Música Brasileira e o som da Guitarra combinam?

Olá querido leitor ou leitora, tudo tranquilo com você?

Por aqui não ficou nada tranquilo desde a última semana, quando o blog SANTO ANGELO foi tirado do ar por causa de um vírus desconhecido até mesmo pela Locaweb, que hospeda também o nosso site.

Ou seja, ambos ficaram inacessíveis por 5 dias, causando-me um desconforto muito grande porque desde que a empresa inaugurou essa forma de se comunicar com você e a imensa galera que nos segue, sempre postei sem problemas minhas pesquisas sobre carreira e mercado musical, além de muitas entrevistas com nossos artistas sobre temas que afetam o dia a dia de um típico músico brasileiro.

Aliás, a palavra certa para esse sentimento é tristeza. Como pode alguém querer derrubar um trabalho que ajuda tantas pessoas, sem cobrar um centavo que seja a não ser a firme disposição de querer Viver da Música?

Ou será que existem pessoas que não gostam do som da guitarra e fazem de tudo para prejudicar quem trabalha para que existam cada vez mais guitarristas em nosso país, independente do gênero, idade ou crenças religiosas?

Exagero? Pois saiba que um dia as pessoas realizaram uma manifestação contra a guitarra elétrica no Brasil.

Com o slogan “Defender o que é nosso”, a “Passeata da MPB”, que ficou conhecida como a “Passeata contra a guitarra elétrica”, aconteceu em 17 de julho de 1967, em São Paulo, saindo do Largo São Francisco e desembocando diretamente no Teatro Paramount, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, onde ocorreria o programa Frente Ampla da MPB.

Liderada por Elis Regina, mais as presenças de Jair Rodrigues, Zé Keti, Geraldo Vandré, Edu Lobo, MPB-4, e até Gilberto Gil, essa passeata colocava em confronto dois tendências, uma conservadora e outra renovadora.

Na intenção de defender a Cultura Brasileira, autonomia, soberania cultural e proteger a música nacional da invasão estadunidense, muitos artistas encaravam a guitarra como símbolo do imperialismo americano, e por isso precisava ser barrada. A música brasileira não podia ser invadida.

Clique nesse link e aprenda um pouco mais sobre os interesses por detrás dessa passeata que foram devidamente registrados pela Rádio Senado.

E isso é história, querido leitor ou leitora: o baiano Gilberto Gil, que como citei acima, havia participado do movimento contra as guitarras, foi o grande responsável pela aceitação da guitarra elétrica na Musica Popular Brasileira tempos depois.

Mas muito tempo antes disso, conforme contamos nesse post de 2014 outros baianos (Dodô e Osmar, sobre quem falarei logo mais) estavam “causando” na tentativa de buscar um novo instrumento musical para suas apresentações durante o Carnaval, que mais tarde desaguaria num revolucionário modelo que você confere na foto que abre esse post.

Você sabe quem são os GBistas? Sabe o que é Gbesar? E a Tellequinha, conhece? Vixii, tá achando que estou falando grego?

Calma, esse é nada mais nada menos do que o linguajar usado pelos aficionados na Guitarra Baiana.

Ah, e saiba que para eles a guitarra convencional, que provavelmente você toca, é mais conhecida com ‘guitarrona’, ok?

É, caro leitor, esse enorme continente chamado Brasil pode nos surpreender a qualquer momento. Mais vamos entender um pouco sobre isso.

Linguagem e estilo próprios, a guitarra baiana tem seus contornos muito próprios, que pode até soar pouco íntimos para os adeptos da ‘guitarrona’, ops, da guitarra convencional.

A GB (veja que já estou intima do instrumento) como é muitas vezes mencionada, assim, simplesmente pela sigla, acabou se transformando em um grande trunfo da Música Brasileira, uma contribuinte sem a qual o Carnaval provavelmente não teria abraçado o som gerado a partir da eletricidade.

Os luthiers especializados em construir GBs desenvolvem projetos característicos e singulares e, por isso, quem se interessa pelo instrumento pode encontra-los nos mais variados tipos.

A guitarra baiana original tem quatro cordas, mas, há quem construa modelos com cinco.  Os modelos levam nomes que os adeptos da ‘guitarrona’ rapidamente podem fazer a relação, como Mandotelle e Telleca.

Assim, a Guitarra Baiana, que lembra a guitarra elétrica convencional, pode ser considerada uma construção muito mais atual em relação ao passado seminal do instrumento.

A sua criação remete a um parentesco próximo ao Bandolim e ao Cavaquinho, tanto que no início era chamada de Cavaquinho Elétrico e, mais tarde, Pau Elétrico. Ou seja, a GB foi o resultado das tentativas de eletrificar esses dois instrumentos.

Longe de ser uma imitação ou um protótipo da guitarra, o surgimento da GB remete aos anos 1940 no Brasil, onde tudo indica que evoluiu paralelamente aos esforços que também vinham sendo feitos pelos construtores de guitarras nos Estados Unidos, como Les Paul e Leo Fender.

Na Física Quântica poderia dizer-se que eram ideias semelhantes coexistindo em vários lugares ao mesmo tempo.

Mas, enfim, hoje em dia, a GB é fabricada lembrando a uma guitarra elétrica em miniatura, bem semelhante aos Bandolims do tipo Mandocaster norte-americanos, muitas vezes baseado no modelo Stratocaster, com Cutaways e avalanca de Trêmolo ou Whammy Bar.

A GB legitima nasceu pelas mãos dos baianos: Osmar Álvares Macedo e Adolfo Nascimento, o Dodô, por volta de 1942 e, o fato de que a GB surgiu tão distante dos Estados Unidos, que foi o centro da eletrificação geral de tudo à época, adicionou um carisma singular ao nosso instrumento.

A dupla, mais conhecida como Dodô e Osmar, definitivamente entrou para o rol dos nomes mais influentes na Música Popular Brasileira não só inventando o Pau Elétrico como também o Trio Elétrico, hoje, elemento absolutamente indispensável para o Carnaval e também nas Micaretas.

O Trio Elétrico, que hoje é composto por uma banda inteira e seus cantores, nasceu mesmo sob o nome de Dupla Elétrica. Eram Dodô e Osmar em cima de uma caminhonete cantando e tocando. Com o tempo outro integrante se juntou aos dois e Dodô construiu um novo instrumento elétrico para ele, o Triolim.

Assim surgiu o grupo musical “Trio Elétrico”, que simbolizava os três músicos e os três instrumentos elétricos.  Aquele que era apenas o nome do grupo musical passou a ser reconhecido mais tarde como o carro que arrasta as multidões atrás de canções de todo o tipo em época de Carnaval.

A história da GB e tudo que a cerca é uma espécie de resposta para quem acha que Guitarra e Musica Brasileira não têm nada a ver!

Em 2014, o experimento da dupla de baianos completou 71 anos sendo que no ano passado, a história da Guitarra Baiana foi tema do Carnaval de Salvador.  Hoje, o bastião da GB é Armandinho, filho de Osmar.

Com suas quatro cordas originais, a GB é afinada como o Bandolim ou o Violino – Sol, Ré, Lá e Mi (do grave para o agudo) usando, por exemplo, um dos afinadores SANTO ANGELO. Armandinho, sentindo necessidade de obter um som mais grave, adicionou ao instrumento uma quinta corda, afinada em .

Na década de 1990, o luthier sergipano Elifas Santana, responsável pela criação das guitarras baianas de Armandinho e de Luiz Caldas, adaptou um sistema de ponte flutuante (Floyd Rose) nestes instrumentos. Confira Elifas e a GB que esse verdadeiro artífice fez para o Roberto Torao nesse link.

Mesmo a guitarra convencional é elemento de presença fundamental e marcante no Carnaval da Bahia. Quer tirar a prova dos nove: escute com um pouco de atenção bandas como Chiclete com Banana e Asa de Águia e você verá que a danada de seis cordas está lá a todo vapor.

Empunhada com orgulho pelos músicos de Axé, a Guitarra foi objeto de discórdia quando um grupo baiano, em 2011, foi alvo de acusações de ter plagiado um riff de uma das músicas da banda de Heavy Metal Angra!

E por falar em artistas apaixonados pelo ritmo da Guitarra Baiana confiram o trabalho do guitarrista, Alexandre Machado em mais uma vídeo aula no canal YouTube da SANTO ANGELO com o  tema: “Novos Carnavais”.

Outro artista SANTO ANGELO, que com muito orgulho nos ajudou a desenvolver um cabo especialmente para as GB’s, é o Jonathan Raphael, cujo talento você confere nesse outro post do blog

Enfim, tem vontade de experimentar uma GB? Conta pra gente se já passou por essa experiência aqui no blog ou nas redes sociais da SANTO ANGELO.

Abraços e até a próxima!

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Lygia Teles, é Relações Públicas e pós-graduanda em Gestão de Marketing pelo SENAC-SP. Desde janeiro/16 integra a equipe de Marketing e Comunicação da SANTO ANGELO.

5 comentários em “Música Brasileira e o som da Guitarra combinam?

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