Lições da Pandemia: Novos consumidores precisam de novos fornecedores

Olá, renovada leitora e pós moderno leitor, tudo bem com vocês?

Talvez não se tenham dado conta, mas certamente depois de tanto isolamento social, quarentena e ameaças de novos “lockdown” em alguns países, vocês já são pessoas adaptadas ao novo normal que começamos a tratar nesse post.

Claro que as gerações mais novas (Z e Y conforme a figura abaixo) estão se dando bem com todas essas transformações, mas não podemos esquecer que a população mundial, brasileira inclusive, está ficando cada dia mais idosa (sim, existem muitos “Tradicionalists” e “Baby Boomers” vivendo entre nós), conforme a definição da norte-americana ThoughtCo.

Portanto, qualquer que seja sua idade, ou das pessoas à sua volta, venha e se concentre para mais um aprendizado dos muitos que a “tia” Pandemia pretende nos ensinar até o último minuto do período letivo.

Assim como tratamos no post anterior, sobre as novas ocupações que muitos colegas músicos precisaram assumir para continuar pagando suas contas, lojistas e empresários de Educação Musical também precisaram encontrar novas formas de atender os seus transformados consumidores e alunos.

Quem acompanha o blog/podcast SANTO ANGELO, já sabe que vimos orientando nossos leitores há muito tempo sobre como construir um site que respeite o visitante (uma pitada de UX -Experiência do Usuário), além das formas como o mercado da música evoluiu na venda de aulas e conteúdo.

Isto não quer dizer que temos uma bola de cristal ou sejamos capazes de prever o futuro, mas os sinais de que algo estava defasado tempos atrás no atendimento comercial ou educacional eram evidentes, assim como são ainda mais agora.

Basta prestar atenção às notícias sobre os aumentos vertiginosos do comércio eletrônico no primeiro semestre de 2020, o otimismo em mais crescimento nos próximos meses e também entender como um sujeito conhecido como Jeff Bezos , fundador da Amazon, se tornou o homem mais rico do mundo com um patrimônio pessoal de US$ 187 bilhões, maior do que o PIB’s do Equador, Ucrânia, Hungria entre outros países, além de cerca de 15% do PIB do Brasil.

A indicação mais forte disso tudo é que o comércio eletrônico caminha, mais rápido do que imaginamos, para substituir grande parte das vendas do comércio físico em cidades e países de todos os tamanhos. 

Você até pode argumentar que, nas lojas físicas, o consumidor tem a vantagem de levar o produto na hora, porém, cai por terra quando, por exemplo, o MercadoLivre ou a Magalu planejam abrir mais centros gigantescos de distribuição para agilizar e baratear suas entregas ou a já citada Amazon, que trabalha para entregar uma seleção gigante de produtos em até 2 horas para quem assina o serviço Prime.

E como diz o poeta Zeca Baleiro em sua música “Mamãe no Face”, até as gerações mais velhas (os “Baby Boomers” que citamos logo no início deste post) já estão aderindo às práticas online com menos temores (e tremores) do que tinham antes:

Mamãe

O fato é que eu tô na moda

Mamãe eu fiz um disco f#@&

Faz um download e ouve aí

Que tal agora dar esse toque para o dono ou gerente da sua loja preferida de instrumentos e acessórios musicais, pedindo que ele “acorde” para vendas online?

Enquanto pensa a respeito, ou espera o lojista atender seu telefonema, quer escutar o resto desse post no formato de podcast? Clique na figura abaixo para ouvi-lo no Spotify, lembrando que o Podcast Blog SANTO ANGELO está presente em vários agregadores de streaming, certo?

Voltando para a nossa realidade musical, você poderia nos perguntar: 

“Mas não é melhor testar um instrumento musical antes de comprar?”

Não podemos discordar disso, mas imagine essa situação: você compra sua guitarra online para recebê-la 2 horas depois em casa e tem até 7 dias para testar no conforto da sua casa, com seus cabos SANTO ANGELO e equipamentos, sem precisar se expor ao novo coronavírus (Sars-Cov-2). 

E se não gostar, pode devolver sem nenhum custo nem burocracia. É tudo de bom, né?

Está certo que, atualmente, muitas lojas online ainda não chegaram nesse patamar, mas vamos deixar essa comparação com as companhias colossais dos “marketplaces” para um post futuro, porque o fato é que muitas empresas estão crescendo graças ao comércio online mais dinâmico.

A Fender mesmo divulgou que 2020 será um dos melhores anos de vendas da marca, já que a pandemia criou muitos músicos e entusiastas da Música, em faixas de idade diversas (lembra do início deste post?), com foco maior na Geração Z, de ambos os gêneros. 

As marcas Taylor, Martin e Gibson também mostraram entusiasmo em seus resultados comerciais, em 2020, melhores do que em anos anteriores. 

O dono da loja norte-americana “Sweetwater”, Brendan Murphy, disse que nunca viu nada igual em seus 25 anos de mercado musical e complementou: 

“Parece que todo o dia é Black Friday”!

Aqui no Brasil, várias lojas físicas, que aderiram às vendas online, sejam através de sites como o MercadoLivre, sejam através de aplicativos próprios e dedicadas redes sociais, também estão crescendo no país todo, sem os custos inerentes à abertura e manutenção de caras filiais físicas em cidades vizinhas.

Raciocine agora comigo: se esse tipo de negócio (vendas online de instrumentos e acessórios musicais) está crescendo, é sinal que tem mais gente (novo consumidor) comprando, certo?

Se você acha que só os mais antenados comerciantes de produtos estão de olho na movimentação da “nova economia”, perceba que no setor de serviços temos a mesma situação. 

Quantos sites você conhece que vendem cursos de música, aulas online, serviços de composição e venda de músicas originais entre outras possibilidades musicais?

Já falamos aqui no blog/podcast sobre o TuneCore, Audiojungle e Pond5 como grandes empresas que concentram diversos músicos para que os consumidores encontrem o que querem em um só lugar (um exemplo como a Amazon, em menor escala, desse possível “monopólio”). 

Fugindo um pouco das plataformas, podemos citar nosso amigo Ozielzinho que tem um site próprio, onde vende seus cursos e material exclusivo ou mesmo o Maurício Alabama que faz do Whatsapp seu Market Place (apesar dele oferecer também seus cursos na Udemy).

Retomemos o exemplo da Fender, que em março de 2017 lançou o Fender Play, um aplicativo de aulas dos instrumentos que ela produz. 

O app contava com 150 mil usuários em março de 2020, sendo um número bem invejável de pessoas, porém, ao final do junho, já contava com 930 mil usuários, um crescimento extraordinário de cerca de 520% em 3 meses. 

Pergunto novamente: se esse tipo de negócio (serviços e cursos de Música) está crescendo, é sinal que tem mais gente (novo consumidor) comprando, certo?

Voltando agora para o nosso Brasilzão.

Adequando à realidade brasileira, possivelmente o comércio físico ou híbridos (lojas físicas e lojas online) ainda fiquem ativos por muito tempo, mas certamente lojistas despreparados fecharão as portas em breve.

Chamamos de Despreparo, para não dizer Teimosia, pois como já falamos anteriormente, não só o Blog SANTO ANGELO, mas todas as plataformas disponibilizam conhecimento e informação de qualidade todos os dias e ao alcance de poucos toques na tela.

Em conversa com o representante comercial do mercado musical, Rafael Sousa, os lojistas que se adaptaram ou já estavam adaptados ao ambiente online têm vendido muito bem, até surpreendendo para quem estava de portas fechadas. Quando as prefeituras liberaram a reabertura com os cuidados necessários, esses lojistas fizeram pedidos de reposição bem altos.

Ele também comenta que as altas foram em vendas de violão, teclados e acessórios. As vendas de Guitarras ficaram em níveis medianos e as de Instrumentos de Sopro diminuíram. As de Baterias sofreram a maior queda, já que além de ocupar muito espaço nas casas ou apartamentos, podem ser um incômodo para pais que trabalham em regime de home office.

Para lojistas com pouco dinheiro para investir, informamos que a burocracia e altos custos de construção de um site próprio deram espaço às econômicas plataformas completíssimas e muito usuais, que oferecem não só criadores de site, mas integrações quase sem fim, relatórios, gráficos, dicas e até controle de estoque e envio. 

Como exemplo citamos o Shopify, o NuvemShop, o Squarespace ou até mesmo o Wix.

 

Já para os lojistas que preferem trabalhar com os “marketplaces”, onde qualquer comerciante consegue criar um perfil e vender (claro, seguindo todas as leis e comprando dos verdadeiros distribuidores e não “do amigo de um conhecido que trouxe nas suas viagens para os EUA”), sempre é bom lembrar que a força da “natureza virtual”, mais conhecida como “MercadoLivre”, vive ameaçada pela faminta Amazon.

Também já vimos, como consumidores, muitos casos com os lojistas entendendo a necessidade de agilidade no atendimento e se adaptando, oferecendo experiência únicas para seus consumidores como entrega via transportadora (mais “carinhosa” do que o famosos PAC), pré-regulagens antes do envio e um pós venda via Whatsapp que deixaria qualquer cliente satisfeitíssimo.

Já pensando nos empresários prestadores de serviços musicais, as escolas se destacaram na agilidade de oferecer plataformas EAD (Educação à Distância) para seus alunos. Isso, além de facilitar os pagamentos para quem já é matriculado ou escalonar, de maneira inteligente, a entrada de novos inscritos nos cursos, removendo “intermediários” como transporte público/privado para a escola e flexibilizando horários.

Em conversa com a professora de canto da EM&T School of Rock, Bruna Higs, a pandemia causou a evasão inicial dos alunos presenciais, porém, com a necessidade de algo recreativo para quem ficou recluso em casa ou mesmo o reavivamento de um sonho antigo por parte dos novos alunos, ocorreu uma busca maior por cursos EAD.

Ela relata que depois do meio do ano, as matrículas, tanto em cursos da escola como em aulas particulares, praticamente dobraram. 

Apesar de nesse formato as conexões ou instabilidades de energia e de conexão de internet prejudicarem ocasionalmente as aulas, no geral, ela não enxerga muitas diferenças na experiência e evolução dos alunos, considerando-as ótimas.

Também compartilhou conosco suas impressões o professor de bateria do IMKS, Raphael Pinheiro

As perdas para ele no início da quarentena foram controláveis (evasão de poucos alunos) em comparação a outros professores que perderam mais da metade dos alunos. A mudança da rotina e dos “caminhos” dos alunos também prejudicou as aulas desse instrumento.

No quesito do EAD, o Raphael já estava acostumado por ter frequentado cursos à distância até em outros países. 

A dificuldade foi a preparação dos alunos para esse ambiente, por questões de software e hardware, ainda mais quando falamos em percussão (corroborada pela prévia análise do representante Rafael Sousa), por ser um instrumento que nem sempre todos os alunos possuem (usando os equipamentos da escola). 

Isso diminuiu a percepção de qualidade dos alunos pelo EAD.

Com todos os cuidados e protocolos sanitários, o Raphael já voltou a lecionar presencialmente, exatamente por entender, junto ao IMKS, que a bateria exige espaço e intenção, e não pode ser limitada pelos limites de volume que a casa das pessoas impõe.

Indo para o lado das bandas, os próprios shows migraram para plataformas 100% online, como já falamos por aqui (apesar de saber que muitos querem a volta dos palcos, mas sem segurança biológica, aguardemos). 

O surgimento de outras modalidades de serviços e entretenimento online também teve reforço, o que só indica o quanto precisamos nos atualizar e correr atrás de nos adequarmos aos desafios que o mundo VUCA nos cerca.

Comente agora conosco:

Você, como novo consumidor e independente da sua idade, está enxergando como essas mudanças e a migração quase que sem volta para os ambientes online?

Sua situação atual é parecida com essas tratadas no post ou ainda necessita adaptar sua carreira para essa nova realidade?

Conhece lojas ou prestadores de serviço que te surpreenderam com uma entrega melhor que a esperada nas compras online?

Lembrando que seus comentários aqui no blog ou nas redes sociais da SANTO ANGELO servirão para aumentar o conhecimento e evolução de todos nós, tanto como consumidores como agentes de mudanças em um momento tão desafiador como o que vivemos.

Certo de que nossa migração virtual de uma semana para a outra será ótima e cheia de saúde, nos encontramos por aqui, semana que vem.

Um abraço!


Dan Souza (IG: @danhisa) é músico, podcaster (IG: @somnascentepod), profissional de Marketing, Relações Artísticas, Branded Content e Music Business, formado pela UNINOVE.

PODCAST
Effects: Activision, NBC Sound Archive & Youtube (Arquivo CC).
Music: “Automaton” de Jamiroquai, “Tech Noir” de Gunship, “Harder, Better, faster, Stronger” de Daft Punk, “Mamãe no Face” de Zeca Baleiro, “MUSIC” de SID, “S” de SID, “Top Gear Theme (cover)” de Ozielzinho & “Virtual Insanity” de Jamiroquai.

Um comentário em “Lições da Pandemia: Novos consumidores precisam de novos fornecedores

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *