Top 7 de 2020: Pozzoli – A póstuma evolução do ensino musical

Olá saudosas leitoras e esquecidos leitores do Blog SANTO ANGELO, tudo bem com vocês?

Há muito tempo, entre dezembro do ano atual e janeiro do seguinte, é nosso costume reeditar os posts e podcasts que mais se destacaram, numa retrospectiva do que pensávamos ser importante no passado e o quanto evoluímos no presente, muitas vezes sobre os mesmos assuntos.

Principalmente neste ano, que nos empurrou de tal forma para mudarmos o mindset, que foi desafiador escolher o ranking dos TOP 7 de 2020, tal a variação e aceitação dos temas abordados.

Quando olhamos para trás, percebemos o quanto nos transformamos, aprendendo juntos as lições da “professora” Pandemia e compartilhando histórias de superação, dicas sobre saúde e, principalmente, como continuar vivendo do Music Business, apesar de todas as dificuldades impostas pela COVID-19.

E durante os momentos mais difíceis da quarentena, decretada pelas autoridades sanitárias a partir de março de 2020, quase todos nós cantamos os versos da música “Dias Melhores” do Jota Quest:

Vivemos esperando

Dias melhores

Dias de paz, dias a mais

Dias que não deixaremos

Para trás, oh oh

Por isso, nada mais justo do que escolher como TOP 7 um dos posts publicado em março de 2020, quando convidamos o musico e podcaster, Dan Souza, para voltar a participar da equipe de comunicação da SANTO ANGELO.

Assim o que você irá ler a partir de agora é uma releitura deste post, levemente revisado para não perder a originalidade inicial, mas devidamente atualizado dentro dos padrões atuais de editoração. 

Lembrando que você poderá ouvir o conteúdo no formato de podcast no Spotify, clicando na imagem abaixo, ou buscando por “Blog SANTO ANGELO” em qualquer outro agregador de podcasts de sua preferência.

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Dado que muitos músicos optaram por ensinar Música via online, vamos dar continuidade ao tema tratado no post sobre a Evolução dos Métodos de Aprendizado Musical?

Da minha parte, a missão de voltar a escrever os posts no blog SANTO ANGELO está aceita, mas se prepare porque vou começar pelo começo, ou seja, pelos métodos clássicos de ensino que metem medo em muita gente que deseja tudo para ontem.

Muito se falou do Bona, um dos livros mais clássicos no Ensino Musical, quase centenário em resultados para os grandes músicos que conhecemos, certo?

Mas como é comum em qualquer mercado, a concorrência iria aparecer e com o Bona não foi diferente.

Nesse caso, estou falando do pianista e compositor Ettore Pozzoli, nascido em 1873 – cinco anos antes da morte de Pasquale Bona – e falecido em 9 de novembro de 1957, formado pelo exclusivo Conservatório de Milão. 

Analisando o cenário musical italiano da época, é bem possível que o método Bona, de seu antecessor, provavelmente tivesse sido usado na alfabetização musical de Pozzoli, já que a obra estava bem solidificada no ensino daquela época. 

Porém, Pozzoli, “disruptor” que era, entendeu que, antes de uma leitura melódica era necessário entender os ritmos – me smo tendo lançado 7 estudos sobre melodia antes de chegar à essa conclusão.

 

 

Em 1904 – sim, mais um método centenário – nosso querido compositor lança o “Sunto di Teoria Musicale” em 3 tomos: uma pequena revolução no “como ensinar” a tão temida partitura que, antigamente, era a única forma de aprender Música Erudita.

Pensando em como deixar o passo-a-passo mais fluido, Pozzoli ensina, nesses livros, como a Música era (e ainda é) dividida. 

O intuito dele não era o ensino do tão conhecido Solfejo, mas do ditado musical, como forma de mostrar conceitos separadamente para uni-los ao final.

Esses conceitos são separados em três parte: rítmico, melódico e harmônico.

Iniciando com o ditado rítmico, Pozzoli resolveu explorar as subdivisões, durações e pausas, sem foco em notas e alturas. 

As unidades de tempo são explicitadas, ritmos binários e ternários estudados, sinais de notação (valores simples e pontuados) aprendidos (e decorados, por favor) compassos simples e compostos aprofundados e, por fim, grupos e proporções rítmicas.

Parece muita coisa e de fato é, porém, durante o ensino, percebe-se que são conhecimentos extremamente necessários para que cada passo seja concluído com êxito. 

Um dos grandes acertos dessa obra são os grupos rítmicos, que são inseridos aos poucos durante cada uma das dezessete séries do ditado. 

Bater palmas, estalar os dedos ou mesmo produzir qualquer som (independente de nota ou afinação) com a boca, por exemplo, são as únicas ferramentas que você precisará para essa primeira parte do estudo.

Muitos músicos fazem isso no transporte público, em seus quartos, na sala de aula e quiçá, no banheiro. 

Como as séries são curtas, você pode fazê-las em qualquer intervalo de tempo que tiver, mas recomendo a repetição constante até que fique muito fluido. 

Assim, tente evitar a famosa “decoreba” para forçar a leitura das figuras.

Aconselho também o estudo desse livro a qualquer tempo, independentemente de você já tê-lo zerado. É sempre bom exercitar.

 

Seguindo a GIG, o livro entra no ditado melódico: uma básica explicação sobre as Notas, Andamento (Alegretto, conhece?) e sobre o italianíssimo Legato vão te preparar para o pesadelo a seguir.

Um parêntese: chamo de pesadelo pois é um aprendizado moroso e difícil, que fez muitos músicos, meus conhecidos, ficarem pelo caminho.  

Porém, todos aqueles que foram com foco e perfeição até o final são músicos mais cheios das nuances rítmicas e com os floreios mais bonitos (e não só na Música Erudita) que eu também conheço.

São vinte e quatro séries com a média de dez exercícios cada porque um Estudo mais longo exige concentração e atenção.   

Todos os grupos rítmicos da fase anterior são explorados e aprofundados, tornando a sua leitura de partitura mais fluida a cada exercício que você supera. 

Pensando em termos mais atuais, o método Pozzoli era um tipo de gameficação, onde o prêmio era você conseguir ler as peças mais clássicas do mundo e executá-las. 

Para um período, onde o imediatismo no ensino não existia como hoje é tanto desejado, era um achievement (progresso) e tanto na Aprendizagem Musical mais sofisticada.

Nessa fase, pode ser muito interessante fazer o ditado tanto no vocal quanto com seu instrumento, porque ajuda muito a se localizar melhor onde estão as notas, as alturas e entender as claves de sol (G) e fá (F) e suas armaduras d .e Clave – Bemóis e Sustenidos.

Após o longo estudo da segunda parte, finalmente a chegada se aproxima, mas não se apresse, pois esse método não é uma corrida de 100 metros.

A terceira parte entra, finalmente, no Dettato Armonico (em italiano, pra ficar mais legal): porque é nessa hora que instrumento será 100% necessário, visto que teremos 2 ou 3 vozes nos exercícios. 

Claramente, o método Pozzoli foi desenvolvido para pianos, mas a adaptação para instrumentos de corda é tranquila, enquanto que para Sopro e voz já são histórias diferentes.

Que tal agora, criar aquele momento de fazer um estudo em grupo?

 

Hoje, esses 3 tomos se  tornaram 2 livros divididos em 2 partes cada, cujo título traduzido é Guia Prático e Teórico e sempre foi publicado pela Editora Ricordi, com a capa laranja é clássica, tornando-os fáceis de achar nas prateleiras das lojas especializadas. 

Se não quiser gastar, já aviso que a obra tornar-se-á de domínio público em 2028.

Mas como sei que você respeita o Direito Autoral, também aviso que consegue encontrá-la em muitos sites, com a primeira parte bem baratinha, custando no máximo R$ 20,00 nas pesquisas que diz até a data de publicação desse post. 

A segunda parte, por ser maior, deve ficar em torno de R$ 50,00, mas se quiser ser mais tecnológico, a obra também está disponível para vários e-readers.

O interessante de analisar é que temos, ainda hoje, esses livros como alicerce de estudo em conservatórios – ou livros baseados neles.  

Eles foram, por mais de 100 anos, a única saída que músicos tinham de um estudo formal, fato esse que, nos últimos 20 anos, têm mudado drasticamente. 

Mesmo integrando o cosmo dos grandes nomes da música que já se foram, os métodos Bona e Pozzoli estão muito presentes no dia-a-dia de um músico.

Observamos professores no Brasil (muitos deles do time de endorsees SANTO ANGELO) entenderam esses clássicos e os usaram para desenvolver seus próprios métodos. 

Entende-se, também, que nem todo o estudante de Música quer se tornar erudito, dada essa universalização do conhecimento musical, sendo que várias pessoas  querem apenas tocar músicas que amam, outros que querem compor, outros que querem ensinar, enfim, cada tem seu objetivo particular no universo musical.

O fato é que o conhecimento de partituras e a sua leitura nunca será um conhecimento ultrapassado e digo o motivo: você consegue conversar com o ocidente inteiro e parte do oriente com essa linguagem. 

Um músico consegue comunicar uma ideia ou um sentimento para outro músico usando só a partitura. Não precisa saber inglês, mandarim ou português. A notação musical é universal. 

E isso possibilita que uma obra musical possa ser ouvida e sentida por diferentes públicos ao ser executada por outro músico, ou seja, um entendimento que transcende culturas e vai além das palavras e idiomas.

 

Assim como o Bona, o método Pozzoli sofre do problema de ser lento no ensino. 

Em um momento de “tudo pra ontem” ele não é tão atrativo, causando a evasão de possíveis promissores músicos que iniciam o contato através desses métodos. Por outro lado, a Tablatura, para os instrumentistas de cordas, nesse quesito é extremamente mais atrativa.

Fala pra mim: quanto tempo você dedica a um livro na semana e quanto tempo você dedica ao Youtube? 

Essa discrepância no tempo demonstra o quanto os métodos de ensino evoluíram. Vídeos e aplicativos hoje são portas de entrada bem mais largas e convidativas, e você sabe disso. 

Não estou dizendo que são ruins, mas são a prova de que o ensino está avançando e, agora, a passos mais largos que antigamente.

E você, utiliza algum método diferente dos falados até agora? 

Não se esqueça de comentar aqui embaixo e fomentar essa discussão tão importante. É com gente diferente e mentes ímpares que a gente constrói um ensino musical melhor e mais qualitativo pra todo mundo.

Certo que nos encontraremos novamente na próxima semana, com Saúde e mais esclarecidos, fica aqui nosso até breve!

 

 



 

PODCAST
Effects: Activision, NBC Sound Archive & Youtube (Arquivo CC)  – Coleção de Sons do Facebook
Music: “Dias Melhores” de Jota Quest – ” Tropa de Elite ” de Tihuana – “Mozart – Metallica (Symphony No. 40 – Enter Sandman : MOZART HEROES” de Mozart Heroes.

 

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