Transposição de partitura e a importância para os músicos

2016-07-01 - FB

Olá pessoal, como vão todos?

Sabe quando você ouve um solo, não importa de qual instrumento, e sai dedilhando ele no ar? Ou quando você vê um saxofonista de Jazz tocando belissimamente e imagina como seria tocar aquilo no violão? Até quando você está prestigiando uma orquestra de câmara executando Paganini e pensa “isso seria legal na guitarra”?

Pois é, essa percepção e vontade de levar algo de um instrumento para outro recebe o nome de transposição.

Meu nome é Ricardo Giuffrida e é com muito prazer que faço minha estreia aqui no blog da SANTO ANGELO, compartilhando bons conhecimentos. Espero que possam também compartilhar o que aprenderem aqui com seus amigos.

Ao final do post, têm vídeo e partituras para baixar, ok?

Vendo algumas dificuldades de iniciantes (ou mesmo de gente com mais vivência) resolvi falar mais sobre a Partitura, ao invés da TAB e da CIFRA, que pode até parecer um bicho de sete cabeças para alguns. Garanto para vocês que não é.

A leitura de Partituras é uma das habilidades primordiais de qualquer músico e é pouco valorizada pela maioria dos guitarristas. De maneira geral, a leitura e escrita de Partituras permite a comunicação musical adequada entre qualquer instrumentista, além de ser uma forma precisa de registrarmos nossas composições e ideias musicais.

Nesse post, identificando essa dificuldade, vamos estudar um ponto básico da leitura de Partituras: as claves de Sol, Fá e Dó.

Inicialmente cobriremos alguns pontos básicos da leitura.

Para que serve uma Partitura?

De maneira objetiva, a Partitura consiste em uma representação gráfica de qual(is) nota(s) tocaremos e qual a duração de cada uma. A seguir veremos alguns conceitos básicos:

  1. PENTAGRAMA

O Pentagrama é um sistema de notação de cinco linhas e quatro espaços, no qual as notas musicais e as pausas são representadas graficamente.

Figura 1 – linhas do Pentagrama

pentagrama linhas

Figura 2 – espaços do Pentagrama

pentagrama espacos

Além disso, sobre e sob o Pentagrama ainda temos os espaços e linhas suplementares superiores e inferiores:

Figura 3 – Espaços e linhas suplementares superiores e inferiores

pentagrama suplementares

Cada linha e cada espaço do Pentagrama representam uma nota. A sua duração é determinada pela figura do tempo. Para determinar qual nota cada linha ou espaço vão representar, utiliza-se a clave.

  1. CLAVE

A Clave é uma representação gráfica que define uma nota de referência no Pentagrama.

  1. Clave de Sol: determina que a nota Sol estará localizada na segunda linha do pentagrama.

Figura 4 – Clave de Sol

clave de sol

  1. Clave de Dó: A posição da Clave no Pentagrama determina que a nota estará na terceira linha.

Figura 5 – Clave de Dó

clave de do 1

  1. Clave de Fá: Determina que a nota poderá estar na quarta linha.

Figura 6 – Clave de Fá

clave de fa

Na próxima figura, podemos ver que a mesma nota pode ser representada em posições diferentes de acordo com a clave utilizada.

Figura 7 – Nota Dó nas claves de Sol, Fá e Dó.

 Nota C clave de Sol

Nota C clave de Fa

Nota C clave de Do

Um adendo: na Música Erudita, todas essas Claves podem mudar de posição, mas para não alongarmos essa introdução, certamente aprofundaremos mais detalhes em um post futuro.

  1. NOTAÇÕES EM DIVERSOS INSTRUMENTOS:

A utilização prática das Claves facilita a leitura concentrando a tessitura do instrumento na parte central da Partitura. Para entendermos melhor o uso das Claves, observe a figura abaixo.

Figura 8 – Teclado do piano

teclado piano

O Piano pode ser usado como a referência de maior tessitura de notas, englobando a extensão de notas da maioria dos instrumentos. A clássica figura a seguir, mostra a tessitura de vários instrumentos.

Figura 9 – Teclado do piano e outros instrumentos

Instruments chart

Pela sua grande extensão o piano costuma ser notado com uma clave de Sol sobre uma clave de Fá.

Figura 10 – Clave de Sol e Fá no Piano

clave de sol e fa - piano

Observe a extensão possível de notas e como elas são representadas graficamente.

Figura 11 – Tessitura do piano e frequências aproximadas

tessitura piano part

Dependendo do instrumento, utilizamos uma clave diferente para facilitar a leitura. Observe a tessitura de diversos instrumentos nas suas Claves mais utilizadas.

Figura 12 – Violino

tessitura violino

Figura 13 – Viola (instrumento de orquestra)

tessitura viola

 

Figura 14 – Violoncelo

tessitura violoncelo

Alguns instrumentos utilizam a Clave oitavada, ou seja, a nota produzida soará uma oitava abaixo da nota escrita. É o caso do Contrabaixo:

Figura 15 – Tessitura do contrabaixo (4 cordas)

tessitura baixo

E finalmente do Violão e Guitarra:

Figura 16 – Tessitura do Violão e Guitarra

tessitura violao

  1. TRANSPOSIÇÃO ENTRE CLAVES

Agora, suponha que você, guitarrista, queira fazer uma transcrição de um Capricho de Paganini ou de uma Suíte de Violoncelo de Bach. Para isso deve ter como referência as Claves utilizadas nesses instrumentos. No caso do Violino, é mais fácil, pois utiliza a mesma Clave de Sol. No caso do Violoncelo é utilizada a Clave de Fá.

Agora vamos ver alguns exemplos transcritos de outros instrumentos para a Guitarra ou Violão.

A figura 15, mostra o início do “Capricho 24” de Nicolo Paganini, para Violino. Aliás, se quiser saber mais sobre esse gênio do século XVIII é só clicar aqui.

capricho 24

A seguir, vamos fazer uma adaptação para Violão (ou Guitarra). Observe que a Partitura fica igual, porém o som produzido será uma oitava abaixo do violino.

Figura 16 – “Capricho 24” – Transcrição para guitarra.

Capricho 24 guitarra

A próxima figura mostra o trecho inicial do “Prelúdio da Suíte BWV 1007” de Johann Sebastian Bach para Violoncelo. Observe que para esse instrumento utilizamos a clave de Fá.

Figura 17 – Prelúdio – Suíte no. 1 para Violoncelo BWV 1007 (J.S. Bach)

Bach Cello suite 1

Se o adaptarmos para o Violão (ou Guitarra), utilizaremos a clave de Sol (lembre-se que a Clave de Sol do Violão é oitavada).

Bach Cello suite 1 Guitar

Agora que já sabe os fundamentos, quer arriscar transcrever alguma música? É um exercício e tanto de vocabulário musical, treino de teoria e melhora na sua capacidade criativa, afinal, você está absorvendo conhecimento de outras fontes. Meu conselho:

Não tenha preconceitos e adicione estilos, nunca subtraia.

Para não te deixar com gosto de aula incompleta, confira o vídeo que preparei para essa aula teórica e as partituras do que toquei, para você treinar sua leitura e agregar ao cérebro:

Partitura – BWV 1007 – Preludio (Bach)

Partitura – Sonata K.1 (Scarlatti)

Partitura – Sonata K.149 (Scarlatti)

É isso pessoal, a partir desses conhecimentos, pratique tanto a leitura na Guitarra, quanto a transcrição de outros instrumentos. O seu ganho musical será incrível!

Como sempre acontece no blog SANTO ANGELO, fico ao dispor de vocês para esclarecer dúvidas e receber sugestões e ideias, compartilhando experiência e conhecimento.

Até breve.

Ricardo Giuffrida é Violonista e compositor, colunista da Revista Guitar Player Brasil. Um dos expoentes do violão brasileiro, com apresentações nos EUA e Europa, atua como concertista e tem vasta experiência na área didática, com inúmeras publicações musicais.