Music Business: desenvolvendo workshops em lojas e escolas

2016-06-10 - FB

Olá pessoal, tudo bem?

Vocês já devem ter me visto por aí, tocando 2 ou 3 guitarras simultaneamente, como o norte-americano Stanley Jordan. Isso mesmo, eu, o mais do que brasileiro Marcinho Eiras aqui no blog da SANTO ANGELO, ao vivo e a cores pela primeira vez.

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Queria falar com vocês sobre algo que adoro fazer (e sempre estou realizando). E antes que pensem em alguma besteira, estou falando de apresentações no formato de “workshops”.

Lembro muito bem quando realizei o primeiro deles. Isso já tem algum tempo, mas foi realmente marcante. Aconteceu em uma pequena escola de música no bairro da Aclimação em São Paulo.

Toquei um pouco e logo as perguntas apareceram. Imediatamente eu percebi que estava me conhecendo como músico, e de certa forma como ser humano.

Uma das perguntas mais comuns e recorrentes é sobre as influencias, ou seja, o que você ouviu quando estava começando, de modo que tenha te inspirado ou influenciado musicalmente. Recordo que de imediato citei os músicos que hoje admiro, como Pat Metheny, George Benson, Toninho Horta, mas lembrei que antes deles eu ouvia o Van Halen, e ainda antes Carlos Santana e também Heraldo do Monte.

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Quando cheguei em casa lembrei de outros tantos guitarristas menos conhecidos ou significativos para a maioria, mas que para mim foram de extrema importância como influência ou simplesmente serviram como real fonte de inspiração.

Vasculhando minhas raízes eu percebi que estava me redescobrindo. Em menos de uma hora de apresentação, apesar dos meus deslizes e falta de fluência nas respostas, eu já estava me sentindo como se estivesse em casa trocando ideias com amigos.

Penso que esse deve ser o verdadeiro clima do workshop.

O Workshop, Clínica ou Masterclass, não tem a formalidade de um show, mas muitas vezes acaba se tornando um. Não tem a disciplina de uma aula, mas acaba valendo muito mais que tal. Entre tantas outras vantagens em termos de se realizar, participar, apoiar ou ministra-lo, o Workshop é sem dúvidas, um formato onde todos ganham!

Mais comuns em escolas e lojas, o processo é simples e tem inúmeras variações. Geralmente o lojista ou escola procura o músico diretamente, ou através de uma de suas marcas patrocinadoras ou respectivos representantes comerciais, solicitando assim o artista que deseja contratar.

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As despesas com cachê, viagem, alimentação, hospedagem e divulgação, são negociados e muitas vezes rateados entre as partes interessadas e envolvidas, tornando o custo baixo para todos.

O Workshop é também trabalhoso e muda a rotina de todos. Os representantes das marcas são peças fundamentais pois em alguns casos, eles têm a responsabilidade de acompanhar e garantir o bem-estar do artista durante a viagem, desde busca-lo no aeroporto, providenciar estadias e hotéis, além de visitar lojas e pontos culturais da cidade ou região. As apresentações são realizadas em espaços da própria loja ou escola contratante, ou eventualmente em teatros ou auditórios maiores na cidade.

Vamos às vantagens:

As marcas patrocinadoras divulgam precisamente seus produtos, lançamento e ações de marketing (afinal, workshop é uma ação de marketing também) através do músico diretamente a um público bem direcionado;

A loja ou escola contratante atrai clientes (novos e antigos) além dos concorrentes, divulgando e solidificando seu nome na cidade (usando o evento e suas mídias sociais) e os produtos e serviços que oferece no seu espaço;

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O artista, além do cachê, divulga seu trabalho, seus produtos (CD, Métodos, instrumentos ou acessórios Signature quando os tiver), conquistando novos fãs e admiradores;

O representante comercial ganha notoriedade (pois está próximo ao artista) e credibilidade perante todas as partes, passando a ser visto como um parceiro de negócios e não alguém somente interessado em vender;

A audiência (consumidores, alunos, pais, amigos, etc.) assistem uma verdadeira aula, participam com perguntas, ficam próximos ao artista, e em alguns casos ganham material didático e diploma, além de normalmente concorrerem a brindes e prêmios. Como bônus, conhecem uma história de vida pessoal contada por quem vive da Música e se sente muito feliz por isso.

Isso me fez relembrar um workshop marcante da minha vida.

Ao longo dos anos, tenho realizado inúmeros workshops pelo Brasil e também no exterior, colecionando assim histórias interessantes, engraçadas e até emocionantes.

Certa vez em Minas Gerais, a marca que me “endorsa” e com a qual eu tenho uma guitarra assinada, me forneceu um instrumento para sorteio. Para fazer certo suspense, no final da apresentação, costumo levar ao palco os sorteados, onde faço uma pequena entrevista e brincadeiras até revelar o ganhador do maior prêmio.

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Pergunto a cada um qual instrumento que toca, se estudam e o que fariam caso fossem presenteados com uma guitarra nova, mesmo já sabendo o ganhador, pois geralmente fazemos um sorteio por número (convites na entrada).

Perguntei a um dos sorteados, um jovem de 16 anos de idade, se ele já tinha guitarra e o que faria com o instrumento caso ganhasse. Ele disse que já tinha uma guitarra e que daria de presente a um amigo, que logo apontou na plateia. Esse amigo começara a estudar e não tinha condições de comprar um instrumento musical.

Eu já sabia que ele era o ganhador e, antes anunciar, meus olhos encheram de lágrimas, assim como o de todos que lá estavam quando eu o anunciei. Uma atitude como essa fala por si, dispensando qualquer tipo de comentário ou justificativa. Foi realmente emocionante participar de um momento feliz como aquele.

Então, pense que workshops são outras opções de Music Business à nossa carreira como músicos e que geram inúmeros benefícios para todos os envolvidos.

Já teve alguma experiência assim? Comente aqui no blog SANTO ANGELO e em nossas mídias sociais sobre suas experiências ou dúvidas. Estamos aqui para contar boas histórias e ajudar.

Um abraço a todos e nos vemos por aí, nos próximos workshops!

Marcinho Eiras é guitarrista autodidata e endorsee SANTO ANGELO, nascido na cidade de São Paulo/ SP, desenvolveu a técnica “ Two Handed Tapping ”, semelhante ao piano, podendo tocar com duas guitarras simultaneamente. Já se apresentou com: Dominguinhos, Bocato, Arismar e Thiago do Espírito Santo, Mozart Mello, Kiko Loureiro, Grupo Rádio Táxi, Stanley Jordan, Muriel Anderson, Todd Halawell, Decebal Badila entre outros.