Como encontrar a motivação para a Música?

Olá querida leitora ou estimado leitor do blog da SANTO ANGELO, tudo bom contigo?

Ultimamente ando vendo muitas lives no Instagram e imagino que você esteja assistindo também. Me intriga bastante de onde esse pessoal têm tirado motivação para estar lá, toda a semana, sozinhos em casa e se comprometendo com o entretenimento ou o pensamento das outras pessoas.

Pensando nisso, reli meu texto anterior, sobre os benefícios de um hobby, principalmente se esse hobby for relativo à Música e uma das minhas sobrancelhas se levantou sozinha: será que em um momento como esse, de confinamento, as pessoas vão se motivar o suficiente para aprender algo novo descobrir uma nova forma de relaxar, ou mesmo mudar de profissão?

Estamos vivendo um momento de muitas angústias, onde mora o perigo de confundir as coisas e achar que uma mudança radical pode resolver tudo.

A pia da cozinha sempre cheia de louça usada, aquela manchinha no piso, o pet que não tem sossego, enfim, qualquer coisa fora do lugar já dispara um gatilho, mobilizando sua mente atrás de algo que resolva sua angústia.

E como não existem soluções que limpem e que nunca mais suje ou que tragam Paz duradoura, muitos de nós se abatem com cargas imensamente desmotivadoras.

O funcionamento da economia antes da pandemia da COVID-19 meio que nos acostumou a isso: você trabalhava fora, pedia comida ou comia na rua na hora do almoço, contratava um eletricista para resolver aquela tomada que não funcionava de jeito nenhum, entre outras rotinas.

E quem tinha uma condição financeira melhor, tinha até uma diarista para cuidar do asseio da casa e do jantar à noite, certo?

Sem ter essas tarefas na sua agenda, a sua mente conseguia focar em interesses pessoais nos momentos de folga, e que não eram poucos, como bem observou Gene Simmons no livro “Eu S.A.” no citado post que escrevi sobre hobby.

Na atual condição, no meio da pandemia COVID-19, somos obrigados a ocupar nossa cabeça com mais e mais tarefas que são necessárias para o funcionamento do cotidiano.

Mas muita calma nessa hora porque ao invés de ler todo o blog, você também tem a opção de ouvi-lo no Spotify, com menos ansiedade, clicando na imagem abaixo, ou se preferir usa outro agregador de podcasts, é só procurar e seguir “blog SANTO ANGELO” combinado?

E como será no pós pandemia COVID-19? Aí já é querer demais, como muitos podem estar pensando agora.

Entretanto eu pergunto de volta: com tudo isso acontecendo, de onde tirar motivação para seguir adiante, fazendo mais?

Garanto que se eu tivesse uma resposta universal para essa questão estaria milionário dando seminários, mas sem abandonar meus leitores aqui do blog!

Porém, acredito que a solução não é tão macro assim. Explico melhor a seguir.

Um tal de Abraham Maslow, na década de 40, propôs a primeira teoria sobre Motivação, apoiado por conhecimentos descobertos por Freud, Jung e Erikson.

A famosa Hierarquia de Necessidades de Maslow (ou Pirâmide de Maslow para os mais superficiais e adoradores de formas poliédricas) dividiu em cinco categorias as necessidades humanas: fisiológicas, segurança, sociais, estima e autorrealização.

Basicamente, os indivíduos só sentiriam Motivação para seguir ao nível seguinte após estarem completamente satisfeitos com o nível no qual se encontram.

Uma identificação bem visual das necessidades e motivos das pessoas de acordo com Paul Hershey (não o dono da marca de chocolates) e Kenneth Blanchard.

Outro psicólogo, Frederick Herzberg, usou do conhecimento de Maslow para criar a Teoria dos Dois Fatores (ou “Motivator-Hygiene Theory” no original em Inglês) já mais voltada para o ambiente corporativo, tanto que ele se tornou um “business influencer” – quando a palavra influencer não tinha a conotação que tem hoje – no mundo dos negócios norte-americanos.

Nessa teoria, os Fatores Higiênicos (Ambiente, Relacionamentos, Possibilidades de Crescimento) exercem fator desmotivador, enquanto os Fatores Motivadores (Conteúdo, Atividades, Estímulo) são aqueles que fazem o que o próprio nome já define.

Novamente lembrando Hershey e Blanchard, Herzberg traz ideias sobre incentivos e possíveis metas para satisfazer as necessidades higiênicas e motivadoras.

E ainda temos um terceiro, David McClelland, que propôs na Teoria das Necessidades Adquiridas na qual a Motivação advém dos pilares Realização, Afiliação e Poder.

O pilar de Realização pertence aos indivíduos que gostam de colocar “a mão na massa”, determinar metas realistas e buscar a perfeição.

Já o de Afiliação abrange aqueles que buscam relações de cordialidade e afeto.

Finalmente os que se motivam por Poder são aqueles que são competitivos – vencer sempre, claro – e estarem sempre no controle das situações.

Esses três teóricos tentaram em seus anos de estudo consolidar inúmeras teorias psicológicas sobre as pessoas e criaram aparatos extremamente funcionais até hoje, mas à níveis “empresariais”.

E para pessoas em suas vidas específicas?

Se olharmos para Maslow, podemos encontrar diversas variedades de pessoas (e não só as 5 propostas), assim como também conseguimos identificar singularidades que permeiam as outras duas teorias.

Lembrando: não sacrifique suas necessidades básicas: Alimentação, Segurança, Moradia e Higiene – apesar de enxergarmos que, nesse momento em meio da pandemia, tem gente que nem acesso à agua tem para se proteger da COVID-19 – são necessárias para que você consiga desenvolver suas atividades e ter uma base sólida para se motivar sem muitas preocupações.

Com base nisso, conseguimos prosseguir, caso deseje seguir com sua decisão de tocar um instrumento musical como hobby:

Tocar um instrumento musical tem momentos bem distintos.

No início cada acorde certinho, cada técnica simples que você aprende gera satisfação. Ainda mais se aplicada à uma Música, essa sensação se amplia exponencialmente.

Essa realização dos desafios já gera essa motivação “automática” em continuar.

Um segundo momento é quando as técnicas começam a complicar ou a teoria começa a aprofundar que o tempo de desenvolvimento delas aumenta muito, não trazendo o resultado imediato que se teve no começo de sua jornada.

É nesse momento que muitos abandonam o instrumento e compram um videogame (a satisfação por realização do jogo vem bem mais rápido devido à curva de aprendizagem como já relatei nesse antigo post aqui).

Mas você não desistiu e depois de superadas essas dificuldades, entra-se em outro período de realizações sequenciais, onde você já domina muitas técnicas e sabe bem a teoria.

Nesse momento, muitas Músicas já fazem parte do seu repertório, você consegue compor com mais qualidade e essa evolução te motiva novamente.

Aí, como se estivesse numa espiral ascendente, você entrará em outro período onde provavelmente empacará, seja criativamente ou tecnicamente, necessitando de mais Motivação para seguir adiante.

Achar o que te motiva nesses períodos de pouco interesse é complexo, mas vamos pensar nas possibilidades.

ONDE?

Se seu quarto já não te empolga mais, procure mudar de ambiente. Em tempos de pandemia, varie os locais de estudo na casa – onde você não prejudique sua postura. Se o seu instrumento impossibilita essa movimentação (como um piano acústico ou um contrabaixo), faça mudanças nos arredores dele. Quando pudermos sair às ruas, vá para estúdios, praças ou parques para estudar.

QUANDO?

A “notividade” (ou os costumes noturnos) inerente à grande parte dos músicos, às vezes, pode ser uma vilã na Motivação. Se seus estudos à noite não rendem, tente trocar de horário. Se é à noite que funciona, separe um tempo de qualidade para estudar com foco. Cada um terá uma resposta singular para qual hora do dia vai render mais.

QUANTO?

Na ânsia de aprender e evoluir você vai pensar que se estudar 15 horas por dia vão te fazer o melhor músico do mundo, mas não é bem assim. Já tratamos por aqui sobre o método Pomodoro que preconiza estudo com intervalos. Varie os tempos de foco e entenda qual a melhor duração para você e se dedique nesse tempo. Muitas horas seguidas de estudo também podem gerar complicações de saúde, além das temíveis LER (Lesões por Esforços Repetitivos) que o blog SANTO ANGELO tratou aqui.

A única recomendação é que se estude diariamente, mesmo que pouco, para evitar a Curva do Esquecimento.

O QUÊ?

Sabemos bem que a Música envolve muitos aprendizados diferentes, então, defina exatamente o que estudar e não desista até concluir. Teoria, técnica, presença de palco, leitura de partitura, solfejo e assim vai. Se você escolhe um tema por vez consegue concluí-lo com mais rapidez. Ficar orbitando entre milhares de assuntos e se perder no universo de conhecimentos é bem fácil.

COMO?

O estudo será guiado por um professor ou curso (que você já escolheu nesse post)? Você vai atrás dos conhecimentos na sua estante e na internet? Compreender como se fará o seu momento de estudo ou mesmo relaxamento com a Música evita que você perca tempo buscando diversas possibilidades e acabe não escolhendo nenhuma? Não transforme sua paixão por Música no catálogo dos serviços de streaming de vídeo.

POR QUE?

Qual o motivo de você estudar Música? Hobby, profissionalização ou outro pretexto? Essa resposta também te ajuda em muito a se motivar. Se seu intuito é fazer um luau com churrasco entre amigos ao rompermos o isolamento da pandemia da COVID-19, não será necessário buscar conhecimentos sobre Pitágoras e a Série Harmônica. Vale um site de Cifras que te entregará com facilidade o que procura atendendo exatamente a razão de você estar fazendo Música.

QUEM?

É para você ou para os outros? Na minha humilde opinião é onde a Música te motiva mais: no contato com as pessoas ou no seu autoconhecimento?

Formar uma banda, fazer uma “jam session” na “live” da semana de um amigo ou tocar uma Música que as pessoas, que convivem com você mais gostam, traz alegria e consequentemente, motivação.

Um sorriso, umas palmas ou um elogio só te impulsionam mais para aprender mais. É uma motivação “terceirizada” que funciona demais.

Depois de tratarmos tudo isso, me conta: o que te motiva a continuar na Música? E o que te desmotiva? Têm feito algo para que essa desmotivação desapareça?

Dessa vez ao invés de pensarmos estritamente em conhecimento, pensemos em alteridade e empatia. Coloque nos comentários o que te motiva para inspirar as pessoas e o que te desmotiva para que nossa galera te ajude a superar as dificuldades e continuar.

Vamos fazer um círculo de carinho entre aqueles que amam a Música, sempre lembrando que juntos poderemos sair dessa fase e da próxima fase da pandemia ainda melhores que éramos quando entramos.

Afinal se você encontrar realmente a Motivação para superar todos os obstáculos de tocar um instrumento musical como hobby, vai que não muda também de profissão e comece a viver da Música?

Espero que artigo de hoje ajude você a encher seu cérebro e seus ouvidos de notas, ideias, fundamentos e Esperança. Continue sempre imerso na Música.

Até a próxima semana!

 

 

Um abraço.

Dan Souza (IG: @danhisa) é músico e profissional de Marketing, Relações Artísticas, Branded Content e Music Business, formad

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