Do papel para as telas: vídeo aulas de ensino musical

E aí leitor ou leitora, tudo bom com você?

Dan Souza novamente aqui trazendo mais um capítulo dessa imensa aventura que é o aprendizado musical, porém, antes de começarmos, um recadinho bem rápido.

Março e os meses seguintes do segundo trimestre de 2020 estão se tornando um teste para os brasileiros e para o mundo desde que ficou clara a ameaça por um novo e desconhecido vírus que ataca o sistema respiratório.

Não preciso me aprofundar nos pormenores do Covid-19 – afinal, se você ligar a TV, acessar Instagram, Youtube ou qualquer outra rede social, vai ter informação de sobra, mas filtre-as bem, porque nem todas são verdadeiras – sobre essa nova praga da Humanidade e porque ele nos suscita dúvidas e novas formas de viver nosso dia a dia.

Entendo que o post de hoje vai te ajudar a passar por um momento de isolamento ou quarentena, aproveitando ao máximo o tempo e saindo dele com mais conhecimento e saúde preservada.

Aliás, já sabe da campanha ‘COM A SANTO ANGELO, VOCÊ NUNCA ESTÁ SOZINHO”? Todo dia, às 10h22, na fanpage no Facebook, serão postados vídeos dos nossos amigos e professores, com dicas para você tocar mais e melhor. Começou no dia 20 de março e só termina quando todos voltarmos a frequentar as ruas normalmente.

Ressalto, no entanto, que leia esse outro post  procurando sempre lavar as mãos com sabão, ou usando álcool em gel quando não tiver como higieniza-las.

 Se o seu trabalho permitir fique em casa em home office, se não, adote as recomendações do Ministério da Saúde para os ambientes de trabalho; cuidando de quem estiver próximo de você, principalmente se essa pessoa for pertencente aos grupos de risco,  responsabilizando-se com toda a sociedade.

Recado dado, vamos à nossa pauta de hoje!

Você já leu aqui no blog ou ouviu via Spotify sobre o Bona e o Pozzoli. Livros centenários que pautaram muitos músicos por muito tempo.

Como sabemos bem, os “saltos tecnológicos” do início até quase o final do século XX eram bem lentos. Do fonógrafo, gravado em cilindros com folhas de estanho, até o LP – que foi inventado pela Columbia Records – foram mais de 70 anos.

Depois, para a fita K-7, 15 anos. E para virar CD? Quase 20 anos.

Porém, estamos pensando nas imagens que eram fornecidas por um aparelho ligado ao televisor: muita gente hoje nem deve saber o que era o VHS.

Se é um deles, saiba que era uma caixinha preta mágica, desenvolvida pela JVC nos anos 70, mais precisamente lançada no Japão em 1976 que se transformou no “must” da tecnologia que chegava às casas das pessoas.

Fitas magnéticas para gravar imagens já eram usadas nas redes de televisão, mas seus custos eram altíssimos e impossíveis para serem adquiridas por pessoas.

Existiam as câmeras caseiras como a Standard-8 e a Super-8 desde o final da Segunda Guerra Mundial, mas era necessário um projetor para executar o que tinha sido captado.

Por isso o VHS revolucionou tanto, barateando o gravar e o assistir na segunda metade da década de 70.

No final da década de 80 a massificação do vídeo cassete possibilitou que pessoas assistissem filmes em casa.

E vendo toda essa onda, os músicos começaram a vender seus shows em Home Video. Alguns deles foram além e identificaram um mercado nada explorado de aulas em casa.

Estava inventado o sistema de vídeo aulas em fitas VHS.

Pelas minhas pesquisas, um dos precursores desse novo mercado foi o guitarrista Tony MacAlpine, conhecido pela fusão de Heavy Metal Neo-Clássico com Jazz Fusion.

Sua vídeo aula foi um sucesso de vendas, possibilitando que guitarristas de todo o território americano a estudassem em suas próprias suas casas através de um método que ele mesmo desenvolveu para Arpeggios, Ligados e Escalas.

A produção desse material foi muito bem feita, com tablaturas na tela – não vejo a necessidade de aprofundarmos a tablatura como um método de ensino, mas sim como uma simplificação da já famosa partitura – exercícios executados em velocidades diferentes e bastante conhecimento explicado.

Já vi essa fita ser vendida na Reverb – um marketplace de instrumentos musicais norte-americano – por mais de R$ 300,00, ou seja, uma verdadeira relíquia daquela fase do aprendizado musical.

Desse momento em diante, músicos de muitos instrumentos começaram a entender que o VHS seria uma forma de ensinar a distância, pulverizar seus próprios métodos – alguns deles bem malucos, diga-se de passagem – e ainda solidificar seu nome no hall dos grandes educadores musicais.

Exemplos como Paul Gilbert, Frank Gambale, Yngwie Malmsteen, Michael Angelo Batio,  Jaco Pastorius, Joe Walsh, Van Halen, Pat Petrillo e Charlie Byrd são alguns desses nomes.

No Brasil, alguns músicos, como o guitarrista Frank Solari e o baterista Maurício Leite, também usaram essa onda e hoje são conhecidos como educadores de respeito, tanto pelo tanto de fitas que distribuíram quanto pela qualidade dos métodos que desenvolveram, todos baseados em visualização, audição, execução e aperfeiçoamento.

Esse comércio de fitas VHS evoluiu anos depois para um mesmo comércio em DVDs, que foi muito próspero para todos esses músicos que já vinham produzindo conteúdo educacional e abriu espaço para outros, que agora tinham mais acesso às câmeras e programas de edição de áudio e vídeo.

Porém, era época de uma amiga nossa ganhar força e muitos dos endorsees SANTO ANGELO souberam aproveitar muito bem essa época de mudança da tecnologia.

Ao final dos anos 90, a internet começou a se popularizar e em 2005, o grande monstro do conteúdo online surgiu: nascia assim, o destruidor da tangibilidade: o Youtube.

Já ouviram falar de Destruição Criativa? Esse conceito do Joseph Schumpeter prevê isso no mercado, ideias antigas sendo aniquiladas para dar lugar a ideias novas para resolver um mesmo problema.

Exemplifico: Rádio vira Streaming, Televisão vira Netflix e por fim, fita VHS vira Youtube.

Inclusive uma pausa, porque se você preferir, ao invés de ler esse post, temos também outra opção aos nossos leitores: você poderá ouvi-lo clicando no link abaixo. Depois me conte como foi essa experiência.

Voltando, apesar de o conceito ser embasado em utopias neoliberalistas e neoconservador – as quais tenho duras críticas, mas isso deixamos para um outro post – o conceito se adequa bem ao mercado que temos hoje, rodeado de inovação.

E foi isso que o Youtube fez: destruiu o conceito de que para assistir algo em casa você precisaria ter o material comprado e na prateleira te disponibilizando infinitas horas de conteúdo – um cálculo com base em 2019 diz que, mais ou menos, 210 milhões de horas de conteúdo foram “subidas” para a plataforma só naquele ano.

Se você não parar de assistir o Youtube por 100 anos, você consumirá só 876 mil horas desse conteúdo, ou seja, 0,42% do conteúdo compartilhado em 2019.

Ai a entrada de novos músicos e novos métodos explodiu.

Você deve se lembrar, se é um dos nossos primeiros leitores, que tínhamos as Masterclasses aqui no blog e vale muito revisitá-las nesse momento.

Métodos surpreendentes, vídeos bem produzidos por músicos melhor ainda preparados, canais exclusivos como o Music Jungle Ensina – em parceria com os famosíssimos EM&T Online e School of Rock – e o GrooveMonster, enfim, infinitas possibilidades para tocar qualquer instrumento.

A forma de ensinar e aprender se aprimorou, pois, além do vídeo estar o tempo todo disponível, o voltar para certo ponto da aula e refazer o conteúdo ajuda ao aluno no desenvolvimento específico de cada passo.

Alguns usam apenas o vídeo enquanto outros professores com acesso a equipes de vídeo colocavam elementos visuais como partituras, tablaturas ou mesmo cifras.

E assim o cosmo foi crescendo, tanto na oferta de ensino quanto na demanda, quando se pode transitar entre métodos distintos, até achar um que se adequasse ao seu ritmo de aprendizado e tempo disponível.

Os músicos usaram também o Youtube como um trampolim para suas plataformas próprias – deixaram o aluguel do play vermelho para suas próprias casas virtuais – como meu amigo Ricardo Primata ou da mesma forma para plataformas exclusivas de ensino, que compreendem cursos diversos como meu outro amigo Maurício Alabama.

Você pode estar se perguntando: falta falar sobre oferecer aulas ao vivo pelo celular ou pelo computador, não é mesmo?

É o salto de tecnologia que faltava, a conveniência da sua casa, a atenção irrestrita entre ambas as partes e a evolução no tempo de cada um.

Essa parte merece um texto exclusivo com algumas visões de quem faz isso no dia a dia. O que acham?

O entendimento dessa evolução toda nos métodos e nas formas do ensino chegar até as pessoas nos demonstra o quanto a música é líquida em sua base, quebrando estereótipos e fórmulas para chegar aos mais recônditos locais.

Antigamente mais vagarosa, mas agora se aproveitando das tecnologias já disponíveis com velocidade, me traz a certeza é de que o ensino universal da Música está há cada dia mais ao nosso alcance.

Agora você não tem desculpa para não comentar: Quais VHS’s ou DVD’s de aulas você ainda tem em casa?

E qual canal de Youtube você mais usa para aprender o seu instrumento?

Dá essa moral para o seu professor, comentando logo embaixo.

Não se esqueça de compartilhar com seus amigos professores e alunos para que cada dia mais a discussão sobre como podemos mudar métodos e evoluir o ensino nos norteie.

A visão do futuro com a Música penetrando em cada cantinho da verve das pessoas é animadora demais.

Espero ter colocado mais conhecimento e questões para você ir pensando.

Abração e até a próxima!

Dan Souza (IG: @danhisa) é músico e profissional de Marketing, Relações Artísticas, Branded Content, Performance e Music Business, formado pela UNINOVE.

3 comentários em “Do papel para as telas: vídeo aulas de ensino musical

  • 30 de março de 2020 em 9:15
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    Numa epoca em que nem sonhavamos com o surgimento da internet e mto menos do youtube e outras streams esses fitas nos ajudaram mto, era dificil se deslocar para longe pra ter aulas com os professores que gostariamos, então o jeito era tentar achar essas fitas VHS e estudar por elas. Meu apego a pedais e setup veio qd adquiri um VHS do Faiska onde pude aprender a utilizar os pedais q tinha e que ate então não conseguia fazer nada com eles, kkk.

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  • 30 de março de 2020 em 12:22
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    Inicei meus estudos no começo da década de 90, ou seja, momento onde este tipo de material era uma espécie de Graal para nós. Era muito difícil de conseguir, e por muitas vezes eram fitas VHS que eram cópia, da cópia, da cópia. A qualidade ia caindo a medida que a cópia se distanciava cada vez mais da original…rsrsrs
    Tenho várias aqui ainda, e assisti um caminhão de vídeo aulas, que foram absolutamente fundamentais no meu desenvolvimento. De certa maneira eram tempos românticos, sem nada da tecnologia que temos hoje em dia. Quando alguém conseguia uma vídeo aula, a informação corria rápido, por uma espécie de rede de informações underground de guitarristas, e aí as diversas cópias nasciam.
    Algumas em especial foram especiais para mim: John Petrucci (original autografada), as duas primeiras do Vinnie Moore, Paul Gilbert (as duas primeiras), Greg Howe (a primeira), Richie Kotzen (a primeira, com a Ibanez colorida), Sidney Carvalho (a primeira), Kiko Loureiro (a primeira), Edu Ardanuy (a que ele toca “Search For The Light), Frank Solary, Chris Impelliteri, Fora as que não estou lembrando…rs.
    Tempos interessantes, onde estes materiais formaram uma base de conteúdo para muita gente boa que toca até hoje.

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