Interprete o texto, interprete a vida

por Dan Hisa

Nos últimos debates entre os presidenciáveis, ouvimos muito a expressão “tudo é questão de interpretação” ou “interprete como quiser” para esclarecer números e estatísticas, boas e ruins. Certamente, além de ouvir, você ainda deve ter sido cobrado a “entender as coisas direito” tanto na vida estudantil, como na corporativa ou mesmo nas relações pessoais.

Desta forma, entendemos que cada frase (note que não estou falando somente de um artigo de revista ou um livro) que lemos ou cada discurso que ouvimos, merece e deve ser bem interpretada, levando em consideração nossas experiências de vida e conhecimentos previamente adquiridos. Não nos enquadremos no conceito da UNESCO de analfabetos funcionais, que sabem ler, escrever e fazer contas, mas não conseguem interpretar nada disso, e de acordo com o INAF, totalizam cerca de 75% da população do país (clique aqui para ler um pouco mais sobre o assunto). Alarmante, não é?


Imaginemos uma história na escola que talvez você até tenha vivido.

Nas provas sempre se via nas questões o corriqueiro pedido “interprete o texto”, seguido normalmente de um complicado parágrafo e várias ideias no decorrer de um monte de palavras que muitas vezes não faziam o menor sentido para nossas cabeças. A hercúlea missão era extrair o fundo do pensamento autoral que fora escrito, sintetizar e responder à professora. Ganhávamos (ou perdíamos outras tantas vezes) nota com a resposta. No meu caso, eu entendia que isso era apenas uma forma de sair da escola, passar de ano, e poucos (os que considerávamos CDF´s e NERD´s) conseguiam, desde muito cedo, realizar essa tarefa com perfeição.

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Enquanto a escola nos exigia entender matérias desse tipo, a gente “escapava” investindo nosso tempo em tirar e tocar as músicas que embalavam nossa adolescência (e nos fazia ter mais vontade de montar uma banda e sair tocando o coração das pessoas com nossa música). As letras que mais nos atraiam eram aquelas com refrões fortes, mesmo não entendendo bulhufas do que as mesmas tratavam. Letras difíceis nos tiravam o T.., históricas então, nos afastavam do fone de ouvido. Mas quando o “chorus” era repetitivo e com energia, éramos levados ao êxtase.

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Chegamos ao último ano letivo e fomos nos preparar para o vestibular. Novamente, as questões nos cobravam a leitura atenciosa e a extração de ideias de um texto ainda mais complicado. Um trecho de uma grande música nacional apareceu e entramos em desespero, não sabíamos sobre o que ela falava, pois não era o estilo que gostávamos de ouvir. Erramos a questão, mas conseguimos entrar na faculdade.

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Continuamos nossa ascensão acadêmica, sendo agora, mais do que nunca, cobrados a interpretar dezenas, centenas de textos dificílimos, sobre temas específicos de nossa formação. A banda, que fora montada no final do ensino médio, até agora não decolara e não sabíamos porque as letras das canções, mesmo rimadas com “amar”, “procurar”, “abraçar” e “levar” não conseguiam agradar. Focamos e finalizamos nossa formação.

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Procuramos um emprego e conseguimos. A banda tornou-se um hobby e não nos livramos em momento nenhum de interpretar os textos e dados passados por nosso chefe, ou informações advindas do mercado que trabalhamos. “Agora a falha não nos custaria apenas uma boa nota, mas sim o reconhecimento e a continuidade de nosso emprego naquela empresa de ponta.

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Conto essa história fictícia (será?) para mostrar que interpretar tudo que está a sua volta é muito mais importante do que pensamos e o quanto isso nos faz evoluir como seres inteligentes. Ao forçarmos mais nosso lado analítico, conseguimos externalizar melhor nossas ideias, sejam elas em relatórios gerenciais, em  músicas, em textos, nas redes sociais ou mesmo em momentos de um papo descontraído com os amigos. Aliás, como é triste ler alguns comentários mal escritos, com verbos nos tempos errados, péssima ortografia, sem pontuação, enfim “sem pé nem cabeça” que grassam no Facebook, não é mesmo?

Alguns podem até me perguntar “para que tudo isso?”

No próximo post, darei algumas dicas para interpretação de textos e em seguida, como compor uma boa redação e, quem sabe, até uma letra de música que fará todo mundo se lembrar de você.

Enquanto isso, propomos um exercício sobre a música “Depende de nós” do Ivan Lins. Clique aqui e faça essa lição de casa.

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Leia também o post que começou a série: O produtor gravou o músico em seu estúdio.

E se quiser continuar sua leitura, recomendamos o post 17 passos para desvendar os mistérios de um texto e 8 passos para se tornar um bom redator e, consequentemente, um bom letrista.

Até a próxima.