Ruídos – São bons ou ruins?

2015-10-26 - FB

por Denio Costa

Olá, meu nome é Denio Costa, sou consultor em projetos de acústica, áudio e vídeo na empresa DGC Áudio e instrutor na escola Núcleo de Formação Profissional – NFP de Belo Horizonte/MG. Aqui no blog SANTO ANGELO escrevo sobre Audio Profissional, como nesse último.

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Hoje gostaria de falar um pouco sobre Ruídos em sistemas de Áudio.

Por definição, Ruído é qualquer som indesejado, mas o curioso é que Ruído para uns pode não ser para outros.

O ruído de uma furadeira elétrica pode ser desagradável para a grande maioria das pessoas, mas para o marceneiro ou serralheiro (trabalhadores que lidam com essa ferramenta) é algo muito importante. Pelo ruído do motor e som da broca furando, os operários podem perceber se falta lubrificação, se precisam reduzir ou aumentar a velocidade do motor e até mesmo se está na hora de uma manutenção preventiva ou corretiva de um componente.

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A sirene de uma ambulância pode incomodar a muitas pessoas, mas imagine o alívio de um motoqueiro acidentado ao ouvir o “ruído” da sirene se aproximando.

Até mesmo o ruído do motor do carro pode ser um incômodo para o motorista ou passageiros. Porem, para o mecânico, o tipo de ruído pode revelar informações importantes sobre os ajustes do motor e seus componentes complementares.

E para nós do Áudio, quando um Ruído é importante e útil?

São muito úteis quando utilizamos sinais de teste (ruído rosa, ruído branco, sinais senoidais, etc) e conhecê-los é muito importante.

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Não tenho a menor dúvida de que, durante a otimização de um determinado sistema de sonorização, estes sinais, tão úteis para nós do áudio, incomodam e muito a grande maioria das pessoas que se encontram no recinto coberto pela instalação de som.

Entretanto, existem ruídos que são indesejados a quase totalidade das pessoas. São os ruídos de fundo presentes nos programas de áudio. A diferença entre eles é o nível e o tipo de ruído. Afinal queremos ouvir a voz de um palestrante ou a música durante um show e não os zumbidos do sistema de som, vibrações de placas, painéis, luminárias ou paredes.

Agora eu te pergunto: em uma igreja, teatro, auditório, casa noturna ou restaurante, quais os possíveis ruídos de fundo que podem influenciar na operação de um sistema de sonorização?

Podemos citar diversos tipos, entre eles o ruído do ar condicionado, conversas paralelas, movimentação de cadeiras, vibrações estruturais, palmas, canto do público, gritos, o motor de geradores de energia, o bater de talheres, “plins” de telefones celulares, chuva no telhado de zinco, trens que trafegam nas proximidades, choro de crianças, tráfego de veículos … e a lista não para, certo?

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Tratar acusticamente o ambiente é imprescindível para a redução do ruído de fundo.

Alguns ruídos podem ser reduzidos de maneira razoavelmente simples. Muitas vezes o que inviabiliza essa redução são os custos envolvidos e até mesmo a falta de informação.

Em subestações de energia, o ruído gerado pelos transformadores muitas vezes só podem chegar a níveis aceitáveis por meio de isolamento acústico.

No caso de reatores a solução pode ser a substituição por outros modelos mais silenciosos.

Alem dos ruídos citados acima, ainda existem aqueles que são provocados por cabos ou conectores de áudio ruins ou mal montados.

No caso dos cabos de áudio é muito importante o uso de materiais de qualidade e que sejam fabricados dentro das normas técnicas internacionais. No caso dos cabos para microfone, por exemplo, devem ter dois condutores mais uma malha de blindagem, permitindo a montagem balanceada. Este par de condutores deve ser torcido e possuir, ao menos, quatro voltas a cada 10cm. A malha deve ser o mais fechada possível, ou seja, sem espaço visível entre os fios que compõem a trança. Quanto mais aberta, menos eficiente, a não ser que sob a blindagem de Cobre exista uma outra feita com uma fita finíssima de Alumínio. São as chamadas duplas blindagens, presentes em algumas marcas de cabos nacionais.

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As tranças dos condutores não podem se alterar com a movimentação do cabo. Isto alteraria a Capacitância e poderia gerar ruídos durante o manuseio do cabo. Isso é muito importante, visto que os cabos para microfone podem sofrer movimentação constante durante o evento.

A estrutura de ganhos do sistema, se bem feita, reduz o ruído branco que pode ser ouvido nas caixas acústicas, mesmo sem nenhum sinal de áudio.

O aterramento da rede elétrica precisa ser muito bem elaborado. Funciona como uma lixeira para o ruído e descargas elétricas. Se ele for realizado de maneira errada ou inadequada, pode acontecer que o Terra não existirá. E se ele não existir, não há para onde se descarregar esta “sujeira”.

Lembrando que o aterramento da rede elétrica tem como função básica a proteção dos usuários e não a redução de ruídos no sistema. Mas ajudará na redução das diferenças de potencial entre os equipamentos e por consequência poderá colaborar com a redução dos ruídos nos sinais de áudio.

Em um programa de áudio temos a faixa dinâmica que é a diferença entre o nível máximo e o ruído de fundo.

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Muitas vezes o nível máximo é limitado e não pode ser elevado. Pode ser porque o sistema não possui mais potência ou porque o local do evento não pode ultrapassar determinado nível de pressão sonora (SPL) por questões legais da cidade, ainda que o equipamento possua reserva para isso.

Uma solução interessante é reduzir ao máximo o ruído de fundo. Que seja com condicionamento acústico ou utilizando adequadamente o sistema.

Isto irá permitir que o programa de áudio seja melhor percebido pelo público. Em ambientes silenciosos os detalhes da Música aparecem e não é necessário trabalhar com elevados níveis de pressão sonora.

Em ambientes ruidosos, os sons mais baixos, para serem percebidos, precisam estar acima do ruído de fundo. Nestes casos a faixa dinâmica do sinal de áudio é bem menor.

Vamos considerar um SPL máximo de 95dB para um programa de áudio e 60dB de SPL como ruído de fundo dentro de um determinado ambiente.

Todo o programa de áudio, para ser percebido, deverá estar acima de 60dB SPL e abaixo dos 95dB SPL. Uma faixa dinâmica de apenas 35dB.

Se o ruído de fundo cai para 30dB SPL a faixa dinâmica sobe para 65dB.

Se mantivéssemos o mesmo ruído de fundo de 60dB SPL e desejássemos manter a faixa dinâmica de 65dB SPL, seria necessário operar com nível máximo de 125dB SPL. Algo muito, muito, muito alto.

Segundo normas internacionais de Saúde, um ser humano poderia ficar exposto a esta pressão sonora por, no máximo, um minuto e meio. Já a 95dB SPL o tempo sobe para 2 horas.

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Podemos concluir que ruídos no sistema de áudio, nos cabos, conectores e ambiente não são desejados e devem ser reduzidos ao máximo, para que a faixa dinâmica seja mais elevada, sem afetar a audição do público.

Fui claro? Esqueci de comentar sobre algum detalhe que julgue importante? Dúvidas? Deixe seu comentário aqui no post ou então nas redes sociais da SANTO ANGELO e do Denio Costa.

Um abraço e até a próxima.




  • Thiago

    Interessante essa abordagem sobre o ruído,muitos problemas provém da energia elétrica e muitas vezes não sabemos como resolver.Infelizmente nossa rede de energia não é muito limpa e os novos tipos de lampadas e reatores que estão surgindo as vezes produzem muito ruido.O Segredo é pesquisar bastante e obter bons produtos pra evitar esse tipo de maleficio.Bacana o artigo, parabens!