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Nosso muito obrigado à musicalidade negra.

Por Dan Hisa

Deixar passar uma data tão importante como o Dia da Consciência Negra, sem nos lembrarmos das contribuições da Cultura Africana na Música Brasileira é algo que não poderíamos esquecer.

Esse 20 de novembro carrega a luta contra o preconceito racial e por mais respeito e igualdade que vem desde muito antes de sua instituição oficial, em 2011. Esse dia ficou marcado pela morte de Zumbi dos Palmares, símbolo de resistência negra à escravidão, em 1695 (se quiser ler mais, clique aqui).

Musicalmente falando, temos muito a agradecer à influência negra, que tornou o povo brasileiro um dos mais (se não o mais) apto e adaptável à Música Africana, devido ao sentimento e ao balanço que o povo africano, de várias tribos e etnias, sempre teve e que acabou chegando, infelizmente através da escravidão, nas fazendas e cidades do Brasil Colônia e Imperial.

Não existe outra via para a solidariedade humana senão a procura e o respeito da dignidade individual.
– Pierre Lecomte Du Nouy

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Ritmos foram criados e a Música foi se modificando graças a essa influência afro-brasileira. E dela surgiram os ritmos que mais nos destacam lá fora e gera aquela ponta de inveja devido a nossa musicalidade nata.

Um deles, é o Samba (que deixa os roqueiros loucos). Originário da Congada (estilo musical do Congo, país africano), que é música voltada para celebrações de coroação, teve no Brasil uma sobrevida como forma de manter a cultura africana viva, mesmo distante da terra natal. O samba que escutamos hoje é mais recente, datado do final da década de 1920, com formato de “carnaval” (que também foi uma das influências da MPB), muito alegre e festeiro.

Outro ritmo que permeia as entranha culturais e musicais brasileiras é o Maracatu, nome nascido para denominar um ajuntamento de negros de forma pejorativa durante as festividades para os Reis do Congo. Muito voltado para festas religiosas e em festejos diante das igrejas, mas poucas vezes aparecendo em festas cívicas.

O Maracatu original gerou duas vertentes: Nação e Rural. O primeiro, mais antigo e bem tradicional que continuou sem muitas modificações enquanto o segundo é uma mistura de folguedos do interior de Pernambuco. Nos posts sobre Criatividade, já explicamos quanto a Música é um organismo vivo sempre em evolução.

Por fim, o Afoxé, estilo mais religioso que os anteriores, é mais próximo do Candomblé (até cantados as vezes na língua Nagô). Foi dele que surgiu o nome “Axé” que era a felicidade que os Afoxés levavam para todas as festividades, apesar de, na maioria das vezes, serem grupos fechados.

Os 3 estilos são prioritariamente percussivos e utilizam a expressão corporal como um recurso a mais. E é claro que a história da chegada dessa influência no Brasil é muito mais extensa e bonita (com seus episódios de ódio que deram mais força aos movimentos). Procure saber mais, para sua formação musical e depois nos conte o que achou. Clique aqui para conhecer nossa recomendação de leitura bem legal.

Vocês também podem estar se perguntando: “e o Blues?”.

Sim, esse estilo influenciou muito a Música Brasileira também, mas lembre-se que ele é um estilo afro-americano (que coisa, não é?) que tem de certa forma, raízes muito próximas aos nossos estilos, porém, com composições prioritariamente mais sofridas do que comemoradas.

Ah, mas os músicos negros brasileiros só tocavam esses estilos?”.

Outro erro, pois temos o exemplo de Henrique Alves Mesquita, músico erudito e professor do Conservatório Imperial na segunda metade do século XIX. Recolhia toda a influência da Música de rua (inclusive Samba, Afoxé e Maracatu) para incorporar em composições clássicas. Concordam que era muito criativo e inovador para a época? Pode-se dizer que suas obras foram o estopim para o Choro, que se originou, posteriormente, no Rio de Janeiro. Essa mistura que ainda faz nossa Música tão rica.

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Mas nos últimos tempos, essas raízes tem se perdido. Por mais que tenhamos o balanço e o swing que poucos no mundo têm, estamos sacrificando essa influência tão positiva para fazer “mais do mesmo”. Pesquisem, revivam esses estilos que temos certeza que seu vocabulário musical evoluirá.

E claro, parabenizamos o povo negro e seus descendentes por esse dia de vitória e que tanto nos ensinou.

Curtiu a matéria? Deixe seu elogio, comentário ou crítica, para que possamos aprender mais, sempre juntos.

Até a próxima.