Mundo VUCA no Music Business

Olá, querida leitora ou estimado leitor do blog da SANTO ANGELO. Tudo bom?

Nos meus posts anteriores, dediquei-me a apresentar a Música como um hobby apaixonante para quem sempre teve o desejo de aprender a tocar um instrumento musical, assim como explicar como encontrar a Motivação para seguir adiante, porque tocar vai exigir mais do seu cérebro e sistemas nervoso e muscular.

Assim, acho que consegui colocar todos vocês, gente que vive da Música e quem não vive (ainda), na mesma página para falarmos da situação apavorante que estamos vivendo no Brasil e no mundo, devido à pandemia da COVID-19 e às consequências econômicas e financeiras nos afetam.

E pelo que tudo indica, ainda vai demorar alguns meses até que tenhamos imunidade ou uma vacina disponível para voltarmos à normalidade das nossas vidas, antes da pandemia.

Só que essa “normalidade” nunca mais será como antes.

Explicando melhor: com certeza você já deve ter ouvido falar que o mundo mudou ou está mudando muito mais rápido que estávamos acostumados.

Ou será que é presunção minha achar que isso é uma certeza absoluta e universal? Ou mesmo meu achismo pode ser tão incerto a ponto de eu não ter mesmo certeza sobre o que eu acho?

Confuso esse começo? Era minha intenção.

Fiz esse leve “Inception” (referência ao filme de mesmo nome com Leo DiCaprio que no Brasil recebeu o título “A Origem” filmaço, cujo trailer você poderá assistir aqui) para mostrar um pouco do que acontece na minha mente e imagino, que acontece na sua também.

Uma torrente de dúvidas e incertezas que se prostram à frente de nossas vidas e que nos fazem saber que a única certeza é a morte.

E com o tanto de pesquisas ocorrendo buscando a Imortalidade – que de acordo com o Dr. Ian Pearson, futurologista, formado em Matemática Aplicada e Física Teórica pela Queens University de Belfasts, será atingida em 2050 – nem essa certeza teremos mais.

Nesse cenário de mudanças múltiplas e constantes, muitas delas as quais não temos o mínimo controle, é onde me apoio para aprofundarmos o tema de hoje.

Mas antes de engatarmos no conteúdo, lembre-se de se cuidar e também das pessoas (principalmente os idosos) ao seu redor e que interagem com você nesse momento de pandemia e distanciamento.

Use mascaras de pano se precisar sair de casa, ou redobre a higiene das mãos usando sabonete, água ou álcool em gel, que são as melhores armas se ficar em casa, pois são as medidas mais eficazes no combate à proliferação do novo coronavírus.

Faça sua parte para não atingirmos a tal da barbárie comentada pelo Dr. Drauzio Varella e outros especialistas.

Lembrando também que, se você não conseguir ler todo esse post, pode dar o play aqui embaixo ou ouvir o podcast do “Blog Santo Angelo” através do seu agregador favorito.

Voltando ao assunto dos cenários de mudanças múltiplas e constantes, vou te apresentar uma estratégia, muito usada pela galera profissional do mundo corporativo, e que hoje trago para o Music Business chamada VUCA (não confundir com “Vuco”, da música dos Garotos de Ouro).

O termo VUCA é um acrônimo das palavras inglesas Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity (em tradução, Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade) criado pelo United States Army War College (Colégio do Exército de Guerra dos Estados Unidos) por volta de 1987 baseado nas teorias de liderança de Warren Bennis (pioneiro no campo de estudo da Liderança Contemporânea) e Burt Nanus (professor emérito da Universidade do Sul da Califórnia).

O contexto é estratégico, porém, com base em um cenário de completa incerteza, como esse que você, eu e todo o mundo está enfrentando.

Qual é a lógica de empregarmos o VUCA no Music Business?

Eu procurei alguma referência anterior sobre esse tipo de abordagem e só o que encontrei foi esse ebook em Inglês, caso duvide da minha resposta.

Usando a linguagem militar, em uma situação de guerra, você não sabe exatamente onde seu inimigo está, qual tipo de terreno ou condições climáticas que a natureza preparou e que não foram anteriormente previstos (nem a previsão do tempo ajuda muito nessas horas).

Trazendo agora para a nossa realidade, para quem é MEI, trabalha com Música ou mesmo para profissionais de grandes corporações, os dias de hoje não oferecem um caminho à frente que possamos saber o que vai acontecer, correto?

Entendeu o acerto da analogia? Seguindo o raciocínio:

Os desafios são para todos, mas as gigantes detentoras do capital têm Caixa (reservas financeiras) para encarar com mais “saúde” esses cenários incertos.

O perigo está para os micros, pequenos e médios empreendedores, como eu e você, que precisam ser grandes heróis para superar obstáculos até agora desconhecidos, que nos obrigam enfrenta-los, dia a dia, de peito aberto.

E para transformar essa batalha em Desafiadora, ao invés de Impossível, vou tratar ponto a ponto o Mundo VUCA, trazendo os macros conceitos e depois afunilando para a nossa realidade musical:

VOLATILITY (Volatilidade)

De acordo com matéria da Forbes escrita por Jeroen Kraaijenbrink, a “Volatilidade se refere à velocidade das mudanças em uma indústria, mercado ou no mundo em geral. Ela é associada com flutuações na demanda, turbulências e pouco tempo para o mercado, sendo isso bem documentado na literatura como Dinamismo Industrial. Quanto mais volátil o mundo é, mais e mais rápido as coisas mudam”.

O mundo está líquido, como já dizia meu velhinho favorito Zygmunt Bauman, quando falava sobre a Vida. Não tem mais forma definida, ou seja, não tem mais uma fórmula antiga ou conhecida que resolva novos problemas.

Como já falei, aqui no blog SANTO ANGELO, antigamente um Pozzoli resolvia a vida do aluno, evoluindo para as aulas em VHS e finalmente a aula online e ao vivo.

Antes, ter uma sala de aula era o suficiente, aí exigiu-se mais e melhores equipamentos, depois novas formas de ensinar e mais métodos e atendimentos mais personalizados.

Quem melhor se adaptou a essa volatilidade conseguiu sobreviver, mas quem não se adaptou, ficou para trás.

Por exemplo, o mercado do Ensino Musical flutua bastante, em parte por ter o status de “supérfluo” e outra por alta oferta (muitas escolas e professores) com demanda (alunos e alunas) instável e, por causa disso, é difícil saber com exatidão os impactos que uma mudança pode acarretar.

No momento atual, com muita gente sendo obrigada a ficar em casa, a mudança foi mundial, mas sempre vemos novos aplicativos de ensino musical, ou métodos revolucionários sendo lançados, que pegam, os menos atualizados, totalmente desprevenidos.

Se você tem uma escola física de Música, ou professor de aulas online, pode acontecer que o instrumento que você ensina não faz mais sucesso como antigamente (aulas de alaúde não são as mais procuradas, que pena), ou a faixa etária dos alunos mudou e, por consequência, os interesses também.

Um case que acho interessante de analisar é o do Ukuleles, cuja aceitação cada vez maior tem substituído até a eterna flauta doce como base do ensino musical em escolas regulares.

Entendeu agora? Se os flautistas não se adaptarem, perderão o emprego, dando lugar aos professores ou professoras “ukulelistas”.

Aliás, tem percebido como cada dia tem mais mulheres guitarristas de ótimo nível aparecendo nas redes sociais da SANTO ANGELO? Sabe o que esse fenômeno pode representar na sua eventual carreira de Professor?

UNCERTAINTY (Incerteza)

A Incerteza refere-se à medida em que podemos prever o futuro com confiança. Parte da Incerteza é percebida e associada com a inabilidade das pessoas em entender o que está acontecendo. A Incerteza também é uma das características mais objetivas de um ambiente. Ambientes verdadeiramente incertos são aqueles que não permitem previsões e não tem base estatística.”

Resumindo: entenda que você não sabe o que vem à frente, que existem tantas variáveis que tudo que você tentou prever pode ir por água abaixo.

Imagine alguém que resolveu abrir um restaurante, sem delivery, em janeiro de 2020. Mesas colocadas, pessoal contratado, cardápio perfeito e na abertura: PANDEMIA.

É a hora de repensar rápido e agir ainda mais rápido para que o negócio continue em frente e não desapareça, correto?

Para o músico, a situação é a mesma?

Professores e diretores de escolas físicas tiveram que se adaptar rapidamente ao cenário online para não fechar as portas para sempre.

O mesmo aconteceu com produtores de conteúdo que gravavam em cenários externos e precisaram mudar para trabalharem em home office.

Estúdios que tinham uma equipe inteira para gravar o artista para um lançamento de álbum ou nos shows ao vivo e agora precisam colher tudo à distância com interfaces digitais e serviços de armazenamento em nuvem.

Aliás, os “hobbistas” que tinham a Música como 2ª ou 3ª atividade, perceberam que podem complementar a renda (ou mesmo mantê-la, caso tenham perdido temporariamente os empregos) dando pequenas aulas de inicialização musical no condomínio onde vivem.

Cenários assim exigem que você dê alguns passos, pare, analise, aja de acordo com o que foi analisado e continue paulatinamente. Planejar também é necessário, mesmo que seja um planejamento de curto prazo.

COMPLEXITY (Complexidade)

A Complexidade se refere ao número de fatores que nós precisamos levar em consideração, sua variedade a as relações entre eles. Quanto mais fatores, maior a variedade e maior a interconexão entre eles, logo, mais complexo o ambiente é. Sob alta Complexidade, é impossível analisar completamente o ambiente e chegar a conclusões racionais. Quanto mais complexo é o mundo, mais difícil de analisá-lo”.

Músicos, que oferecem serviços na economia criativa, tais como shows, produção de conteúdo, entretenimento, ou ensino de Música, acabam lidando diariamente com essa complexidade.

Em casos dos músicos que fazem shows, cada ambiente costumava trazer pessoas com gostos e percepções diferentes, palcos com equipamentos que, às vezes, não atenderão às necessidades, técnicos de som e luz, com abordagens singulares e até mesmo os demais músicos integrantes do espetáculo, representavam mais fatores cada vez mais complexos.

Nos professores de Música, então, nem se fala. Cada aluno tem uma peculiaridade, um ritmo de aprendizado, está em um momento de vida que gera mais ou menos motivação, depende do ambiente, da conexão de internet, do desgaste do seu próprio instrumento.

Muitos desses fatores também se adicionavam aos do professor, com variações da economia, além das preocupações com todos os alunos, métodos, entre outros assuntos.

E justamente, quando tudo parecia que estava ficando sob controle, vem o tal do distanciamento e o caos se instalou novamente (evito chamar de distanciamento social pois hoje conseguimos ainda manter nossas relações mesmo que via internet).

Ou seja, vender o seu trabalho não é só mostrar o quanto é capacitado.

Você precisa observar e acompanhar as complexidades do seu mercado, dos seus clientes, da sua estrutura e tentar agir de forma a “abraçá-las” da melhor forma possível.

Nessa hora o “feeling” (ou 6º sentido, como as Mulheres definem a Intuição) também conta muito, pois nem sempre você terá uma base sólida de informações para te ajudar nas decisões.

AMBIGUITY (Ambiguidade)

Por fim, a “Ambiguidade se refere à falta de clareza sobre como se interpreta algo. Uma situação é ambígua, por exemplo, quando uma informação está incompleta ou muito imprecisa para desenhar soluções claras. Geralmente se refere a quão vagas e imprecisas são ideias e terminologias. Quanto mais ambíguo é o mundo, mais difícil de interpretá-lo”.

Sabe quando você fala para seus pais que ACHA que vai vê-los no almoço de domingo, eles preparam um baita banquete e você não vai?

Esse é um exemplo simples que demonstra a incoerência de discurso e entendimento. Você achava que conseguiria, mas seus pais, pelo amor que têm por você, tinham certeza absoluta de que você iria.

E isso acontece muito no mercado, com empresas comunicando algo e as pessoas entendendo de formas muito diferentes.

Lembra do caso “Quer pagar quanto?” das Casas Bahia?

A comunicação era passar a ideia de coisas baratas e acessíveis ao consumidor, até alguém chegar em uma loja, comprar muitos itens e querer pagar apenas R$ 1,00. Afinal, é isso que o comercial passava.

Mas nem sempre os exemplos são negativos, e um bem legal aconteceu aqui, na

SANTO ANGELO. Você conheceu bem o cabo Killswitch, não é?

Ele foi lançado com o nome de Mute, pois a ideia era que você interrompesse o sinal quando fosse tirá-lo do jack, evitando aqueles “estouros” de alto-falantes.

Conforme as pessoas foram adquirindo o cabo, descobriram que o mecanismo de interrupção de sinal poderia gerar o tão aclamado e “TomMorelistico” efeito killswitch.

A ambiguidade gerou uma oportunidade da marca em se comunicar com o consumidor profissional, agregando mais valor ao produto.

Com o passar do tempo, o produto ganhou um plug de auto-mute e hoje se transformou na linha Tokyo.

Tome cuidado com a sua comunicação, com o que você combina, pois as pessoas, às vezes, podem entender algo completamente deturpado da ideia inicial da comunicação.

E observe o quê e como as pessoas, no final, entenderam o seu trabalho, porque, às vezes, um monte de “insights” não previstos na comunicação pode te abrir novas frentes de negócios e possibilidades que ainda não tinha imaginado anteriormente.

Após explorarmos esses 4 itens que formam a tal da VUCA, chegamos a essa conclusão: tudo está mais difícil. A imagem abaixo pode te dar um panorama:

Mas não é por estar assim que é motivo para se largar tudo e ir viver meditando dentro de uma caverna (se você for fazer isso, eu invejo você demais, pois não conseguiria).

Os desafios são maiores para a nossa mente empreendedora, para entender mais sobre nós mesmos, sobre nossas ações e reações.

O mundo de hoje cobra que planejemos, mas que também tenhamos esse espírito com reflexos rápidos, prontos a mudar, a criar caminhos diferentes e mais efetivos, a nos adaptar, a nos reinventar sempre.

É tudo que a Humanidade criou como conceitos básicos da sociedade voltando ao cerne da vida e da natureza: a evolução.

Portanto, não se prenda, não tenha medo de tentar e de errar.

A gente sabe bem que, se houvesse uma fórmula que resolvesse tudo, o mundo seria chato e provavelmente nossa vida, bem curta e depressiva.

Ah….agora que você já sabe quase tudo sobre como funciona o Mundo VUCA, eu tenho uma lição de casa: sabia que tudo o que acabou de aprender acaba de ser revolucionado por um futurologista chamado Bob Johansen do “Instituto “Full Spectrum Thinking”, com o mesmo acrônimo VUCA significando Vision, Understading, Clarity e Agility (Visão, Entendimento, Clareza e Agilidade, na tradução para o Português)?

Por isso é que te convido para pesquisar mais sobre esse tema, (aqui um vídeo que pode te ajudar) a fim de que possa compreender melhor as oportunidades escondidas nesses tempos difíceis e conseguir, assim, ter mais Paz para tocar seu instrumento musical.

Mas antes de pesquisar, me diga: quais suas impressões para o futuro da música e do seu futuro na música?

Já teve alguma situação onde estava preparado e do nada tudo mudou (não conta a pandemia que vivemos, pois essa pegou todo mundo de surpresa)?

Encontrando as respostas, compartilhe-as com a gente afim de gerar mais motivação há quem está, junto contigo, na batalha por empreender na Música.

Que as forças desse “Mundo VUCA” sejam amenas para que nos encontremos semana que vem, combinado?

Um grande abraço!

 

 

Dan Souza (IG: @danhisa) é músico e profissional de Marketing, Relações Artísticas, Branded Content e Music Business, formado pela UNINOVE.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *