Entendendo os pré-amplificadores

Links pré-amps 27-07-15

Por Sound Cara

Olá pessoal, sou o Rafael Cerqueira e estou de volta para continuar a série de posts sobre áudio profissional olhando hoje, mais de perto, o mundo dos pré-amplificadores, ou, como são conhecidos para os mais íntimos, “os pré-amps”. Além dos artigos aqui no blog SANTO ANGELO, você também vai encontrar outros temas que desenvolvo no meu canal.

O que são pré-amps? Para que servem? Eu preciso de um?

Os pré-amps são utilizados em praticamente todos os cenários possíveis onde se trabalhe com áudio, tanto ao vivo quanto em estúdio, embora nem sempre sejam notados.

Caso você já conheça esse tema e queira saber, logo de cara, qual o melhor pré-amp disponível no mercado, deixo logo bem claro: não existe um modelo melhor e nem um pior (ok, talvez exista pior, rs), alguns podem te dar um som mais próximo do que deseja, outros, algo mais distante, mas nem por isso descartável. Neste caso, a escolha de qual pré-amp utilizar vai depender obviamente do som que você quer obter. Assim, vamos entender um pouco melhor sobre esses equipamentos.

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O sinal de um microfone é, na maioria das vezes, muito fraco para ser trabalhado por equipamentos de áudio, como o circuito de equalização de uma mesa de som, efeitos externos, e até para somar aos outros sinais presentes, na mixagem, tanto para gravação como para ao vivo (live).

O pré-amp é justamente o equipamento que reforça o sinal de um microfone para que possa estar em um nível desejado para ser trabalhado pelos equipamentos supracitados, subindo-o de um sinal “sem força” de microfone para um sinal de linha, que é o nível de sinal que transita entre todos os equipamentos de áudio (mesa de som, periféricos, etc.), exceto amplificadores.

Você pode estar pensando: “mas eu sempre uso o microfone ligado direto na minha mesa de som e ele funciona normalmente sem precisar de um pré-amp”.

Muita gente não percebe, mas tanto mesas de som quanto placas ou interfaces de áudio, já contam com um pré-amp interno que você acaba “manuseando” quando está ajustando o ganho. Assim, existem pré-amps que vêm “embutidos” no seu equipamento, chamados de pré-amps internos, além das unidades externas que podem ser adquiridas separadamente de mesas de som ou placas de áudio.

Pré-amps - mesa de som

 

Alguns pré-amps também ajudam muito com o recurso chamado “Phantom Power” ou “+48v”, que serve para alimentar o funcionamento dos microfones condensadores, como já conversamos em um post anterior (clique aqui se você não lembra). No entanto, ao ver o que um pré-amp faz, você pode ficar pensando:

“Por que gastar dinheiro com um pré-amp ‘bom’ se um pré-amp barato faz a mesma coisa?”

Um detalhe muito importante é que muitos pré-amps não se limitam a mudar o nível de sinal, mas também começam a dar uma personalidade ao som e aí tudo começa a entrar na questão do gosto. Como sabemos, não existe um certo ou errado.

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Muitos estúdios profissionais trabalham com pré-amps que chegam a preços exorbitantes, enquanto pequenos home studios acabam ficando com os que cabem no orçamento. Um pré-amp da Rupert Neve Designs chamado de 5052 Dual Rack (figura acima), por exemplo, chega a custar mais de U$ 5.000,00 (isso mesmo, quase 20 mil reais) e só vai servir para dois canais, enquanto você pode trabalhar com um pré-amp da Presonus chamado de Digimax D8, que custa em torno de U$ 400,00 (ou R$ 1.600,00) e serve para oito canais (figura abaixo).

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Dou esses exemplos para mostrar a variedade enorme de tipos, preços e qualidades diferentes. Uma peculiaridade a se pensar é o porquê enquanto alguns pré-amps são “neutros” e só fazem realmente amplificar o sinal, outros pré-amps vão além e dão uma “cor” especial ou uma personalidade diferente ao som.

E como saber qual o pré-amp certo para mim?

Essa pergunta na verdade tem mais que uma resposta correta. Você provavelmente precisará de pré-amps diferentes para situações e estilos musicais diferentes. Se tiver a intenção de levar isso a sério e abraçar a profissão de técnico ou engenheiro de som, sugiro que comece com um pré-amp que caiba no seu orçamento e, na medida do possível, vá testando outros pré-amps e se acostumando com o som deles. Tudo é uma questão de teste e gosto pessoal. Ao longo do tempo, acabamos nos acostumando com o tipo de som que um microfone específico traz ao ser ligado em um pré-amp específico.

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No momento da escolha do seu pré-amp, existem alguns fatores que podem ajudar um pouco na escolha, como:

1 – Tube (valvulado) ou Solid State:

Dependendo do estilo de música com o qual você irá trabalhar e o que estará microfonando (voz, guitarra, violão, bateria, etc.), pode-se escolher entre um pré-amp valvulado ou não. Se você está começando e não sabe ao certo, talvez seja uma boa ideia pegar um pré-amp híbrido que pode funcionar das duas formas. A maioria dos estúdios de grande porte oferece as duas opções para seus clientes.

2 – Rackmount, Desktop, ou 500 Series:

Apesar de não parecer ser tão importante (talvez por não afetar muito o som, e sim a funcionalidade e o visual), é muito importante descobrir qual estilo de pré-amp você deseja. Às vezes, o mesmo pré-amp é desenvolvido em vários “formatos” diferentes para se adaptar melhor ao usuário.

O estilo “Rackmount” é o estilo de pré-amp para ser colocado em um rack de periféricos de tamanho padrão. O estilo Desktop é aquele pré-amp isolado que você pode colocar em qualquer canto em cima de uma mesa ou até no chão. O estilo 500 series é um estilo um pouco diferente que cabe em um tipo de rack menor que pode ser mais portátil. Essa escolha é muito importante, pois influencia diretamente na sua dinâmica de trabalho.

3 – Quantidade de canais:

Esse fator também é muito importante na escolha do seu pré-amp. Existem pré-amps de um canal (chamados single channel), de dois canais (chamados dual channel) ou de mais canais (chamados multichannel).

Os pré-amps de um canal provavelmente te darão um som mais específico, com mais personalidade, enquanto os pré-amps de dois canais são mais recomendados se você usar técnicas de microfonação em estéreo. Os pré-amps de vários canais acabam te ajudando a economizar espaço e geralmente vão te dar uma resposta melhor no custo x benefício por permitirem gravar um kit de bateria completo, por exemplo. Os multichannel também são muito recomendados para quem faz gravações remotas, precisando gravar muitos canais de forma portátil e rápida.

Espero que de alguma forma este texto tenha sido útil! Quaisquer dúvidas ou comentários, deixe um comentário aqui no post ou me mande uma mensagem pela página no Facebook do Sound Cara.

Um grande abraço e até a próxima!