Guitarras e carnaval: uma dupla nada inusitada

2016-02-08 - FB

por Isis Mastromano Correia

Você sabe quem são os GBistas? Sabe o que é Gbesar? E a Tellequinha, conhece? Tá achando que a gente está falando grego? Calma, esse é nada mais nada menos do que o linguajar usado pelos aficionados na Guitarra Baiana! Ah, e saiba que para eles a guitarra convencional, que provavelmente você toca, é mais conhecida com ‘guitarrona’, ok?  É, meus amigos, esse enorme continente chamado Brasil pode nos surpreender a qualquer momento. Mais vamos entender um pouco mais desse universo.

Com linguagem e estilo próprios, a guitarra baiana tem seus contornos muito próprios, que pode até soar pouco íntimos para os adeptos da ‘guitarrona’, ops, da guitarra convencional.

A GB, como é muitas vezes mencionada, assim, simplesmente pela sigla, é um grande trunfo da Música brasileira, uma contribuinte sem a qual o Carnaval provavelmente não teria abraçado o som gerado a partir da eletricidade!

Os luthiers especializados em construir GBs desenvolvem projetos super característicos e singulares e, por isso, quem se interessa pelo instrumento pode encontrar os mais variados tipos. A guitarra baiana original tem quatro cordas, mas, há quem construa modelos com cinco.  Os modelos levam nomes que os adeptos da ‘guitarrona’ rapidamente podem fazer a relação, como Mandotelle e Telleca.

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Assim, a Guitarra Baiana, que lembra a guitarra elétrica convencional, pode ser considerada uma construção muito mais atual em relação ao passado seminal do instrumento. Sua criação remete a um parentesco próximo ao Bandolim e ao Cavaquinho, tanto que no início era chamada de Cavaquinho Elétrico e, mais tarde, Pau Elétrico. Ou seja, a GB foi o resultado das tentativas de eletrificar esses dois instrumentos.

Longe de ser uma imitação ou um protótipo da guitarra, o surgimento da GB remete aos anos 1940 no Brasil, onde tudo indica que evoluiu paralelamente aos esforços que também vinham sendo feitos pelos construtores de guitarras nos Estados Unidos, como Les Paul e Leo Fender. Na Física Quântica poderia dizer-se que eram ideias semelhantes coexistindo em vários lugares ao mesmo tempo.

Mas, enfim, hoje em dia, a GB é fabricada lembrando a uma guitarra elétrica em miniatura, bem semelhante aos Bandolims do tipo Mandocaster norteamericanos, muitas vezes baseado no modelo Stratocaster, com cutaways e avalanca de trêmolo ou whammy bar.

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A GB legitima nasceu pelas mãos dos baianos Osmar Álvares Macedo e Adolfo Nascimento, o Dodô, por volta de 1942 e, o fato de que A GB surgiu tão distante dos Estados Unidos, que foi o centro da eletrificação geral de tudo à época, adicionou um carisma singular ao nosso instrumento. A dupla, mais conhecida como Dodô e Osmar, definitivamente entrou para o rol dos nomes mais influentes na Música Popular Brasileira não só inventando o Pau Elétrico como também o Trio Elétrico, hoje, elemento absolutamente indispensável para o Carnaval e também as Micaretas.

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O Trio Elétrico, que hoje é composto por uma banda inteira e seus cantores, nasceu mesmo sob o nome de Dupla Elétrica. Eram Dodô e Osmar em cima de uma caminhonete cantando e tocando. Com o tempo outro integrante se juntou aos dois e Dodô construiu um novo instrumento elétrico para ele, o Triolim.

Assim surgiu o grupo musical “Trio Elétrico”, que simbolizava os três músicos e os três instrumentos elétricos.  Aquele que era apenas o nome do grupo musical passou a ser reconhecido mais tarde como o carro que arrasta as multidões atrás de canções de todo o tipo em época de Carnaval.

A história da GB e tudo que a cerca é uma espécie de resposta para quem acha que Guitarra e Carnaval não têm nada a ver! Em 2014, o experimento da dupla de baianos completa 71 anos sendo que no ano passado, a história da Guitarra Baiana foi tema do Carnaval de Salvador.  Hoje, o bastião da GB é Armandinho, filho de Osmar.

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Com suas quatro cordas originais, a GB é afinada como o Bandolim ou o Violino – Sol, Ré, Lá e Mi (do grave para o agudo) usando, por exemplo, um dos afinadores SANTO ANGELO. Armandinho, sentindo necessidade de obter um som mais grave, adicionou ao instrumento uma quinta corda, afinada em .

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Na década de 1990, o luthier sergipano Elifas Santana, responsável pela criação das guitarras baianas de Armandinho e de Luiz Caldas, adaptou um sistema de ponte flutuante (Floyd Rose) nestes instrumentos. Confira Elifas e a GB que esse verdadeiro artífice fez para o Roberto Torao nesse link.

Mesmo a guitarra convencional é elemento de presença fundamental e marcante no Carnaval da Bahia. Quer tirar a prova dos nove: escute com um pouco de atenção bandas como Chiclete com Banana e Asa de Águia e você verá que a danada de seis cordas está lá a todo vapor. Empunhada com orgulho pelos músicos de Axé, a Guitarra foi objeto de discórdia quando um grupo baiano, em 2011, foi alvo de acusações de ter plagiado um riff de uma das músicas da banda de Heavy Metal Angra!

E por falar em artistas apaixonados pelo ritmo da Guitarra Baiana confiram o trabalho do guitarrista, Alexandre Machado em mais uma vídeo aula no canal YouTube da SANTO ANGELO com o  tema: “Novos Carnavais”.

Você toca GB? Tem vontade de experimentar? Conta pra gente sua experiência e aproveite o Carnaval com sua Guitarrinha ou Guitarrona e até a próxima!