carrinhos (saddles), limpeza geral com polimento e lubrificação do corpo, braço e hardware do contrabaixo.

A regulagem simples conta com o auxilio de produtos específicos e ferramentas de uso geral (Figura 1). Vale lembrar que ferramentas de boa qualidade são fundamentais neste processo porque, caso contrário, além de não conseguir o resultado desejado no ajuste, você ainda poderá danificar o instrumento musical.

Figura

Ajuste do tensor : Inicie o ajuste pressionando a primeira e a ultima casa do braço do baixo com o dedo, ou ainda, usando um capotraste em uma delas (Figura 2). O ideal é ter uma folga mínima na corda, entre as duas casas, de cerca de 1 mm (Figura 3). A corda não pode estar totalmente colada nos traste (causando trastejamento) e nem muito distante. Para “aliviar” o tensor e mover o braço no sentido da tensão das cordas, você deve girá-lo no sentido anti-horário com uma chave Allen. Para apertar o tensor e mover o braço no sentido contrario ao da tensão das cordas, você deverá girá-lo no sentido horário. Para evitar movimento excessivo da madeira, evite ajustes bruscos girando sempre ¼ de volta de cada vez (Figura 2a). Sempre mantenha o instrumento afinado durante esta regulagem do tensor, para que a tensão  exercida no braço do instrumento permaneça adequada.

Figura 2

 

Figura 2a
Figura 3

Ponte : Devemos ajustar a ponte conforme o nosso gosto, respeitando a curvatura da escala. Na regulagem de ponte usamos a chave Allen e sempre é feita por tentativas (apesar de existirem instrumentos e métodos para tal). É o famoso “Olhômetro”, método que sou adepto (Figura 4). Recomendo que toque algumas frases para sentir o braço e a “pegada”. No contrabaixo, devido ao calibre das cordas, nós regulamos a ponte de tal maneira que as cordas fiquem o mais próximo possível dos trastes, mas sem trastejamento excessivo. O ideal seria um leve trastejamento que escutamos ao tocar, mas que não seja audível através do amplificador.

Figura 4

Oitavas : Pra fazer o ajuste das oitavas, você deve usar um bom afinador. Toque a corda solta e presa na 12ª casa, devendo estar afinadas na mesma nota. Se na 12ª casa estiver com a afinação mais alta que a corda solta, você deverá apertar o parafuso do carrinho (Saddle), se estiver mais baixa, você deverá “aliviar” o parafuso (Figura 5).

Figura 5

Altura dos captadores : O captador da ponte deve ficar um pouco mais alto que o captador do braço. Geralmente deixamos o polo do captador que recebe a vibração da corda Sol um pouco mais elevado. O importante é ouvir os volumes que apresentam as cordas, pois, conforme o caso, distanciaremos ou aproximaremos os captadores para equilíbrio do som. Os manuais de regulagem sempre aconselham a deixar com 4 mm a altura dos captadores, entretanto já ouvi resultados ótimos com mais e também com menos. A altura ideal será determinada pelo seu gosto pessoal (Figura 6).

Figura 6

Limpeza : A limpeza, na regulagem simples, consiste em usarmos algum produto a base de extrato de limão, que infelizmente existem poucas marcas sendo comercializadas no Brasil. É o ideal para as escalas escuras (tipo Rosewood)  porque além do perfume característico, também hidrata e não fica engordurada como as soluções caseiras com óleos de cozinha ou azeites com suco de limão ( Figura 7: direita). Nas escalas claras envernizadas pode ser usado o mesmo produto utilizado para limpar o corpo do instrumento. Muitos usam palha de aço para limpar os trates e lhes devolver o brilho. Eu também já usei muito, mas hoje em dia utilizo uma esponja (Figura 7: esquerda) abrasiva com ótimos resultados sem o resíduo ingrato que a palha de aço deixa no instrumento e no ambiente. E por último, uso uma flanela ou algodão embebidos em produtos encontrados nas lojas de instrumentos musicais (Figura 8). Por ultimo, utilize flanela ou algodão seco para tirar o excesso.

Figura 7
Figura 8

Espero ter incentivado a você baixista, iniciante ou não, a entender mais sobre o seu instrumento além de escalas, campo harmônico e tudo mais que também é muito importante.

Um grande abraço e boa sorte neste concurso,
Doutor Santo Angelo.