Drogas lícitas fazem mal?

por Carolina Gasparini

Continuando a serie de posts na linha de Saúde, como o anterior sobre drogas e fim do sucesso, vamos abordar um tema delicado e do qual muitos pais e jovens fogem: o consumo de álcool na adolescência e também na vida adulta.

Diversos estudos apontam que o consumo moderado de algumas bebidas alcoólicas pode fazer bem para o organismo. No entanto, o excesso de álcool no organismo traz inúmeros problemas, físicos e psicológicos, e pode levar à morte, como visto no dia 28/02/15 com Humberto Moura Fonseca, de 23 anos. O jovem estudante de engenharia elétrica consumiu doses abissais de vodka em uma festa universitária em Bauru (SP) e faleceu. A polícia ainda irá analisar exames toxicológicos realizados para determinar se Humberto utilizou outras substâncias antes de passar mal e falecer. Se quiser saber mais, clique aqui.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde no Global Status Report on Alcohol and Health (Relatório da Situação Global sobre Álcool e Saúde), 3,3 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do consumo de álcool no mundo todo, incluindo intoxicação, problemas de saúde relacionados ao uso de álcool, acidentes de trânsito e violência causada pelo alcoolismo.

A nossas leis regulam severamente o mercado e preveem que o comércio de bebidas alcoólicas seja vetado para menores de idade, como diz o artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei das Contravenções Penais, artigo 63. Mas quem deve fiscalizar e punir?

Álcool e música

Diversos artistas já tiveram problemas com o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e precisaram recorrer a clínicas de reabilitação, como Ozzy Osbourne, Steven Tyler, Britney Spears. Outros como Whitney Houston, Amy Winehouse, Jimmy Hendrix e Raul Seixas não resistiram aos efeitos das bebidas e faleceram.

Diversas músicas, estrangeiras e brasileiras, exaltam o consumo de álcool. “Last Friday Night”, “Eu bebo sim”, “Nós estamos todos bêbados” e “Marvada Pinga” são alguns exemplos, que trazem explicitamente o incentivo aos “drinks”. Sem falar no sugestivo nome do evento “Maratoma” evento em que Humberto Moura Fonseca perdeu a vida, como comentei acima.

SVPQCEA 001

Músicos devem prestar atenção à mensagem que passam especialmente aos jovens, que são maios suscetíveis. Além das canções, beber no palco e levar uma vida totalmente voltada ao vício pode estimular fãs a seguirem os mesmos passos e ninguém quer ser responsável pelo fim de uma vida.

Exemplos devem ser saudáveis

A questão do exemplo é importante também em casa, não só sobre ídolos. Isso é para os pais: não adianta mandar seu filho (a) adolescente não beber se você fica bêbado em todas as festas de família ou bebe todos os dias, mesmo que seja uma simples cerveja. O exemplo deve ser dado sempre, especialmente quando lidamos com os mais jovens.

Em entrevista com diversos profissionais da saúde especialistas no alcoolismo na adolescência, o médico Dráuzio Varella explicitou alguns pontos do assunto, especialmente a relação do consumo de bebidas e dos pais. “Pais que entram em pânico quando descobrem que o filho ou a filha fumou maconha ou tomou um comprimido de ecstasy numa festa, acham normal que eles bebam porque, afinal, todos bebem”, escreveu o médico. A íntegra da entrevista você pode acessar aqui.

A maior diferença entre o uso de álcool e outras drogas e entorpecentes entre adolescentes é justamente a sensação de não estar fazendo nada errado, afinal, todos bebem. O álcool não é visto como uma droga viciante e perigosa, mas como parte da vida. No entanto, além de ser proibido por lei, ingerir bebidas alcoólicas na adolescência aumenta a propensão a ser alcoólatra no futuro ou apresentar doenças relacionadas ao alcoolismo mais tarde. Além disso, o jovem pode ter problemas de auto-estima, agressividade e menor rendimento escolar.

Venda de bebidas

A compra e consumo de bebidas alcoólicas não deve ser feito por menores, com os comerciantes correndo o risco de multas e autuações. Caso os menores estejam com seus pais, o comerciante é multado da mesma forma, uma vez que a proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas por menores não abarca exceções.

SVPQCEA 002

A mesma regra vale para shows e festivais, uma vez que se trata de uma relação de consumo. Caso algum adulto compre a bebida e repasse a um menor, o local é responsabilizado da mesma forma.

Grandes festivais muitas vezes não se preocupam com a diferenciação entre o público adolescente e os adultos e diversos jovens que ainda não chegaram aos 18 anos de idade compram e consomem livremente bebidas alcoólicas.

Para grandes eventos, o ideal é verificar o documento de identificação de cada visitante e utilizar pulseiras ou carimbos para rapidamente identificar se ele tem mais ou menos de 18 anos. Dessa forma é possível se enquadrar na lei mesmo com milhares de espectadores.

Já os adultos…

Imagina-se que um adulto possua discernimento para saber o que é certo ou errado e também para exercer autocontrole. No entanto, não é sempre que isso ocorre. Um adulto pode ingerir bebidas alcoólicas, se assim desejar, mas isso não lhe dá direito de dirigir embriagado, por exemplo, e colocar vidas em risco.

Da mesma forma, a ridicularização de pessoas que não bebem é errada, uma vez que demonstra uma atitude infantil e que pode trazer muitos danos, influenciando alguém a fazer o que não deseja.

Assim como no caso de uso de drogas, não adianta apenas fazer campanhas educativas e fingir que os jovens estão andando na linha e ninguém apronta nada, na linha de “meu filho não faz isso”. Conversar e explicar porque não devemos beber até cair é o ponto principal, lembrando sempre que existe o livre arbítrio e que cada um deve aprender e fazer o que achar mais adequado.

Sabemos que muitos dos nossos leitores são cristãos e por definição a bebida alcoólica está banida do dia a dia de cada um. No entanto, como acreditamos no principio cristão de fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, pedimos que compartilhem o conhecimento aprendido aqui no post com os seus amigos seculares. Afinal, quem tiver ouvidos, que ouça, certo?

Até a próxima!