Lições da Pandemia: Quando se desconectar?

Olá conectada leitora e webleitor, tudo bem?

Você já ouviu falar ou se lembra da MTV, uma rede de televisão, que fechou em 2013? 

Se já a conhecia, provavelmente passou sua adolescência acompanhando programas icônicos, músicas quase infindáveis e a ansiedade de ter o clipe que você gostava nas paradas do dia (gastando às vezes boas somas em dinheiro ligando para votar). 

A emissora contava com vários comerciais educativos, psicodélicos e às vezes, sem fundamento, mas um deles, chamava a atenção: Uma barulheira irritante tomava conta da TV enquanto o locutor ordenava:

“Desligue a TV e vá ler um livro”

Era minimamente interessante ver uma rede de TV insistindo para que você saísse da audiência voluntariamente e deixasse, por uns instantes, a tela desligada. 

Esse incentivo teve um “revival” em 2015 encabeçado pela locadora vermelha, a Netflix, com a mesma pegada, porém, sem o sucesso que tinha feito em sua predecessora.

Usamos esse exemplo porque, à época, quem prendia nossa atenção eram os “tubos mágicos coloridos” que pesavam cerca de 30kg no tamanho de 21 polegadas (uma com tela de 43 polegadas, hoje em dia pesa cerca de 8kg). 

A briga em casas que tinham apenas um televisor era forte e a família toda sentava-se para assistir algum programa (normalmente escolhido pelos pais ou pessoas mais velhas da casa).

A parte boa era que, em um dado momento, o “power off” do controle era apertado e a TV desligada ou as emissoras simplesmente interrompiam sua programação (sim, até meados dos anos 90, os canais abertos paravam para “descansar” depois de um certo horário).

Se levarmos em conta que a TV era o nosso atual “online” e vida das pessoas, o “offline”, existia até que um bom equilíbrio entre estar ou não “conectado”.

Isso mudou bruscamente quando as telas foram parar nos nossos bolsos.

Pensando nisso, relembramos a música “Epitáfio” dos Titãs, que apesar de levemente mórbida traz uma parte para usarmos como reflexão deste post:

Devia ter complicado menos

Trabalhado menos

Ter visto o sol se pôr

Devia ter me importado menos

Com problemas pequenos

Ter morrido de amor

Quando foi a última vez que você apreciou um pôr do sol, sem sacar o celular para tirar uma foto?

Quando foi a última vez que você se entregou ao amor, sem ser interrompido por uma notificação da sua rede social preferida?

Enquanto estiver pensando nas respostas, lembramos que você poderá escutar este e outros conteúdos do blog SANTO ANGELO também no Spotify, clicando (e nos seguindo) na imagem abaixo, ou qualquer outro agregador de podcasts que preferir.

E já que se lembrou de tudo o que perdeu por estar sempre ansioso sobre o seu próximo movimento online, sugerimos que leia nosso post anterior sobre a “nova professora” que resolveu tomar conta do nosso blog.

Você já deve ter adivinhado que, a partir desse momento, entramos em mais uma das “Lições da Teacher Pandemia” sobre o quanto o amálgama de estar online e offline pode afetar nossas vidas (e saúde) em tempos de reclusão, até que a vacina da COVID-19 seja testada, aprovada e autorizada pelas nossas autoridades.

Não há dúvida de que, desde março de 2020 até quando essa vacina chegar e imunizar as pessoas, estamos cada dia mais conectados à internet e todos os seus subprodutos. Neste caso, como toda lição a aprender para seguirmos em frente, existem pontos a serem analisados tanto para o Bem como para o Mal.

Um dos pontos do Mal, chamado de F.O.M.O., circunda àqueles que têm seus smartphones, cheios de aplicativos de mídias sociais, quase grudados à sua fisiologia. Se for do seu interesse, deixe um comentário para que tratemos com mais profundidade, em um post futuro, sobre o Medo de Ser Esquecido (a tradução de Fear Of Missing Out, ou F.O.M.O.).

Essa proto-extensão tecno-biológica do nosso corpo faz com que a vida seja quase que inteiramente dependente desse aparelhinho produzido por gigantes de tecnologia. 

Se não está convencido disso, vamos dar alguns exemplos e temos quase certeza de que você se encaixará em um deles:

  1. O despertador do seu dia é o celular? 
  2. Ao abrir os olhos, o que faz primeiro? Levanta e escova os dentes ou checa as mensagens do Whatsapp ou as notificações das redes sociais? 
  3. Sua primeira conversa do dia é com algum familiar, vizinhos, amigos ou respondendo ao Whatsapp / Telegram? 
  4. Na ida ao trabalho, usa os caminhos de cabeça ou segue as dicas do Waze? 
  5. No almoço, conversa com colegas de trabalho ou joga / ouve / assiste algo no celular? 
  6. Ao final do dia, no sofá, todo mundo bate um papo na sua casa ou cada um fica com o smartphone na mão e fones de ouvidos vendo algo “personalizado”?

Se você passou ileso nessas, sem se ver em nenhuma dessas situações, receba nossos sinceros parabéns!

Esses tópicos ilustram o quanto o “Desliga a TV e vai ler um livro” é mais atual do que nunca, com suas devidas adaptações à época que estive lendo este post.

Não seremos hipócritas em dizer que as redes sociais e a internet são o Mal do milênio (se você viu “O Dilema das Redes” no Netflix, sabe do que estamos falando), mas que elas podem exercer (muito) controle sobre o seu dia a dia, isso sim elas podem.

Sabemos que, algumas pessoas acabam se viciando em estar online o tempo todo, vendo o mundo acontecer e esquecendo de “acontecer” por si mesmas. 

Isso tem gerado problemas de saúde mental globalmente reconhecidos e que já foram abordados aqui no blog SANTO ANGELO à exaustão. 

Se você estiver chegando agora e deseja entender um pouco mais sobre como sua mente reage, recomendamos a leitura do post sobre saúde mental e rotinas e deste outro sobre barreiras mentais.

Como alerta, recomendamos que observe em seus hábitos e se algum dos tópicos abaixo estiver acontecendo com muita frequência no seu dia a dia, talvez seja a hora de repensar em sua estratégia do cotidiano online:

  • Você deixa de fazer tarefas do dia a dia para “rolar feeds”?
  • Seu tempo em redes sociais ultrapassa 1 hora e meia, por dia?
  • A vida das outras pessoas parece mais “legal” que a sua?
  • Momentos com seus amigos/familiares são desperdiçados no celular?
  • Desatenção mais frequente em temas que sempre foram do seu interesse?
  • Sem motivo, você desbloqueia o celular?
  • Nunca acha tempo para projetos pessoais?

E novamente, se as respostas aos tópicos acima forem NÃO, você está de parabéns!

Mas não são só os pontos de Mal que devemos analisar, mas também os pontos do Bem que estar conectado pode nos ajudar a melhorar a dura realidade.

Nossa vida conectada trouxe muitas facilidades para o cotidiano da humanidade: possibilitou a quem mora longe conseguir se comunicar com tranquilidade (e em tempos que a “tia Pandemia” colocou todo mundo de castigo em casa, pode ser a única forma de falar com quem você gosta), melhorou o acesso à informação, permitiu que a criatividade dos músicos pudesse chegar ao mundo todo com apenas alguns cliques, entre outros pontos positivos.

O que queremos explicitar aqui, ainda mais para quem é músico ou professor de música, é que a internet e as redes sociais são indissociáveis do trabalho com a sonora arte, pois, você precisa se divulgar, chegar em pessoas que ainda não conhecem seu trabalho, impactar emocionalmente mais gente com suas composições, e nesse ponto, mídias sociais (e seus algoritmos impossíveis de entender) são aliadas preciosas.

Com nossa vida pessoal misturada (em alguns casos) com a profissional, a gente entende que você precisa dar um tempo a si mesmo, para que sua mente, constantemente conectada, não te pregue peças e inviabilize o caminho para a felicidade pessoal e o sucesso profissional.

Não precisa fazer um detox completo, como algumas pessoas têm feito (desconectar geral, trocar navegador e desabilitar absolutamente tudo), mas diminuir o ritmo (bem) gradativamente (faça um planejamento, decaindo de 10 em 10 minutos ao dia até chegar em um nível que não te prejudique) ou mesmo tirando alguns dias 100% offline.

Será que você consegue passar por esse desafio de se desconectar por algum tempo?

O jornal “O Estado de São Paulo” edição do dia 18/10/20, trouxe um interessante artigo sobre a experiência de 3 jovens que toparam ficar 5 dias offline. Se puder, leia para saber os resultados, mas ficaram as dicas abaixo:

  1. Desinstale aplicativos que tomem muito do seu tempo;
  2. Desligue as notificações das plataformas cuja a principal função não seja a troca instantânea de mensagens
  3. Remova, quando a plataforma permitir, a extensão que sugere conteúdos (vídeos, fotos, conexões) semelhantes. Lembre-se que seu clique é a sua arma. Faça suas próprias escolhas.
  4. Siga páginas e pessoas com quem você não concorda. É importante ser confrontado com opiniões distintas. Não se feche na sua própria bolha.
  5. Descanse e não leve seu celular para a cama. Estabeleça um horário razoável para se desconectar. Ninguém precisa estar online o tempo todo.

Essas providências simples podem contribuir bastante com sua inspiração, criatividade, e organização das tarefas diárias para uma vida mais tranquila.

O resultado dessa experiência com certeza será bem positivo e quando você retomar, vai ver que seu tempo de “procrastinação” vendo o feed passar diminuiu e seu dia será muito melhor aproveitado, seja para projetos pessoais ou profissionais.

No retorno, a dica maior é fazer uma “limpa” no que não agrega valor e manter no seu círculo próximo os “creators” e conteúdos que contribuem com seu conhecimento.

A gente, aqui do blog SANTO ANGELO, se esforça para contribuir sempre mais, para que você, músico, professor ou entusiasta da música, tenha o conhecimento sempre apurado para que possa usufruir de frutos na sua caminhada musical, seja ela profissional, seja “hobbista”.

Aproveita e conta pra gente: Como está seu ritmo com internet e mídias sociais ultimamente? Percebeu alguma alteração na sua vida, seja para melhor ou pior, por estar mais conectado? Já se propôs a fazer alguma experiência parecida ficando, voluntariamente, desconectado?

Compartilhe, caso sinta-se seguro, dessas experiências para que todo mundo que confere semanalmente o conteúdo aqui do blog SANTO ANGELO aprenda com cada relato e construa, à sua volta, uma rede virtuosa de conhecimentos e forte o suficiente para somar às futuras provas em grupo que a “professora Pandemia” deve nos passar, alunos forçados que somos, dessa classe tão impactada pela lição de casa Sars-Cov-2.

Tem muito, ainda, pela frente e só pensando e agindo juntos (com o devido distanciamento, claro) que conseguiremos superar, como sociedade, esse “ano letivo” tão conturbado.

Ávidos de que nos veremos, na próxima semana, no seu tempo já corrigido e saudável de conteúdo na internet e mídias sociais, a gente se despede.

Um abraço! 

—-

Dan Souza (IG: @danhisa) é músico, podcaster (IG: @somnascentepod), profissional de Marketing, Relações Artísticas, Branded Content e Music Business, formado pela UNINOVE.

PODCAST
Effects: Activision, Apple, Epic Games, Facebook, Globo, Mitsubishi, MTV, Netflix, Televisa, Waze & Youtube (Arquivo CC).
Music: “Algoritimo” de Luana Mascari, “Bring Me to Life” de Evanescence, “Epitáfio” de Titãs, “Lugar ao Sol” de Charlie Brown Jr., “MUSIC” de SID, “Plenty” de Sarah Mclachlan & “S” de SID.

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