Não desista da Música: auto motive-se!

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Fala pessoal, tudo bem?

No último post  aqui no blog SANTO ANGELO, eu e alguns endorsees da marca falamos sobre algumas formas que os músicos podem utilizar para continuarem estudando Música com dedicação.

No livro “Por que fazemos o que fazemos” o professor Mario Sérgio Cortella ensina que a “Motivação é uma porta que se abre por dentro”. Recomendo que leia o livro ou então, procure saber mais nesse post bem bacana do blog “Estante do Wilson”.

No entanto, será que a Música seria uma das formas de “trancar a porta pelo lado de dentro” assim como alguém, que não for músico, estiver muito desmotivado a seguir com a própria vida?

Convidamos a psicóloga e coach Priscila Azevedo Andrade para dividir, com nossos leitores, algumas dicas de como podemos abrir a porta da motivação lidando com as frustações que, às vezes, a Música nos traz.

Interessado?

Olá, meu nome é Priscila e gostaria de começar definindo alguns conceitos com todos vocês. Quem já souber, continue lendo para que possamos chegar juntos às mesmas conclusões no final desse post.

O que é Musicoterapia?

É um conjunto de práticas e saberes que utiliza a música e/ ou seus elementos (sons, ritmos, melodias e harmonia), prática realizada por profissional qualificado, a um indivíduo ou grupo de modo a promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes no sentido de alcançar necessidades físicas, mentais, sociais e cognitivas.

Como surgiu a Musicoterapia?

Estudiosos afirmam que a musicoterapia teria sido descoberta pelos nossos ancestrais, por volta da época que aprenderam a lidar com o fogo.

Ao baterem uma pedra na outra, escutaram o som que este produzia. Quando se sentiam furiosos, pegavam em duas pedras e batiam uma na outra, aliviando assim sua cólera.

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Assim, o homem primitivo procurava, através da Música, liberar os maus espíritos que afetavam suas tribos, pois para ele a Música possuía um poder onipresente, mágico e poderoso.

Já na Civilização Egípcia, a Música era um presente dos deuses exercendo influência curativa no corpo humano.

Os filósofos gregos defendiam que a Música deveria ser dada aos guerreiros para que ficassem mais bravos. Platão aconselhava, na educação musical do cidadão, a escolha dos modos dóricos e fúgios, os quais elevam a alma. 

Aristóteles por sua vez, acreditava que as audições de algumas melodias provocavam o êxtase e poderiam resolver alguns problemas emocionais.

Mais à frente, no século VI AC, o sábio Pitágoras prescrevia Ginástica e Música como elementos propiciadores de felicidade humana.

Pitágoras curava ira, medo, ambição, vaidade, violência e depressão usando Música, pois, dessa forma, ele conseguia harmonizar novamente o ânimo perdido.  

Na Índia, desde os tempos remotos, os mestres de Yoga ensinavam mantras (vibrações sonoras) aos seus discípulos, os quais, devidamente emitidos, produzem efeitos orgânicos tanto de natureza psicológica como física em diversos planos da criação dada a onipresença da vibração sonora.   

No renascimento vários livros de medicina retratam a importância do uso de Música como forma de distração dos doentes em relação ao seu sofrimento.

Por fim, em 1944, nasce o primeiro programa de Musicoterapia do mundo, na Universidade Estatal do Michigan, EUA e, no ano de 1972, surge a Musicoterapia no Brasil.

Quais os efeitos da música no cérebro?

A Música é uma atividade que envolve quase todas as regiões do cérebro e os subsistemas neurais. 

Quando uma música emociona, são ativadas estruturas da região do cerebelo e amígdala. Na leitura musical o córtex visual é a área utilizada.

O ato de acompanhar Música é capaz de ativar o hipocampo (responsável pelas memórias) e o córtex frontal inferior.

Já para a execução de música são acionados os lobos frontais, o córtex motor e sensorial.

Veja, na figura abaixo, onde ficam localizadas essas áreas num cérebro humano:

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 A Música ativa diversas regiões da massa cinzenta como o hipotálamo, que regula a temperatura, o apetite e o estado de ânimo, bem como o tálamo, que interpreta os sentidos e o hipocampo que guarda a memória.  

Ainda atua nos lóbulos parietal, temporal, frontal estimulando funções cognitivas.  Há estudos recentes verificando que o aprendizado musical tem um impacto no envelhecimento, retardando a perda de memória.

O aprendizado musical efetivamente muda o cérebro, podendo aumentar a concentração, a memória de trabalho, coordenação motora fina, além de outras habilidades que podem ser transferidas para o cotidiano e ainda amenizarem os efeitos do envelhecimento, afetando positivamente a memória.

Aqui mesmo, no blog SANTO ANGELO, que certamente os leitores mais antigos já conhecem, existem 2 posts tratando desse tema: um é esse, escrito pelo dr. Alexandre Berni e esse outro, redigido pela jornalista Isis Mastromano Correia sobre o trabalho de músicos voluntários nos hospitais brasileiros 

Assim, chegamos à pergunta que não quer calar:

A Musicoterapia pode levar a Automotivação?

Como dizia Weiten afirma: “A motivação é a energia e a orientação do comportamento, a força que há por trás da nossa ânsia por alimento, ó nosso anseio por coisas da nossa necessidade de pertencimento e do nosso desejo de realização”

Segundo Gomes e Michel “A motivação de uma pessoa depende da força de seus motivos e também das interações sociais, pois não há como aprender e apreender o mundo, não há como realizarmos nossos desejos se não tivermos o outro”

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Nos atendimentos que realizo em consultório, J. 23 anos, baixista de uma banda em ascensão, relata a dificuldade de relacionamento com os outros músicos:

“Comecei na música como atividade recreativa, ingressei em bandas para brincar e me divertir. Mas com o aumento de shows as motivações começaram a ser relacionadas aos compromissos da banda com o público e na busca pelo reconhecimento e sucesso… embora tenhamos muitos shows, cada apresentação é diferente e quando percebo que o público estava em sintonia conosco é uma satisfação indescritível.”

“Mas não me sinto mais tão motivado!”.

E ao perguntar o que sente quando toca seu instrumento J. revela:

“Não gosto de falar o que sinto!”

Ficou claro que J. tem dificuldade até mesmo de expressar em palavras o que sente e pensa e faz isso através da Música, ferramenta poderosa que vem sendo utilizada no trabalho de automotivação e autoconhecimento de J.

Relembremos que a Música pode ser tida como uma forma de expressão humana dos movimentos e sentimentos promovendo alterações que possam levar ao aprendizado e assim permite a evolução do indivíduo nos níveis intra ou interpessoal e ou grupais.

Se você se sente desmotivado como J. ou quer desistir da Música, por causa das dificuldades, algumas dicas o ajudarão…

Compreenda que o passado já se foi. Se você usa as referências do passado no presente deve estar num processo de repetição.

Aceite essa verdade: não existem pessoas fracassadas e sim pessoas que desistem. A Persistência é a maior virtude das pessoas de sucesso.

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Procure responder com honestidade: Qual o seu propósito de vida e como a Música se adequa a ele? Por que você levanta da cama todos os dias? Qual a trilha sonora da sua vida? Que músicas você tem ouvido com frequência em festas ou no seu carro? Como se sente ao ouvi-las?

Pratique a meditação, se possível entoando mantras (ajuda a mudar a frequência vibracional) ou se preferir use sons binaurais (há uma infinidade de vídeo disponíveis no YouTube ).

Relacione-se com pessoas da área da Música, amplie seus contatos e logo as oportunidades aparecerão.

Não fique reclamando, falando mal das pessoas e compartilhando negatividades, pois isso consome muita energia! 

Inspire-se em pessoas de sucesso, leia histórias de superação afinal todos nós temos grandes desafios e superações ao longo da vida.

Caso nenhuma dessas alternativas não funcionar, procure um profissional qualificado para ajudá-lo a superar suas dificuldades.

Então pessoal, vamos refletir sobre tudo isso e comentar? Você também pode compartilhar esse post com algum amigo que precise ou então, tirar suas dúvidas diretamente com a Priscila ou através das redes sociais da SANTO ANGELO, combinado?

Abração e até a próxima.

Priscila Azevedo Andrade é Psicóloga e Coach com especialização em Musicoterapia e Desenvolvimento Humano. Contatos: primorro@gmail.com e WhatsApp :+5511 984245102