O papel do rádio na expansão da Música

por Isis Mastromano Correia

No Instagram e na fanpage da SANTO ANGELO no Facebook continuamos contando um pouco da saga dos grandes nomes da Música do passado, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, ou seja, as raízes da Música Contemporânea. Não por acaso, esse têm sido nosso assunto da vez justamente por acharmos que quem deveria falar disso simplesmente tem aberto mão de suas responsabilidades para compartilhar bobagens que, de vez em quando têm lá sua graça, é verdade, mas, à exaustão, não levam o Músico a lugar algum. 

Inclusive, pensando nas raízes da Música, você já deve ter percebido que esse é o tema da nossa promoção vigente, não é verdade? Se ainda não sabe do que estamos falando, dá uma olhada aqui http://migre.me/jt3l5.

Promoção “Raízes”

Mesmo que o som, o estilo e até os instrumentos desses caras de que tanto estamos falando ultimamente não sejam declaradamente a sua praia, sem eles, meu amigo, a Música conforme reconhecemos hoje seria qualquer coisa bem longe do que estamos habituados.

Terminamos o nosso último post falando sobre o quão era difícil fazer uma Música ficar conhecida na época de nomes como Joe Pass e George Benson, jazzistas da década de 1940, época pré-histórica da indústria fonográfica e era pré rock´n´roll.  

No período anterior a Segunda Guerra Mundial, pela inexistência de recursos tecnológicos, o público dos músicos era fatalmente regional, porque os artistas não tinham condições de fazer sua obra ser conhecida para muito além de seu quintal. Não havia a possibilidade de gravar a canção numa placa de vinil pra reproduzi-la em qualquer canto, a qualquer hora, o que obrigava os próprios músicos a se deslocarem para apresentações ao vivo. Fazer uma Música alcançar um público em larga escala, sem depender da logística de conduzir uma banda ou orquestra inteira por ai, é um cenário que mudou somente com a descoberta do rádio.

Rádio, aliás, para quem não sabe, nascido das pesquisas e inventividade de um brasileiro, Roberto Landell de Moura, um padre porto alegrense pioneiro no experimento com ondas eletromagnéticas e que possivelmente, foi o primeiro a transmitir a voz humana por rádio com sucesso. Tido como louco e adepto de bruxaria, Landell de Moura, no ano de 1892, na cidade de Campinas, em São Paulo, conseguiu transmitir e receber comunicação humana através do espaço, utilizando uma válvula que ele mesmo inventou e fabricou. Landell recebeu do governo brasileiro, em 1900, uma patente que o considerava o verdadeiro inventor do rádio e, no ano seguinte, conseguiu patentear a invenção nos Estados Unidos.

Uma réplica do Rádio de Landel

O rádio é daquelas invenções grandiosas que, como o avião, é disputada por mais de um desenvolvedor e que contou com a contribuição de vários personagens. Téte-a- téte com Landell, disputa o trono o italiano Guglielmo Marconi, e essa briga não tem um vencedor declarado.

A parte das descobertas tecnológicas, no âmbito social o rádio permitiu uma verdadeira revolução. As emissoras transformaram aquilo que era tradição regional em uma cultura nacional de entretenimento. Nos Estados Unidos, onde tudo começou em termos de indústria cultural de massa, era comum relacionar o trabalho de um artista unicamente a sua localidade. Era dito, por exemplo, que Buddy Guy trazia à tona o ritmo da cidade de Chicago.

Com o rádio, as pessoas começam a escutar a mesma Música ao mesmo tempo, eventualmente estando em lugares totalmente distantes entre si, e, assim, começou então a ser formada uma plateia nacional: o Buddy Guy de Chicago passou a ser de todo um país! Imaginar isso, um artista isolado do mundo em tempos de MP3 e downloads gratuitos às pencas é até difícil. Como seria se Bon Jovi tivesse ficado relegado à sua New Jersey ou o Red Hot Chili Peppers à Califórnia! Não dá né?!

Já pensou nunca ter ouvido esses caras?

Essa turma boa, já nascida bem depois do pós-guerra e crescida dentro do gênero rock, deve em muito sua exposição ao rádio. Essa plataforma deu o incentivo seminal para que muita gente fosse conhecida para fora de seus habitats naturais, ajudando a popularizar canções até mesmo fora de seus países de origem.

Historicamente, dos gêneros vigentes à época pré-Rock, o Pop foi o que mais se beneficiou do rádio tendo as emissoras se dedicado muito mais a sua divulgação do que a dos outros gêneros vigente à época, que eram o Western e o Rhythm & Blues. Esse fato explica os rumos que a Música tomou até os dias atuais com as ‘Beyonces’ e ‘Justins’ pululando por ai. Embora os artistas dessa leva tenham bases nos gêneros menos trabalhados do passado e até assumem isso, eles são declarada e inegavelmente artistas Pop.

Agora, às vésperas da Copa do Mundo, vamos dar uma pausa na pré-história da Música para falar um pouco da relação que a canção tem com o futebol? Será que essa dupla dá jogo? É o que vamos ver no nosso próximo encontro.

Até lá!