Sem tensão com o Tensor

2016-05-02 - FB

Olá pessoal, tudo bem?

Já falaram que regulagem simples de guitarra é praticamente um “dever” para todo guitarrista, assim como trocar o pneu furado de seu próprio carro, a não ser que você tenha um “personal luthier” diariamente a sua disposição, certo?

Desta forma, não poderia faltar em nossas conversas aqui no blog o tema “regulagem do tensor do braço” como parte do assunto Regulagem de Guitarras que vimos desenvolvendo (se quiser, tem ebook gratuito, só clicar aqui e baixar).

O tensor é encarado como por muitos guitarristas como um fantasma assustador e é nada mais é do que uma haste metálica colocada dentro do braço da guitarra com a finalidade de equilibrar a inclinação longitudinal do braço em relação a tração exercida pelas cordas. Quando montamos uma guitarra pela primeira vez, ajustamos o tensor antes de aparafusar o braço ao corpo com o auxilio de uma régua de metal para esta conferência. Após colocarmos as cordas precisamos fazer um reajuste porque quanto maior o calibre (ou bitola) delas, maior a tensão exercida no braço.

A temperatura do ambiente, ou do local em que é armazenado o instrumento, também pode alterar a estabilidade de toda a guitarra, exigindo novos reajustes.

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Sabemos que a temperatura alta ou baixa promove dilatação de acordo com o tipo dos materiais. Madeiras, aço, plástico e outros componentes aumentam ou diminuem de maneira desigual devido ao seu respectivo coeficiente de dilatação.

Isto me lembra a época de cursinho pré vestibular, quando precisava estudar Física e Química.

Com tantos materiais se dilatando, não só o tensor deve ser reajustado como também as tarraxas, ponte e parafusos porque cada um desses materiais, conforme explicado, sofrem alterações de acordo com a temperatura em que estiverem.

Nós já observamos pessoas verificando o alinhamento do braço da guitarra posicionando a guitarra como se fosse um rifle em um ato de mira a um alvo, a fim de checar o ajuste do tensor. A meu ver, esta não é a melhor forma de fazer esta checagem, porque acredito no uso da régua de metal com seu tamanho atingindo todo o braço da guitarra. Assim podemos observar se não há “gangorramento” da régua.

Outra atitude que já observamos as pessoas fazendo é apertando a sexta corda na primeira casa e a mesma sexta corda mais ou menos na décima segunda casa, olhando com um olho só como se tivesse olhando em um microscópio verificando quanto a corda fica próxima dos trastes.

É melhor desmistificarmos isso, porque não dá para regularmos tensor com o olhar nos dias atuais.

Como não devemos afinar o instrumento só de “ouvido”, também não devemos usar este método se desejarmos obter um resultado preciso e adequado.

A forma mais simples de regular o tensor é o uso da régua metálica, como já citei anteriormente. Colocamos no centro da escala em cima dos trastes e ajustando delicadamente com cerca de ¼ de volta por vez do tensor a ficar o mais próximo da régua possível. Uma leve concavidade também pode ser aceita.

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Outro método simples de fazer esta regulagem seria colocarmos um capotraste na primeira casa e apertarmos a sexta corda nas últimas casas perto da junção corpo e braço. A distância da corda em relação ao sétimo traste deverá ser de 0,25mm. Sei que vão pensar que é difícil mensurar este valor, mas é só imaginarmos que tem que ser mais ou menos ¼ do milímetro marcado na régua. Para quem sabe usar um paquímetro isto é “fichinha”.

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Se a corda estiver encostada no traste, o tensor deve ser afrouxado. Se estiver longe, ele deve ser apertado. Lembrando sempre de realizar ¼ de rotação por vez, sem rotações bruscas do tensor.

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Esse post foi um breve toque, bem geral, sobre tensor e aviso ainda existem muitos temas a ser abordados. Vou aguardar dúvidas e comentários aqui no blog ou em nossas mídias sociais para enriquecermos o assunto e aprendermos cada vez mais.

Um grande abraço.

Alexandre A. Berni é médico cirurgião geral, músico, produtor musical e entusiasta da Guitarra. Escreve regularmente para o blog SANTO ANGELO com o pseudônimo de Dr. SANTO ANGELO.