Estamos voltando para a normalidade?

Olá fechada leitora e isolado leitor, tudo bom?

Para explicar a canção que escolhi para o post de hoje, vamos precisar voltar para 1979, quando a população brasileira estava na campanha de Anistia dos exilados políticos da ditadura, entre eles vários músicos e compositores.

Claro que a Anistia que acabou saindo, mas adivinha qual música os primeiros exilados cantaram quando chegaram em solo nacional?

“Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando”

Tô Voltando“, samba de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós, que muita gente até hoje confunde como sendo de autoria de Chico Buarque, foi composta como carta de um homem para sua mulher, ele viajando e há muito tempo longe de casa, pedindo para a esposa arrumar a casa, afastando as crianças e se preparando para sua chegada.

A história de como a música se transformou no “Hino dos Exilados” é contada pelo Paulo César Pinheiro no livro “História das Minhas Canções” (Editora Leya / 2010), de onde extraímos o seguinte trecho:

“Pouco tempo depois, estava eu vendo o jornal nacional da TV Globo cujo tema central era o dia do retorno dos exilados políticos ao nosso país, tendo sido conquistado, com muita luta dos que ficaram encarando o regime militar, a anistia ampla, geral e irrestrita, quando, pra minha surpresa, no avião lotado por nossos companheiros, entre entrevistas e choros ao vivo, entoou-se, numa só voz, o “Tô voltando”. A cena foi uma pancada no meu coração.

A emoção tomou conta de mim e as lágrimas correram no meu rosto. Minha voz embargou. Os pelos eriçaram. Estufavam as veias e os nervos retesavam.

Tive que respirar fundo e sair da frente da tevê pra não enfartar.

A música tinha tomado outra conotação a partir dali. Virara o hino dos exilados. E é assim que é vista até hoje, pra meu regozijo. E é assim que pensam que ela foi feita, pra minha satisfação. O que mostra que o destino das canções não está em nossas mãos. Elas são o que elas quiserem ser, acima dos motivos por que foram feitas. Que bom que ela tenha virado o que virou.”

Claro que você já entendeu que todos nós, músicos, estamos propensos a adotar a mesma “Tô Voltando” em nossa volta aos palcos, com a reabertura da economia, mas será que essa volta será benéfica para todos?

Antes de responder, lembre que também pode ouvir esse conteúdo no formato de podcast no Spotify, clicando na imagem abaixo, ou buscando por “BLOG SANTO ANGELO” no seu agregador preferido.

Reabertura: essa palavrinha, que a gente tem esperado tanto (talvez menos apenas que a palavra “vacina da COVID-19”) e gerado tantas discussões, tanto no Brasil como ao redor do mundo.

Exemplo dessas discussões, nas últimas semanas, foi a tentativa de algumas cidades na retomada das aulas regulares, nas escolas públicas e privadas, para as crianças e adolescentes.

Apesar de haver estudos suecos e irlandeses dizendo que a taxa de contaminação pelo novo coronavírus é baixa em ambientes escolares, entre as crianças em contato com os adultos, pensamos que, mesmo com isso, a reabertura pode ser respondida por um trecho de uma das obras de Renato Russo.

A revista Nature publicou um artigo, feito e diversos países, entre eles Itália e Zimbábue, dizendo que pessoas, de até 20 ano, são 2 vezes mais resistentes ao novo coronavírus, mas veja bem a palavra: em momento algum, cientistas dizem que essas mesmas pessoas são totalmente imunes, nem que não transmitem a COVID-19 para os outros.

Todos estão ansiando pela possibilidade de sair novamente, transitar, levar as crianças para suas escolas (para quem tem filhos), voltar a fazer cursos de música presenciais, porém, pedimos desde o começo: confiem em quem estuda, tem experiência e bases científicas sobre o que fala e não no vídeo do “profissional” sem nome que você recebeu como notificação pelo Facebook ou Whatsapp.

Aliás, assim que puder assista o documentário “O Dilema das Redes”, disponível na Netflix, para entender como funcionam (e porquê existem) os algoritmos de notificações das grandes plataformas das redes sociais. É chocante.

Para deixar mais claro, você prefere confiar na palavra e um músico que estudou, tem didática e experiência comprovada na área para te ensinar sobre Harmonia Tonal de Schoenberg ou alguém que viu brevemente sobre ela em sua timeline do Facebook e sem nem tocar direito?

Continuando o Disclaimer: apesar de enxergarmos quem tem mais conhecimento, estamos também vendo nossa sociedade confiar em argumentos de quem olha tudo como uma teoria da conspiração, opiniões advindas de pessoas sem nome, de fontes duvidosas (normalmente elas não existem) e de discursos inflamados e extremos.

Essa interrupção na nossa programação de informações e ideias voltadas ao Empreendedorismo e à Música é proposital, para que tentemos propor visões sobre a reabertura da economia brasileira e que, nos acostumemos, à tudo que já falamos aqui no blog SANTO ANGELO, como novas tecnologias para conectar professores e alunos, com métodos de ensino diferentes e com vontade de criar novas saídas para que a profissão “músico” continue rendendo e trazendo sucesso.

Percebe o que falamos acima são proposições baseadas em estudos de países com populações bem baixas, com estruturas bem diferentes do “continente Brasil” e precisamos adequar nossa realidade para a análise?

Como exemplo, imagine que você, hipoteticamente, administra uma escola de música, com 200 alunos, 10 professores, totalizando 211 pessoas, incluindo você.

Atualmente, as taxas de transmissão do novo coronavírus variam de cidade para cidade, logo, se você mora em grandes metrópoles, habitualmente, a propagação pode ser maior do que pequenos municípios.

Estudos do Imperial College de Londres dizem que as taxas de infecção podem variar de 0,1% a 10% da população total.

No exemplo que citamos, podemos ter apenas 1 infectado como também podemos ter 21 pessoas contaminadas e portadoras da COVID-19.

É uma análise que precisa ser feita com critério, através de testes adequados e que cada cidade tem feito individualmente, para pensar nos riscos.

Portanto, antes de sair cantando “Tô Voltando”, leve isso estas estatísticas em consideração.

O número acima refere-se apenas às pessoas da sua escola hipotética, mas fazendo uma breve extrapolação, que cada pessoa tenha pai e mãe e todas só saiam de casa para ir a escola, as taxas apresentam de 3 até 63 pessoas infectadas.

Isso em um cenário onde todas as famílias utilizem seus próprios carros e não se relacionem com mais ninguém além dos familiares.

Entende como esse número tende a crescer, se não houver controle adequado?

Obviamente, todos os estabelecimentos estão se moldando à novas realidades através de protocolos sanitários, mudando horários, disponibilizando um aparato de higienização mais completo, continuando com o distanciamento social e as máscaras individuais (apesar de ainda assistirmos cenas de pessoas que acham que estão acima de tudo e depredam lojas por não tomarem um sorvete).

Além de tudo isso, ainda temos a falta de confiança das pessoas no geral.

Em matéria da Época Negócios, vê-se que no Brasil ainda há medo de retornar ás escolas, sejam elas regulares, sejam ela extracurriculares, pois, apesar de entendermos as consequências que isso tem gerado à geração Alpha (nascidos à partir de 2010), a vontade de que a família toda continue protegida, é maior do que perder um ano de estudos.

Fatores diversos também contribuem com essa falta de certeza na volta: crianças, normalmente, não vão seguir protocolos sanitários tão rígidos por não entenderem tão bem a escala do problema.

O que é abraçar o amiguinho e depois a professora da escola? Para eles, algo que parece simples é um comportamento com risco médio ou médio-alto de acordo com estudos da Associação Médica do Texas.

Para Escolas de Música, o controle é maior, por concentrar menos alunos por turnos/espaços, porém, mudanças devem ser pensadas e feitas caso a cidade onde a escola se localiza já tenha liberado a reabertura.

As salas devem ser higienizadas após a saída de cada aluno, para neutralizar possíveis focos, como cadeiras, mesas ou locais que o vírus possa estar suspenso.

As máscaras, devem ser usadas o tempo todo, tanto pelo aluno quanto pelo professor, que, caso use máscara descartável, troque-a ao final de cada aula, ou caso utilize máscaras de pano, evite prolongar o uso por mais de 4 horas.

Com a tecnologia têxtil atual, já estão disponíveis fios e tecidos antivirais que possibilitam que as máscaras e roupas, feitas a partir daqueles tecidos, apresentem durabilidade maior, gerando proteção mais duradoura.

Se professor ou aluno estiver com qualquer sintoma da COVID-19, mesmo que não confirmada a possibilidade de do novo coronavírus, devem ficar em casa, obedecendo o isolamento médico recomendado.

Os instrumentos musicais e equipamentos de áudio, também precisam ser limpos e higienizados, porque superfícies de vários materiais podem manter o vírus vivo por mais tempo.

Aliás, se as superfícies podem manter o novo coronavírus (assim como outros vírus e bactérias) os cabos não seriam focos dessas culturas, porque estão sempre no chão, que nem sempre é tão limpo com as maçanetas e corrimãos das escolas e palcos de bares ou igrejas?

Claro que este risco existe, assim como a possibilidade da contaminação pelo contato das pessoas com essas superfícies, caso não efetuarem a correta higienização das mãos.

Profissionais das escolas, músicos e roadies (que sim, estão trabalhando nas lives dos músicos, não é?) estão expostos, além do contato, à contaminação cruzada, quando vírus e bactérias ficam em superfícies e depois, atingem um novo hospedeiro.

Pensando nisso, a SANTO ANGELO, utilizando fios antivirais especiais, desenvolveu a trama têxtil especial da linha de cabos HARAMAKI, que neutraliza o novo coronavírus, assim como demais vírus e bactérias, conforme informações da fabricante Rhodia.

A nova linha HARAMAKI da SANTO ANGELO assemelha-se muito à inspiração do seu nome, que é derivado do tipo de armadura mais leve adotada pelos samurais japoneses no final do século XIII, que oferecia ótima proteção e maior destreza para os momentos.

Basicamente, a discussão de reabertura é algo que ainda precisa ser feito, cidade à cidade, comunidade à comunidade, ouvindo todos os interessados para que se tomem decisões que contribuam para a retomada das atividades na sociedade mas sem correr o risco de entrarmos em outra curva ascendente e lockdown, como vimos acontecer na China, Alemanhã, Irã e Coréia do Sul.

Também devemos acompanhar todos os esforços de universidades, laboratórios e governos comprometidos que estão buscando vacinas que, quando chegarem, tirarão pesos imensos das nossas mentes, hoje enclausuradas com as notícias diárias e previsões de futuro não tão animadoras.

Faça sua parte, cobrando posições claras dos governantes / congressistas, participando dos debates e baseando suas opiniões em conhecimento científico. Só assim teremos ações de reabertura com responsabilidade e, principalmente, que defendam às vidas de todos.

Para ampliar o debate, conte para nós: como está o ritmo de abertura na sua cidade? Escolas de música já estão reabrindo? E os eventos públicos com pouca aglomeração? Você mesmo já voltou a tocar em bares, igrejas ou festas em geral?

Lembrando que os comentários que faz contribuem para debates mais ricos em visões e impressões da realidade, graças ao compartilhamento que você, querido(a) leitor(a) faz conosco e com todos que leem os conteúdos do blog SANTO ANGELO.

Despedimo-nos, sem necessidade de debate, sabendo que nos veremos, com cidades reabertas ou ainda fechadas, “estaremos chegando” na semana que vem, com muita saúde e proteção.

Um abraço!

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Dan Souza (IG: @danhisa) é músico, podcaster (IG: @somnascentepod), profissional de Marketing, Relações Artísticas, Branded Content e Music Business, formado pela UNINOVE.

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