Consumo x Estoque x Dinheiro em caixa

por Dan Hisa

Todo brasileiro ou brasileira, incluindo os “companheiros e companheiras” já sabiam que um dia chegaria “a conta” para todos pagarmos depois de tanto tempo incentivados para o consumo. Assim, em 2015, estamos enfrentando uma crise econômica composta por inflação em alta e crescimento em baixa (e ponha baixa nisso) que também não era segredo para ninguém. Como hoje é dia de falarmos sobre empreendedorismo, essa arte de tirar de onde não existe para colocar onde não cabe, o post de hoje abordará sobre as compras, tanto de pessoas físicas, como das jurídicas. Ou se preferir, do consumo responsável para todos nós e formação de estoques para as empresas.

Tanto produtos quanto serviços têm sofrido aumentos indiscriminados e isso influencia diretamente no fluxo de caixa dos compradores (pelo menos aqueles que costumam pagar suas obrigações). Com menos empregos sendo criados e consequente queda da renda líquida, era de se esperar que os preços desabassem. No entanto, não é isso que assistimos porque as pessoas continuam comprando, desde os itens básicos para a vida, como comida e higiene pessoal, até os itens mais supérfluos forçando os preços a subirem ou, no mínimo, impedindo que caiam. Por quê?

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As razões são várias, desde o “compre antes que os preços aumentam” até o “aproveite para estocar e ganhar com os aumentos”. Assim, não importam os motivos, a consequência será sempre mais e mais endividamento. De acordo com os dados da EBC, em março de 2015 o número de famílias brasileiras endividadas subiu de 57% para 59,6%. Alarmante saber que mais da metade da população brasileira tem dívidas em cartões de crédito, carnês, prestações ou empréstimos pessoais. E isso não atinge apenas os consumidores, mas as empresas também acabam sofrendo com isso. Menos dinheiro na mão do cliente e mais dívidas a serem quitadas resultam em menores vendas.

Não se culpe se estiver dentro dessa estatística. Nem culpe a economia mundial ou a “Dilma” pelos seus problemas financeiros. O melhor a fazer é reconhecer onde errou e procurar as saídas, se possível com ajuda dos amigos, como nós aqui do blog SANTO ANGELO.

Portanto, a época é de repensar primeiro o consumo e os estoques, tanto pessoal como empresarial. Principalmente nas empresas onde o controle de estoque bem feito pode indicar a hora e a quantidade do que comprar e não ter produtos que ficarão parados na prateleira/armário estragando ou empoeirando. Para um consumo consciente de todos, embasamo-nos em alguns tópicos citados pelo site Akatu “Consumo Consciente para um Futuro Sustentável” e pelo que fazemos diariamente aqui na SANTO ANGELO.

Planejamento de compras e Orçamento: As empresas já fazem isso há tempo, mas as pessoas nem sempre pensam na forma ou nas quantidades, apenas correm para a loja e gastam. Se houver espaço no orçamento para isso, tudo bem, mas se não, segure as compras. Afinal, compulsão versus consciência explica o endividamento “Made in Brasil”, certo? Pense, planeje e compre melhor para consumir o que é necessário. E para não dizer que nunca falamos sobre isso, inscreva-se na área reservada do nosso blog e consulte esse post sobre controle financeiro ou esse outro sobre planejamento. Não adianta nada ser luthier, trocar 1 ponte Floyd Rose por mês (que é bem cara) e ter 10 no estoque.

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Avalie impactos ambientais e sociais: Se forem gerar resíduos demais, pense duas vezes. Se for prejudicar alguém, não faça. Tudo que você compra gera um impacto na sociedade, mesmo ele sendo pequeno, como uma caixa de papelão jogada no lixo errado. E sempre separe lixo orgânico de reciclável (aproveite que agora tem lei para as sacolinhas de supermercado utilizadas para o descarte do seu lixo).

Reutilize: Em uma sociedade como a nossa, em que o novo é tão atrativo, às vezes uma reutilização pode ser estranha, mas ela gera economia e consumo sustentável. Na SANTO ANGELO, reciclamos 100% da água usada nos processos produtivos (por isso nossa certificação ISO 14000), o que gera uma economia gigantesca de água. Não somos diferentes daquela família que utiliza a água da máquina de lavar roupas para dar descarga na privada ou lavar o quintal. E não é só hoje, quando sofremos os efeitos da pior estiagem que atinge o sudeste do país. Isso deve ser feito sempre.

Não tenho dinheiro, mas tenho crédito: Seria legal se a fatura do cartão de crédito nunca chegasse, nem tivesse que ser paga um dia, mas não é assim que funciona. Uma pessoa ou empresa que se utiliza de crédito precisa ter condições de pagá-lo depois. Para você ter uma ideia, em janeiro de 2015, entre as empresas, o índice de inadimplência chegou a 13,5% dos casos. Ou seja, pode usar o crédito, mas planeje para não ter surpresas ou ficar devendo.

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Valorize, contribua e divulgue: Dê preferência a produtos de empresas que pensam nos âmbitos sociais e ambientais (e faça o mesmo, tanto na vida pessoal como profissional). Contribua sempre com feedbacks para essas corporações sobre o que você acha que eles acertaram ou o que erraram (não seja só um “hater” sem conteúdo nem argumentos das mídias sociais, como mencionado nesse post) e para as pessoas também. Divulgue o consumo consciente em todos os lugares que estiver, deixe que as pessoas e empresas pensem e melhorem suas formas de consumo. Isso contribui para todos.

Não se esqueça de cobrar: Cobre do vizinho, cobre do empresário, cobre do seu fornecedor, cobre dos políticos. Você precisa fazer a sua parte, mas também precisa cobrar para que todos façam e melhorem o cenário que nos encontramos hoje.

E para que falamos tudo isso na nossa seção de empreendorismo? Para introduzir um pouco do conceito de controle de estoque com consciência.

O Sebrae define: “A organização do estoque evita acúmulo ou falta de produtos, o que gera descontrole financeiro e de espaço físico para a empresa”. E podemos adicionar tranquilamente o consumidor também.

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Deve-se agir para que tudo seja registrado. Entradas e saídas de produtos, custos unitários e totais (isso para empresas) e a confirmação de estoque (ver se o que está na sua planilha “bate” com o real).

E esse controle é tanto físico (tenho 4 latas de milho) quanto monetário (gastei R$ 2,50 por lata de milho em um total de R$ 10,00). Em uma empresa, o consumo de materiais, geralmente representa cerca de 60% dos custos. Bastante, não? E a gente sabe que muitas empresas e pessoas não controlam isso à risca e acabam ficando com “furos” nesse estoque.

Esse perfeccionismo pode ajudar a empresa saber a média de consumo mensal de algum produto do estoque, fazendo com que compre o necessário e não extrapole comprando o que não conseguirá vender. E isso pode acontecer não só nas indústrias e lojas como também na despensa da sua casa.

E nas corporações, um controle errado de estoques pode causar desvios. Ou seja, se a empresa não controla seu estoque, tudo pode ser pego e levado sem que ninguém perceba. E sim, roubos acontecem até nos países do Primeiro Mundo, pode acreditar. Para se proteger ou evitar ao máximo essas “perdas”, pode-se aplicar uma ficha de estoque, que contém os seguintes dados (fonte: Sebrae):

  1. Código e descrição do produto/material;
  2. Unidade de consumo (kg, m, peça, etc.);
  3. Estoque mínimo;
  4. Endereço de localização no almoxarifado;
  5. Data do evento de entrada ou saída do produto/material;
  6. Quantidade de entrada, saída e saldo do produto/material;
  7. Valor do custo de entrada, saída e valor do estoque atual;
  8. Valor do custo médio e anual de aquisição do produto/material.

Tendo essa ferramenta em mãos, não só você terá sempre produtos para sustentar sua atividade, seja em casa ou na empresa, como também manterá sadio o fluxo de caixa (dinheiro na mão) e saberá quando comprar, sem ser impulsivo. Pregamos isso fielmente, de que o consumo tem que ser consciente sempre. Claro, você pode extrapolar algumas vezes, mas no resto do tempo, tenha controle sobre suas ações (pra que ter 65 pedais no seu armário se você usa apenas 5 para tocar 80% do seu repertório, não é?)

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Esperamos que o papo e as dicas tenham sido úteis e que te façam sobreviver nesses tempos difíceis de ajustes da economia. Se quiser, comente o que usa atualmente para manter sua Saúde Financeira no “shape”.

Até a próxima.