Bem-vindo ao blog da Santo Angelo!

Cabos e acessórios SANTO ANGELO tem na Music Jungle
Compre já!

Música Futebol Clube

por Isis Mastromano Correia

Em continuação a nossa série de posts sobre Música e Futebol, ultimamente temos escutado muito sobre o tal legado de infra-estrutura que a Copa no Brasil nos deixará, mas, esse tema ainda é uma incógnita. No entanto, o legado que o futebol deixou pra Música é inquestionável, vasto e de uma riqueza incalculável. Com a fama de memória curta, é em sua Música que o brasileiro pode recorrer para resgatar relíquias (algumas muito curiosas) da história do Futebol ou mesmo acompanhar os caminhos atuais do esporte já que ele persiste como fonte inesgotável de inspiração para muitos compositores.

As histórias ocorridas nas quatro linhas foram contadas pelos mais diversos “narradores” como Elis Regina, Fagner, Revelação, Zeca Baleiro, grupo Olodum, Chico Buarque, Pixinguinha, Ary Barroso, Toquinho e Marcelo D2. Dessa pequena mostra de artistas tão distintos entre si já dá pra perceber o quão rico é o cancioneiro e a criatividade quando o assunto é o esporte mais popular do mundo.

Com Samba ou com Rock, a Música ajudou a contar os feitos dos maiores jogadores da história, da construção dos estádios, da história dos times e do embate entre os rivais. Em nossa pesquisa encontramos que a primeira obra musical a abordar o tema foiFoot-Ball”, de autor desconhecido, lançada pelo Grupo Lima Vieira & Cia por volta de 1912, conforme explica Assis Angelo em seu livro “A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira”.

Lá do início do século também surgiu, em 1919, Pixinguinha com seu choro “1×0” que fala do gol da vitória marcado pelo jogador Arthur Friedenreich na decisão de uma Copa América entre Brasil e Uruguai. Apesar do nome metido a gringo, o paulista Friedenreich foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro na época amadora que durou até 1933 e, seu feito no campeonato narrado na Música, lhe rendeu as chuteiras expostas na vitrine de uma loja de joias raras no Rio de Janeiro.

PIXINGUINHA – 1 x 0

Um pouco adiante, na década de 1950, foi a vez de Jackson do Pandeiro insistir na mística do placar e dizer em “Um a Um” que o empate era tão ruim quanto uma derrota, fato que os Paralamas do Sucesso ratificaram ao regravarem o sucesso que aparece no disco “Bora Bora” de 1988.

 JACKSON DO PANDEIRO – UM A UM

Dos anos 1970, em plena era de censura no regime militar, é possível pinçar uma das músicas mais conhecidas sobre futebol. Jorge Ben Jor inaugurou aquela década com Fio Maravilha, uma homenagem ao jogador do Flamengo que não era reconhecido como craque, mas, ainda assim, na boca da massa rubro-negra, foi alçada a condição de hino durante anos nos jogos do Maracanã.

JORGE BEN JOR

Na década seguinte, em 1982, ano do Mundial disputado na Espanha com a seleção brasileira comandada por Telê Santana e guiada por nomes como Zico e Falcão, tida como a mais amada e impecável da história, veio da voz de um jogador, e não de um cantor, a música que marcou a época: “Voa Canarinho” na voz de Junior, ex-lateral do Flamengo. O time daquele ano é ainda hoje considerado o mais injustiçado de todos os tempos graças aos italianos, vencedores do torneio, terem adiado o sonho do tetracampeonato do grupo tupiniquim que se mostrava tão entrosado e impecável. Na tabelinha entre Música e Futebol muitos atletas se aventuraram, tema este bastante rico e que por isso falaremos mais dele em nosso próximo post da série.

JUNIOR – VOA CANARINHO

Dando os primeiros passos nas eras atuais, não tem como deixar de falar na banda Skank e sua “É Uma Partida de Futebol”. Sucesso incontestável do grupo e trilha sonora obrigatória de qualquer mesa redonda desde 1997, quando foi lançada. A música teve o clipe eleito pela Billboard como o melhor vídeo pop no ano do lançamento e, no ano seguinte, a FIFA incluiu a canção no disco oficial da Copa do Mundo da França. O Skank é daquelas bandas super identificadas com futebol e os integrantes sempre fizeram questão de deixar isso à mostra.

SKANK – É UMA PARTIDA DE FUTEBOL

Mas nem só das glórias futebolísticas vivem as canções sobre o mundo da bola. Edu Krieger cantou “Desculpe, Neymar, mas, nesta Copa eu não torço por vocês/ Estou cansado de ver o nosso povo definhando pouco a pouco nos programas das TVs” na música “Desculpe, Neymar”, e a banda de punk rock Subviventes disse que “Eles só querem festa/ E eu quero entender/ O porque dessa festa/ Somente um é quem perde/ E quem perde é você”, em “Futebol Moderno”.

SUBVIVENTES – FUTEBOL MODERNO

Essa relação histórica entre Futebol e Música é realmente tão instigante que quem ingressa na senda de pesquisar o assunto é fatalmente engolido numa espiral tão divertida quanto sem fim! Que o diga esta humilde jornalista que caiu nessa “armadilha” ainda na adolescência e desde então tem se empenhado em descobrir letra e melodia dos hinos dos clubes brasileiros como se não houvesse amanhã!

E não estamos sozinhos nesta sina! Duca Belintani, guitarrista com 30 anos de estrada e mais novo endorsee da SANTO ANGELO, é mais uma dessas “vitimas”. Em 2002 ele foi convidado a tocar em um evento que aconteceria perto da Copa daquele ano e resolveu incluir algumas Músicas sobre Futebol. De lá pra cá, o palmeirense das seis cordas não mais desgrudou do tema.

“Já tocava Fio Maravilha nos shows, fui pesquisar tudo sobre Músicas de Futebol e descobri muita coisa legal inclusive algumas que ninguém conhece” – Duca Belintani

Em 2006, o guitarrista fez uma série de shows intitulada “Duca Belintani Futebol e Música” e, para a Copa de 2010, resolveu prestar uma homenagem autoral à seleção e compôs “Hexacampeão”. O Museu do Futebol da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no Rio de Janeiro elegeu a Música para representar o Mundial Sul Africano.

Das pesquisas de Duca, canções inusitadas surgiram como “Saci Pelelé”, que não faz parte do repertório musical “mainstream” futebolístico, e até canções gringas sobre o mundo da bola, como de uma banda portuguesa que ele incluiu nos shows.

A ideia de Duca era lançar um CD temático com sons como “Pra frente Brasil”, “A taça do mundo é nossa”, “Fio Maravilha”, “Romário” e “É uma partida de futebol”, mas, ele acredita que toda essa movimentação contra o Mundial da FIFA no Brasil deixou o mercado temeroso e a obra, por enquanto, ainda continua “sentada no banco dos reservas”.

HEXACAMPEÃO – DUCA BELINTANI

Hexacampeão, ainda bastante atual graças a seleção ter adiado a conquista do caneco na Copa passada, pode ser escutada em duas variantes como a do link acima e nesse também. A gente espera em poucas semanas cantar muito a música do Duca Belintani!

Então é isso! Não esqueça que no próximo post vamos falar um pouco da curiosa história dos jogadores que se aventuraram na Música, um talento que em nenhum caso passou nem perto do dom que cada um tem nas pernas, mas, que certamente renderam boas histórias.

Até a próxima!