Customização de guitarras – Qual é o limite?

2016-01-18 - FB

por Dr. Alexandre Berni

Olá pessoal. Aqui é o Alexandre Berni, ou Dr. SANTO ANGELO como muitos de vocês já me conhecem. Eu sei que todos começaram 2016 cheios de esperança para um ano com mais oportunidades e dinheiro, mas temos que reconhecer que nem tudo é como desejamos. Tanto é assim, que tenho recomendado a todos a leitura desse post, escrito pelo RA da SANTO ANGELO, o Danilo Souza sobre como sobreviver aos solavancos de 2016.

Hoje o meu post é sobre uma dúvida muito comum que todos nós temos e sempre está presente na caixa postal do blog: “vale a pena customizar minha guitarra?” Ou então essa bem parecida: “até quanto devo gastar na reforma de um instrumento musical, a fim de conseguir timbres melhores, mas sem comprometer demais o preço final se um dia precisar vendê-lo?”

Claro que assunto é muito interessante e atual, mas envolve muitas variáveis e por isso abordarei alguns pontos que julgo serem os mais importantes.

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O verbo “customizar” está presente em nosso dia a dia, não só em instrumentos musicais, mas também quando tratamos de carros, roupas, móveis, calçados etc. O entendimento de “customizar” para a maioria das pessoas significa “adaptar”, “modificar” ou “personificar”. Desta forma, você “transmitirá” ao objeto “customizável” seu toque pessoal e como o próprio nome diz, o seu gosto “pessoal” que pode não agradar a outras pessoas. Ou seja:

Será que conseguiremos comercializar um objeto customizado para nós com facilidade para outras pessoas?

Geralmente, os músicos separaram o conceito de “Guitarra Custom” de “Guitarra Customizada”. Costuma-se dizer que “Guitarra Custom” é comprada já modificada ou diferente das produzidas em série pelo próprio fabricante, assim como faz a Fender, ESP, Charvel ou até mesmo certo luthieres, que aceitam modificar seus próprios modelos consagrados de instrumentos conforme as especificações de clientes. Obviamente que os preços cobrados são diretamente proporcionais às transformações requeridas.

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Se vai ficar mais caro, por que e quando customizar uma guitarra?

Acredito que esta pergunta não tenha uma resposta simples, mas provavelmente essas serão as respostas possíveis:

  • Quero pintar minha guitarra de outra cor,
  • Quero pintar minha guitarra com um desenho, foto etc…
  • Quero fazer um “Relic” em minha guitarra, deixando-a com aparência de velha,
  • Quero mudar o formato de minha guitarra ou o desenho do headstock,
  • Quero escalopar a escala da minha guitarra,
  • Quero trocar os captadores por outros melhores, blindando-os adequadamente,
  • Quero trocar as tarraxas por melhores, com travas,
  • Quero trocar a ponte por outra do tipo Floyd Rose,
  • Quero minha guitarra parecida com a do meu ídolo,
  • Quero trocar o escudo da minha guitarra,
  • Quero afinar o braço da minha guitarra, diminuir sua espessura,
  • Quero trastes maiores ou de aço inox,
  • Quero porque quero …fazer alguma coisa diferente em minha guitarra para torná-la única no Universo.

Por estas respostas, podemos perceber que a customização inclui desde mudanças nos aspectos estéticos do instrumento até em sua funcionalidade. Baseado em minha experiência, não tenho observado grandes customizações em instrumentos caros ou tops de linha das marcas mais conhecidas.

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Acredito que dependendo da customização realizada em um instrumento nível AAA, esse perderia o seu valor de revenda, salvo modificações de funcionalidades que possam ser reversíveis.

Ao longo de vários anos, aprendi muito sobre guitarras na medida em que comprava modelos de menores custos (pois eu só tinha dinheiro para comprar modelos mais baratos) e tentava melhorá-las naquilo que não me agradavam ou que limitavam o seu bom funcionamento.

Algumas pessoas consideram guitarras “baratas” como realmente guitarras de baixa qualidade. Eu sempre testei vários modelos e procurei melhorar a funcionalidade do instrumento escolhido dentro dos meus limites orçamentários. Se for elencar uma sequência de possíveis mudanças, a minha primeira escolha sempre foi trocar os captadores e realizar a blindagem mais adequada da parte eletrônica. Já deu para perceber que tenho “adoração” por captadores.

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A segunda mudança a considerar foram as tarraxas uma vez que essas ferragens são itens que elevam os custos de fábrica e por conseqüência, do preço final do instrumento. Também a regulagem total desse tipo de guitarra não costuma ser nenhuma “Brastemp”. Dessa forma, mesmo se não houver grandes “transtornos estruturais” no instrumento (tais como braço empenado, pintura danificada, trastes de baixa qualidade ou rachaduras na madeira), acho importante você definir previamente até quanto pode gastar nas mudanças de customização.

Claro que esse “teto” ou limite de gastos vai depender da renda e endividamento de cada um. Pode ser que o meu limite seja pouco para você e vice versa, não é mesmo? E do jeito que estão as coisas, pode ser que amanhã esse limite fique proibitivo.

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E como definir esse valor?

Fácil. Aqui no blog tem vários posts sobre planejamento financeiro que podem ajudar nessa decisão, dos quais eu destaco esse. Por experiência própria, eu sei que é difícil escolher entre a Paixão pelos instrumentos e a Razão de como está sua conta bancária, mas precisamos nos cuidar nesses tempos de alta inflação e juros nas nuvens. Por isso, respire fundo e responda:

  1. Você tem o dinheiro em sua conta corrente para fazer o pagamento à vista, sem ficar no negativo e, por isso, ter que pagar multas e juros?
  2. Esse dinheiro não vai fazer falta para pagar outras contas e, portanto, você não ficará no vermelho nas próximas semanas?
  3. Você vai incluir imediatamente esse pagamento em sua planilha financeira para ver como pode equilibrar suas contas ou como poderia compensar esse gasto reduzindo outras despesas?

Caso tenha respondido SIM para as três questões, você pode seguir em frente e pagar à vista. Caso a resposta tenha sido negativa, é melhor parcelar até atingir o seu limite, pois dificilmente o excesso de gastos financeiros (juros e multas) que tiver que pagar além daquele limite compensará.

No caso de comprar uma guitarra de baixo custo e tiver que modificá-la além do que sugeri anteriormente, trocando trastes, pintando novamente, trocando ponte e demais alterações, acredito que também não será vantajoso, considerando o alto preço do dólar e mão de obra especializada para essas mudanças.

E se resolver gastar acima do meu limite?

Se mesmo depois de tantos alertas, você desejar gastar além da conta, acredito seriamente que vai se envolver em um “casamento” com o instrumento, a não ser que queria vender sem o valor investido ou agregado ou retirar as guitarparts que modificou ou adicionou para utilizá-las em outra customização no futuro. Mas, será que vale a pena essas hipóteses?

Lembre-se que um possível comprador de sua guitarra customizada não dará o mesmo valor que você, mesmo que algumas customizações possam agradar uma grande maioria pessoas, como no caso das guitarras icônicas que já falamos em posts anteriores.

Portanto, neste ano que se inicia com tantas dificuldades que restaram do ano anterior e que ainda devemos enfrentar em 2016, recomendo que estude criteriosamente o que customizar em seu instrumento musical, para que não tenha uma surpresa desagradável se precisar comercializá-lo mais tarde.

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Aliás, esse é um assunto para os especialistas financeiros aqui do blog, mas acho que posso contribuir com seu orçamento, além das várias dicas de regulagem e manutenção de instrumentos que tenho sugerido ao longo dos últimos anos. Abra uma conta em uma corretora de valores (eu uso a Easyinvest) e aplique em títulos do Tesouro Direto tudo o que puder poupar.

Não se esqueça de ouvir sempre os conselhos de um luthier de confiança nessas decisões sobre customização e se não for possível, conte com a equipe da SANTO ANGELO para te ajudar.

Um grande abraço e até a próxima.