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Pouca idade, muito talento

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por Isis Mastromano Correia

Em 1958 um jovem guitarrista americano de 16 anos, de nome James Marshall Hendrix, se empenhava em ouvir seus discos de blues para imitar os sons na guitarra, na raça. Sem televisor, sem revistas especializadas e tampouco sem escolas de música, Jimi Hendrix foi totalmente autodidata assim como muitos de sua geração. Será que hoje Hendrix passaria horas trancado no quarto, sozinho, se esmerando em tutorais de guitarra pela internet com direito a som e imagem, tudo tele-guiado e com direito à tira-dúvidas  em tempo real?

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A resposta provavelmente seria sim a julgar pela meninada que hoje dá seus primeiros passos no instrumento e foi lembrada no 2º Concurso SANTO ANGELO Curando Seu Improviso Gospel na categoria “menor de 18 anos”.

Consagrado como o maior guitarrista de todos os tempos Hendrix e toda sua geração – os baby boomers, pessoal nascido em meados de 1946 e 1964 e que levam esse nome por terem nascido numa época de explosão da natalidade com o término da Segunda Grande Guerra – não puderam contar com a facilidade de imagens da TV, pouco com revistas especializadas em musicalização e com acesso altamente limitado a escolas de música, um cenário inimaginável para os garotos de hoje.

Infográfico – Gerações

Filhos de um período de crescimento econômico, baby boomers como Jimmy Page, Ritchie Blackmore e companhia idealizavam a construção de um novo mundo no pós-guerra. Tanto conseguiram que continuam como expoentes da guitarra e não é raro ainda definirmos a história do instrumento em antes e depois deles, com Hendrix esfregando as cordas nos dentes e nas costas e Brian May construindo a sua própria na pré-adolescência.

Até chegarmos a era atual do aprendizado da Música, muita corda se quebrou no meio do acorde! A primeira escola de música contemporânea foi a Berklee College of Music fundada nos anos 1960 com o primeiro curso de guitarra com currículo e proposta definida. A instituição foi pioneira na elaboração de cursos de bacharelado em música popular desde sua fundação em 1945, quando os professores adaptavam os currículos eruditos para a música popular. Figura de destaque no estudo da guitarra, William Leavitt, guitarrista atuante em grupos de jazz, foi organizador do currículo da  Berklee e publicou uma série de livros e estudos para o instrumento.

Ai a coisa começou a mudar e o pessoal dos anos 1970 aos 2000 experimentaram uma avalanche de publicações direcionadas à Música, a introdução em larga escala da guitarra no mercado, a popularização do ensino por professores e a facilidade das vídeo-aulas em fita cassete e posteriormente DVD.

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Interessantemente, os meninos da geração Y e Z – nascidos no fim da década de 1990 em diante – continuam autodidatas como Hendrix, mas são nativos digitais. Sob a batuta das novas tecnologias, o aprendizado da Música tem fluído melhor para os que a tem na veia.  Mas, como as informações surgem numa progressão geométrica e circulam a uma velocidade e tempo jamais vistos antes, o conhecimento tende a ficar cada vez mais superficial, por isso, quem escolheu a canção como caminho há de ter muita disciplina.

Nascidos no auge da pujança econômica e tecnológica, eles não deixam o amor e o gosto pela Música de lado em troco do excesso de tecnologia, pelo contrario: ela virou grande aliada com aplicativos para smartphones, programas dedicados para computador, tutoriais em vídeo, sites e uma infinidade de ferramentas.

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Keyfer Correa, de 16 anos, de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, vencedor da categoria menor de 18 anos do Concurso Cultural SANTO ANGELO Curando Seu Improviso Gospel é expoente dessa geração. Ele toca desde os 10 anos e explica que a base de sua musicalização vem fundamentalmente do estudo do modo de tocar dos guitarristas Steve Vai e Joe Satriani.

Keyfer conta ainda que já participou de outros concursos SANTO ANGELO sem ser premiado, mas, graças a sua persistência, dessa vez, o titulo veio a seu favor.  “Eu não sei ainda sobre meu futuro, mas, meu sonho é viver de música. Esse é meu gosto desde os 13 anos e mantenho a meta até hoje”, diz.

Isaac Galvão Pessoa, 17 anos, de Juazeiro do Norte, no Ceará, toca há três anos e traz na bagagem gente como John Petrucci, Jota Alves e Paul Gilbert. “Sempre procurei estudar por vídeo aulas e apostilas e foi nessa busca por materiais de estudo que comecei a traçar meu caminho”, diz. “No concurso, quis mostrar um pouco do que tenho estudado e foi muito proveitosa a experiência”, afirma.

O mais jovem dos destaques da categoria foi Anselmo Setti, 13 anos, de Sapiranga, Rio Grande do Sul. Ele toca desde os 10 anos e é mais um que aponta o ídolo da guitarra gospel Juninho Afram como inspiração além de The Edge, do U2. Assertivo, Anselmo conta que decidiu participar do concurso para testar sua performance. “Desde que comecei a tocar guitarra sempre pensei em ser profissional e viver de música. Continuo com esse sonho e espero que se realize”.

Deu pra perceber que a história do aprendizado da Música evoluiu muito e quem sabe o que ainda vem por ai?

Você lê mais sobre a prática e o ensino da música nos próximos posts.

Até lá!