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Roadie de Áudio: Nos bastidores dos shows

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Olá pessoal, tudo bem?

Como prometido, esse post é uma continuação da opção “Roadie” para quem tem aptidão e deseja viver da Música de maneira não convencional.

Se ainda não leu ou deseja relembrar os detalhes da profissão, clique aqui, e de quebra conheça a história do Shin-Iti Riccelli Ikehara, músico e Roadie de bandas.

O Roadie, ainda que com certo atraso, está ganhando o seu espaço definitivamente dentro das profissões musicais.

Afinal, seu trabalho é indispensável para qualquer show, sendo responsável pelos instrumentos musicais dos artistas, equipamentos de áudio, luz e cenografia e, em alguns casos não raros, até pela passagem do som.

Assim, se você se interessa em seguir como Roadie ou está no início de carreira, dicas de profissionais experientes são bem-vindas, não é mesmo?

Sempre é bom aprender com que já passou por situações difíceis e superou todos os desafios.

Como não sou nem pretendo ser a dona da verdade, escolhi, para ilustrar ainda mais o nosso conhecimento, reproduzir a matéria do Jornal Em Dia, escrita pela jornalista mineira Cinthya Oliveira sobre a importância do profissional de Roadie.

Prontos para aprender mais?

Você vai a um show, vê seu artista favorito, canta, dança. Observa os músicos que estão no palco e percebe como todos ali estão contribuindo para que o público vivencie um momento especial. Mas para que aqueles artistas pudessem estar ali, há uma turma trabalhando nos bastidores para que nada saia errado e o som seja o mais perfeito possível.

Quem está ali atrás do palco, cuidando dos instrumentos, cabos e parafernália técnica é o Roadie. Um profissional fundamental para o mundo do show business, mas que o público pouco conhece.

Um dos profissionais da área mais requisitados no mercado cultural belo-horizontino é Marco Antônio Ratho. Após trabalhar como roadie por 12 anos para o Skank, hoje ele atua como coordenador de palco, atuando em nome da harmonia entre os vários técnicos que trabalham na realização de um show. “O coordenador é o cara que organiza o palco para a troca das bandas. No Festival de Gastronomia de Tiradentes, um menino me perguntou porque usava tantas fitinhas de cores diferentes. Cada uma é a marcação para uma banda”, explica Ratho.

Ele também percebeu uma demanda do mercado e abriu uma empresa de “locação backline”, ou seja, aluguel de equipamentos e instrumentos para shows, especialmente aqueles feitos por artistas que vêm de outras cidades. “Esse é um trabalho em que tem de saber um pouquinho de cada coisa. Você pode ser um técnico só de guitarra, por exemplo, mas o mercado fica muito restrito para esse profissional”, diz.

Aos 60 anos de idade, Ratho afirma ter de lidar com novidades a cada evento. “Recentemente, fiz o palco para o Barbatuques, que usa apenas os sons do corpo e da voz. A sonorização foi totalmente diferente”.

Início precoce

Boa parte dos roadies começam a carreira muito cedo. Caso de Marcelo Supla, que deu seus primeiros passos aos 14 anos, acompanhando a banda da igreja que frequentava. No ano seguinte, veio o primeiro desafio profissional: acompanhar a banda de baile do pai de um amigo.

“Foi uma experiência única. Não me esqueço do frio na barriga quando anunciaram a banda, da dúvida se estava tudo certo, se estava tudo afinado, se a água e repertório estavam distribuídos e se realmente estava pronto para resolver qualquer imprevisto que poderia acontecer. Mas tudo ocorreu como planejado e, antes de chegar na metade do repertório, já estava mais calmo e tranquilo”, conta Marcelo, de 30 anos.

Segundo ele, há vários pontos fascinantes em sua profissão, como trabalhar diretamente com um artista que admira ou acompanhar o início de um grupo ou projeto e poder ajudar com sua experiência até a primeira apresentação. “Também gosto de sentir a energia de um espaço lotado com um público fervoroso e de poder vivenciar experiências profissionais e pessoais em diferentes lugares do Brasil e do mundo”, diz Marcelo.

Psicólogo

Dificilmente um roadie planejou ter essa profissão na juventude. A paixão pela música e a oportunidade que aparece, meio sem querer, costumam ser as motivações iniciais.

Humberto Lapinha trabalhava em uma empresa de áudio no início da fase adulta. Não demorou muito para que um cliente fizesse o convite: “por que você não vem trabalhar com a gente?” “Fui gostando do trabalho e, aos poucos, fui me desligando da empresa de áudio e aderindo ao trabalho com banda”, conta Lapinha, que foi roadie de César Menotti e Fabiano (na época em que a dupla começou a deslanchar), Pato Fu (por sete anos) e Paula Fernandes (por quatro anos).

Para trabalhar com artistas de perfis tão diferentes, é importante ter inteligência emocional. “Roadie é um pouco psicólogo. Demorou um pouco para eu entender essa questão. Quando você trabalha para uma banda de seis pessoas, vivencia seis situações diferentes”, conta Lapinha, acrescentando que há sempre muita troca de informações entre músicos e roadies sobre novas tecnologias que podem ser usadas nas apresentações.

Mas toda profissão tem seu lado ruim e a do roadie é ter uma agenda movimentada. “Por muitos anos, não participei de Natal e Réveillon com a família”, lembra.

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Planejamento

Filho de ator, Luis Nicéas teve contato com o teatro e a música desde muito cedo. Assim que surgiu uma oportunidade de trabalhar no universo artístico, a agarrou e transformou em profissão. Aos 19 anos, ele aceitou ser roadie da banda de baile Lex Luthor e viajou todo o Estado acompanhando a banda. “Foi um bom lugar para aprender. Trabalhei com a banda por dois anos e meio”, lembra.

O auge de sua experiência profissional aconteceu quando foi trabalhar com a cantora Paula Fernandes. Ao trabalhar com uma artista que atua em grandes palcos, ele sentiu necessidade de aprender mais. “Foi uma experiência que me deu uma visão mais ampla da profissão. Pude sair do país, viajar o mundo. Não há muitos cursos voltados para roadies, mas aproveitei para fazer um curso no Rio de Janeiro, no IATEC (Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação)”, diz. 

Embora as pessoas só vejam os roadies em ação na hora do show, ajudando na dinâmica do palco, o trabalho tem início muito antes. Normalmente, é o roadie quem cuida da afinação de instrumentos e equipamentos na passagem de som e todos os detalhes técnicos anteriores, dialogando com os responsáveis pela luz e pela mesa de som. 

“Trabalhamos para não ter nenhum problema no palco, de forma preventiva. A profissão envolve um planejamento muito grande”, afirma Luis. A parte delicada é lidar com egos dos artistas. “Em festivais, atuamos com egos bem diferentes. Mas os artistas já estão entendendo que, em um festival, eles são a parte de um todo e não adianta chegar e impor condições”.

Se quiser ler essa matéria no original é só clicar aqui. Mas antes um aviso:

Ainda não acabei o post!

Reforçando que não quero ser a “dona da verdade”, convidei o Paulo Pollon, técnico de áudio, empresário e produtor musical, para que nos contasse mais sobre os desafios da área dos roadies mais avançados: aqueles que operam o som.

Vamos lá?

SANTO ANGELO: Quem é o Paulo Pollon? Por que escolheu se tornar um técnico de áudio e produtor?

PAULO POLLON: Um apaixonado por música, arte, tecnologia e áudio. A música esteve sempre presente na minha vida, desde pequeno quando tocava violão e depois fui permeando outros trilhos: guitarra, bateria até chegar ao áudio profissional.

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Acredito que o áudio é um jeito diferente de se fazer música, pois ferramentas tecnológicas estão acessíveis a todos, a grande sacada é como você usa isso.

Tenho um estúdio de gravação em Guarulhos/SP e sei como é importante a participação do técnico na mixagem, do produtor na pré-produção e do músico na hora da execução na gravação em si.

SA: Com quem você trabalha (ou já trabalhou) como técnico de áudio?

PP: Já trabalhei com Luiza Possi, Agnaldo RayolGustavo Di PaduaRodrigo BurottoDuca BelintaniNelson da HoraLeandro Ramajo, Thais Andrade,  Marcinho EirasJunior XanferOzielzinhoCarlos Maranhão, Marcelo BarbosaKleber K ShimaMichael PipoquinhaMauricio AlabamaStephanie Klassa, entre outros artistas.

No meu estúdio de gravação e produção musical em Guarulhos, junto ao meu sócio Tiago Pollon, realizamos projetos de bandas independentes e de gravadoras, de vários estilos, gospel, sertanejo, rock, pop, entre outros.

SA: Quais são as competências comportamentais e técnicas necessárias para ser um técnico de áudio? Você considera a constante atualização importante?

PP: Acredito que um técnico de áudio precisa ter a mente no lugar e estar sempre no controle da situação.  Ele precisa estar pronto para qualquer tipo de problema que possa aparecer antes, durante e depois do show ou gravação.

Por exemplo, se você fica nervoso ou preocupado, na hora de qualquer problema, o próprio artista que está no palco sente essa insegurança e isso pode comprometer o espetáculo. Temos também a plateia, que fica ansiosa e apreensiva quando algo de errado acontece no caso de um show.

No estúdio, você precisa ficar esperto para captar o artista naquele instante e obter os melhores momentos, evitando possíveis problemas ou o retorno para refazer o trabalho.

Lembrando que é muito importante estar atualizado com as novidades do mercado e estar sempre reciclando seu conhecimento com workshops, cursos e seminários.

SA: Em sua opinião, o que o profissional deve buscar para alcançar a ascensão na área do áudio profissional?

PP: Acho que em primeiro lugar o conhecimento técnico. Estudar muito, pois não estamos falando apenas de música, estamos falando de física, matemática, engenharia e tecnologia.

Já vi alguns shows de artistas serem comprometidos por conta de uma má disposição de caixas acústicas e estúdios com equipamentos e microfones top de linha, porém muito mal utilizados para gravações.

O conhecimento musical para mim é necessário. Se você toca um instrumento ou estuda música você consegue entender melhor as dificuldades do músico e saber exatamente o que ele vai precisar para fazer um show ou gravação. Isso evita aquelas situações onde ninguém se entende, parecendo que o técnico fala Inglês e o músico ou músicos falam Português.

Mas já conheci muitos técnicos de áudio bem preparados e muito qualificados que não tem noção nenhuma em música e, mesmo assim fazem um trabalho excepcional. Claro que estes são casos raros.

SA: Você já passou por alguma situação embaraçosa durante a montagem do som (seja ele estúdio ou show)?

PP: Sim, mas não foi durante a montagem, foi no próprio evento.

Estava sonorizando uma palestra na feira AES 2010, juntamente com uma empresa, e havia dois palestrantes, cada um com um microfone.

Quando, de repente, um deles aponta sem querer o microfone diretamente para o PA (Public Address ou Caixas de Som) e uma enorme microfonia se formou. Foi tudo muito rápido e eu não consegui fazer nada a respeito e, logo após isso todo mundo se vira para o fundo da sala (onde eu estava com a mesa) olhando com uma cara “O que esse cara fez?”, “O que está havendo?”.

É complicado, mesmo quando a culpa não é sua, ela sempre será sua (rs)

SA: O que você considera melhor: trabalhar dentro de um estúdio ou acompanhando bandas?

PP: Eu prefiro dentro de um estúdio. Mas isso é gosto.

Fazer ao vivo é algo muito complicado, pois há muita interferência externa que prejudica o seu trabalho e você acaba tendo que aceitar ou se desdobrar em cima dessas deficiências. Em estúdio você pode manipular o som da forma como você quiser, desde que seja uma sala muito bem tratada.

É claro que se você pegar gravações malfeitas de terceiros para mixar realmente não é legal. Mas ainda sim dá para dar um jeito.

Sem falar que o ao vivo, influi em muitas viagens o que acaba estressando bastante.

SA: Qual mensagem você deixa para quem almeja seguir a carreira de técnico de áudio?

PP: A primeira coisa é: você tem que curtir… Mais do que isso, você tem que amar, porque é um trabalho estressante e desgastante onde tudo pode dar errado em questão de segundos, e ai você terá que estar pronto.

Em segundo: você tem que saber exatamente o que você está fazendo, não da pra fazer “mais ou menos”, porque tem muita gente na equipe que depende 100% de você, por isso o preparo e conhecimento é muito importante.

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Em terceiro: o trabalho em equipe é fundamental. Você tem que trabalhar junto com o artista e outros profissionais que estejam envolvidos no projeto, para que tudo possa ocorrer da melhor forma possível.

Por fim, desejo muita sorte na jornada e bons estudos!

Obrigada Paulo Pollon por dividir conosco sua trajetória profissional, desejamos ainda mais sucesso e reconhecimento da sua carreira.

Mas, você está pensando que a profissão de Roadie é dominada por homens , felizmente você está está enganado. O mercado está repleto de mulheres que batalham diariamente com suas bandas em busca do melhor som para o seu público.

Incentive suas amigas e familiares! A música é para todos, sem qualquer distinção por gênero.

Ficou curioso para saber detalhes do dia a dia profissional de uma Roadie. Acesse na íntegra a entrevista com Karrie Keyes  que atuou como roadie da Banda Pearl Jam durante mais de 24 anos.

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Bem, pessoal, acho que é hora de finalizar o post, mas sempre lembrando que qualquer dúvida sobre o tema, procurem comentar aqui no blog ou nas redes sociais da SANTO ANGELO. Evidenciando

Abraços e até a próxima!

Lygia Teles, é Relações Públicas e pós-graduanda em Gestão de Marketing pelo SENAC-SP. Desde janeiro/16 integra a equipe de Marketing e Comunicação da SANTO ANGELO.