Lições da Pandemia: Além de tocar você faz o quê?

Olá versátil leitora e mutável leitor, tudo bom?

Para vocês, assíduos leitores do blog SANTO ANGELO, avisamos para irem se acomodando nas carteiras, com o devido material pronto, porque lá vem mais uma lição da “teacher” Pandemia.

Mas se está chegando agora, pare um pouco para ler esse e um outro post a fim de se atualizar com a turma que já sabe as lições anteriores.

Feito isso e antes de começarmos, queríamos te cumprimentar caso tenha conseguido, nesses últimos meses, viver 100% focado (e devidamente remunerado) dando aulas ou em outra atividade musical, porque muito poucos músicos, homens e mulheres, conseguiram isso, infelizmente.

Afinal, nem todos têm o dom da Didática para viverem bem de aulas online, como tratamos nesse post  que foi dedicado ao surgimento de centenas de novos professores ligados à Educação Musical, muitos deles assíduos membros dos grupos que a SANTO ANGELO mantem no Facebook.

Portanto, o que você vai ler daqui em diante, retrata como a vida de muitos dos nossos colegas foi afetada negativamente pela pandemia, devido às provações que lhes foram impostas durante os últimos meses de isolamento, fazendo com que se reinventassem e se adaptassem a novas funções nunca antes sequer imaginadas.

Mas não pense que estamos falando dos “uberistas”, uma função mista de motorista de aplicativo com bateristas (que também poderiam ser guitarristas, violonistas, baixista, etc), tratada nesse post de 2018, bem anterior ao surgimento do novo coronavírus.

Hoje nós vamos falar sobre o fato de que as pessoas precisaram abandonar temporariamente suas carreiras musicais para que pudessem manter seu cotidiano funcionando, pagando suas contas e adotando atividades completamente novas e alheias à Música.

Pensando nesses profissionais da sonora arte que “pivotaram” (termo que as startups usam quando mudam o plano de negócios), não consigo invocar outro artista que não seja nosso saudoso “Raulzito”, na famosíssima “Metamorfose Ambulante”:

“É chato chegar a um objetivo num instante

Eu quero viver nessa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Como Raul Seixas, nós, músicos ou candidatos a viver da Música, no geral precisamos ser “camaleões” o tempo todo, seja repensando novos estilos musicais, seja aprendendo sobre outros assuntos correlatos à Música que não se relacionem só as técnicas do bem tocar.

Você que acompanha o blog a bastante tempo sabe que, por aqui, a gente reforça conhecimentos que nem sempre estão ligados ao digitar as notas no braço do instrumento. 

Já passamos inúmeras vezes pelo marketing digital, falamos há pouco sobre os segredos da mente, trazemos updates de tecnologia e plataformas para que seu conhecimento, ou suas músicas, cheguem aonde você imagina que devam chegar.

E já que você parou para pensar onde quer chegar, que tal agora continuar ligado no conteúdo de hoje, ouvindo-o no formato de podcast? Clique na imagem abaixo, que vai te levar direto para o Spotify, onde também encontrará mais de 70 outros temas igualmente interessantes.

Esses mais de 70 podcasts, além de todo nosso  esforço aqui no blog SANTO ANGELO e da sua “batalha” no dia a dia musical (que eu sei bem o quanto você deve “transpirar” figurativamente para atingir seus objetivos), são para chamar a atenção sobre os revezes ou imprevistos que sempre podem ocorrer, ainda mais em um cenário incerto, típicos do Mundo VUCA.

Assim, ao ler nossos posts, você obriga sua Criatividade a fazer constantes evoluções e revoluções, para que sua força de vontade, por tabela, também o obrigue diariamente à continuar seguindo em frente.

Uma matéria, publicada no G1 em meados de maio de 2020, me chamou a atenção e, enquanto lia, passava na minha cabeça o quanto a história da cantora profissional Giovana Guastaldi e do DJ Alex Sandini se parece com a minha história e com a de muitos outros músicos espalhados pelo Brasil.

Na reportagem (que você pode ler nesse link), depois do fechamento dos bares e casas de show, devido às diretrizes de não aglomeração de pessoas, tanto a Giovana como o Alex, que faziam inúmeros eventos semanais, foram obrigados (como todos nós) a ficar em casa, sem renda e nem trabalho.

Apesar do auxílio emergencial, ainda faltava dinheiro para complementar as finanças de casa e, por isso, cada um deles se metamorfoseou utilizando conhecimentos anteriores ou mesmo aprendendo um novo ofício.

No caso da Giovana, a confeitaria foi a saída. Com certeza, você conhece alguém (independentemente de ser músico ou não) que nessa pandemia começou a fazer bolos e doces deliciosos para vender pelo IFood, no sistema delivery, certo?

 

Para o Alex, fez mais sentido aprender a fazer pratos salgados, como as batatas recheadas (que segundo ele diz, estão fazendo um sucesso estrondoso) e vender utilizando suas próprias redes sociais, além de contar com apoio da esposa. Também já ouviu outras histórias assim, né?

Nesse momento, eu peço emprestados seus olhos/ouvidos para contar um pouco da minha história, porque há muito tempo trabalho com marketing, além de sempre tocar com minha banda, em eventos de cultura japonesa e alguns bares mais ocidentais.

Com a pandemia a banda se desfez porque 2 dos integrantes trabalhavam apenas com Música e o outro morava muito longe, à ponto de tornar inviável o deslocamento. Nesse momento, entendendo o cenário que estava se formando, comecei a variar minhas ocupações.

Como sou formado em Gastronomia, voltei ao fogão e realizei algumas vendas de doces, mas nada o suficiente para suprir a renda que conseguia com as apresentações da banda. 

Com a falta de tempo disponível, porque vida de empreendedor individual não é fácil, pensei até em para de tocar definitivamente, mas as 4 cordas sempre me chamaram de volta.

Entre uma entrega e outra, notei uma movimentação muito forte do mercado de moda (já que presto serviço para uma agência de Marketing nesse segmento) buscando construção de sites para e-commerce. 

E lá fui eu estudar plataformas, formas de desenvolver sites, melhores práticas e muitos outros conhecimentos (e te digo: achei quase tudo gratuitamente no Google e no Youtube).

Para minha surpresa, quase todos os meus novos clientes entraram nesse movimento, o que foi surpreendente e me deu muito trabalho e um fôlego financeiro interessante (afinal, as contas nunca pararam de chegar). 

Com essa mudança, consegui também me dedicar a fazer meu próprio podcast, aprender e ao mesmo tempo, também narrar o podcast do Blog SANTO ANGELO. 

Precisei estudar storytelling, softwares de edição e tratamento de áudio e é claro, todas as temáticas que desenvolvemos por aqui para que você esteja cada vez melhor informado.

Depois desses parágrafos, será que você não passou por experiências ou funções similares?

Tenho certeza que meu relato se soma a um sem número de profissionais da Música e nisso incluo também aqueles que trabalham indiretamente, tais como produtores, roadies, sidemen e até o pessoal do catering (quem leva a comida).

Sim, muita gente teve que se readequar e essa atitude não é vergonhosa para ninguém.

Tomarei como exemplo alguns músicos conhecidos da galera da SANTO ANGELO, começando pelo Alexandre Magno, que tem bastante conhecimento em programação e TI, sendo uma ótima saída caso ele precisasse viver nessa função, mesmo que temporariamente. 

O Bruno Palma é Engenheiro Mecânico de formação, logo, se ele precisasse variar, teria essa outra possibilidade. 

O Ernani Júnior tem sua agência de publicidade, talvez uma ocupação bem rentável, caso a música não estivesse dando frutos, assim como o Ricardo Giuffrida , que é dos bons psiquiatras paulistas, o Maurício Alabama é modelo fotográfico… (brincadeira, hein Maurício? kkk).

 

Esses casos que citei e muitos outros mostram que, ser músico, é muito mais do que o conhecimento de escalas, técnicas e história. 

Tem a ver com a versatilidade de conhecimentos, com a possibilidade de sair por um tempo da trilha e mesmo assim, voltar sem ter se perdido porque, como escreveu Guimarães Rosa: “o correr da Vida embrulha tudo”.

A condição do mundo desde março de 2020 obrigou-nos a reinvenção, a desistir, a insistir ou mesmo a adiar, o que pode ser muito benéfico para todos nós, porque o desafio de mudar completamente de carreira faz com que cresçamos pessoalmente e profissionalmente.

O importante é não deixar Música de lado, mesmo que ela se torne, assim como se tornou para mim, um hobby para fazer um pouco por dia. Se você precisou fazer isso e ainda conseguiu incluir a Música nessa nova empreitada, você tem um fã (imagino até que mais).

Lembrando novamente: não é vergonha nenhuma entender a situação e adiar, ou mesmo deslocar, a Música do seu dia a dia. 

 

Não abandone a Música, porque ela nunca o abandonará.

Pensando na metamorfose, que é extremamente custosa energeticamente para nosso cérebro e sentimentalmente carregada para nossos corações, é que temos um panorama do que é necessário ser feito para que continuemos vivendo e galgando os degraus dos nossos sonhos.

Agora, aproveitando essa abertura de corações, nós te perguntamos:

Conseguiu e acredita que conseguirá manter-se na Música (afinal, a Pandemia não cedeu ainda) até que tenhamos vacinas e possamos frequentar aglomerações de mais pessoas?

Se não conseguiu, qual foi a função, ocupação ou atividade que assumiu além de tocar?

Como foi superar os desafios dessa nova área e ao mesmo tempo o sentimento, em certo grau amargo, de deixar a Música de lado por um tempo?

É comentando aqui no blog e nas mídias sociais da SANTO ANGELO que a gente, além de aprender com as experiências dos outros, criamos esse senso de união que tanto precisamos como músicos. 

Vai que nessas novas ocupações você ainda consiga vender seu produto/serviço ou mesmo contratar alguém que faça algo que você esteja precisando?

Arriscamos chamar isso de “networking generoso”, onde compartilhamos tudo que é edificante para uma base cada vez mais forte de amizade e sabedoria.

Sabendo com certeza que não nos desviaremos da rota da saúde e do conhecimento que propomos sempre aqui, esperamos por você na semana que vem.

Um abraço!


 


Dan Souza
(IG: @danhisa) é músico, podcaster (IG: @somnascentepod), profissional de Marketing, Relações Artísticas, Branded Content e Music Business, formado pela UNINOVE.

PODCAST
Effects: Activision, Globo, Microsoft, NBC Sound Archive & Youtube (Arquivo CC).
Music: “Beautiful Dreamer” de Glay, “Change the World” de Eric Clapton, “Metamorfose Ambulante” de Raul Seixas, “MUSIC” de SID, “S” de SID & “Wind of Changes” de Scorpions.

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