Sonorização de ambientes

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por Denio Costa

Olá, meu nome é Denio Costa, sou consultor em projetos de acústica, áudio e vídeo na empresa DGC Áudio e instrutor na escola Núcleo de Formação Profissional – NFP de Belo Horizonte/MG. A convite da SANTO ANGELO, passarei a colaborar com o blog da empresa, produzindo conteúdo na área de som profissional. No entanto, conto com o retorno e comentários de todos para saber se esse conhecimento é ou será útil para o trabalho ou carreira de vocês, combinado?

Um sistema de reforço sonoro é utilizado em ambientes em que o som natural não possui energia suficiente para cobrir todo o espaço de maneira inteligível, ou seja, qualquer pessoa, em qualquer lugar desse mesmo ambiente, deve escutar a fonte do som no mesmo volume. Entretanto, para quem já esteve em igrejas, estádios, aeroportos e até mesmo em shows de pequeno porte, sabe o quanto isso é difícil. Assim, sonorizar ambientes é uma técnica e fazer com que esta sonorização soe de forma agradável é uma arte.

Sonorizar um ambiente é distribuir, de maneira uniforme, todas as frequências (graves, médios e agudos) com a mesma energia (pressão sonora), em todos os locais onde haverá ouvintes.

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Como já disse, é comum irmos a um determinado ambiente, que utilize sonorização, e percebermos que em cada local desse ambiente o som está soando de maneira diferente.

Para efeito de generalização uma vez que tenho certeza que a grande maioria dos leitores já teve essa experiência, vamos imaginar a nave de uma igreja. Será que em todos os assentos conseguiremos perceber o som da mesma maneira? Isto é algo raro porque envolve não somente a sonorização, mas também aspectos da acústica do ambiente. A acústica afeta, diretamente, o desempenho do sistema de sonorização.

Se um determinado ambiente possui problemas acústicos, devemos utilizar soluções acústicas. Se há problemas no som devemos usar soluções elétrico-eletrônicas.

Normalmente quem se senta a frente na plateia, sofre com o excesso de volume e quem senta ao fundo não entende o que é dito, tocado ou cantado. Sem contar que em alguns locais o som está mais grave ou agudo que em outros.

Em grandes teatros isto acontece com regularidade. Os palcos são amplos e fazem com que o sistema de sonorização seja instalado nas laterais, deixando a parte frontal sem cobertura sonora. O interessante é que estes assentos são os que possuem os ingressos mais caros, em função da proximidade com os artistas/oradores. Parece até que o sentido da visão é mais valorizado que o da audição, não é mesmo?

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Muitas vezes a melhor solução é utilizar um maior número de caixas acústicas distribuídas ao longo do ambiente. Ou seja, menor pressão sonora por área. Dessa forma, conhecer e especificar quais características das caixas acústicas, posicionando-as corretamente no ambiente é o primeiro passo para a otimização de um sistema de reforço sonoro.

Cobertura de caixas acústicas

Existem inúmeras marcas e modelos de caixas acústicas disponíveis atualmente no mercado de áudio amador e profissional. Elas podem ser passivas ou ativas. Caixas acústicas passivas necessitam de amplificadores de potência para alimentá-las. Caixas acústicas ativas possuem, internamente, seu próprio sistema de amplificação.

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Você já sabe que um amplificador fornece potência para a caixa acústica, e a caixa acústica suporta uma determinada potência. Entretanto, algumas pessoas dizem que as caixas acústicas dão determinada potência. Na verdade elas não dão, elas suportam ou não, a potência fornecida pelo amplificador. O amplificador também não gera potência. Na verdade, ele amplifica um determinado sinal, utilizando nesse trabalho a energia elétrica. Por isso a energia elétrica de qualidade é de suma importância para os amplificadores de potência.

Sem energia elétrica correta e devidamente aterrada, amplificadores não têm como fornecer para as caixas acústicas, as potências para as quais foram projetados. Então, o que difere uma caixa acústica de outra?

São muitas as variáveis que vão desde potência admissível à pressão sonora máxima, passando pelo número de elementos que a compõe, eficiência, resposta em frequência, linearidade na resposta em função da variação de volume e equalização, dispersão horizontal e vertical, entre outros.

A eficiência de uma caixa acústica especifica o quanto ela é capaz de gerar de pressão sonora quando sua potência máxima e atingida. Se tivermos duas caixas acústicas que suportam a mesma potência, é comum observarmos que uma delas é capaz de fornecer maior volume de som que a outra. Muitas pessoas, ao escolher uma caixa acústica, observam apenas o fator potência e se esquecem de uma infinidade de outras informações técnicas que são tão ou mais importantes.

Para você fixar esse conceito, vou fazer uma analogia com os carros. Um veículo que consegue fazer com a mesma velocidade o mesmo percurso, porem com menos consumo de combustível, é mais eficiente que outro.

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A cobertura sonora de uma caixa acústica é dada em graus, tanto no eixo horizontal como no vertical e, geralmente, especifica a cobertura a partir de uma determinada frequência.

Podemos observar nos manuais dos fabricantes várias informações como, por exemplo: cobertura 60×40. O primeiro valor é da cobertura horizontal e o segundo o da cobertura vertical. Isto quer dizer que esta caixa dispersa o som a +/-30 graus para a direita e para a esquerda, a partir de seu eixo central. Também que dispersa o som a +/- 20 graus para cima e para baixo, a partir de seu eixo central.

Esta informação é de suma importância na escolha da caixa acústica. Podemos definir, a partir desta informação, qual o número de caixas a serem montadas lado a lado para que tenhamos boa cobertura sonora no eixo horizontal.

A exceção neste caso é para os subgraves que possuem, em sua maioria, cobertura Omnidirecional (360 graus). Há modelos específicos que possuem dispersão apenas frontal, chamados de cardioide. Estes são utilizados quando a energia dissipada para a parte posterior da caixa é indesejada, como na situação em que são montadas na frente de um palco e esta energia será enviada aos microfones.

Por hoje vamos parar por aqui. Sugiro que até o meu próximo post, você visite vários ambientes e faça testes de inteligibilidade, ou seja, tente perceber as diferenças de definição e volume entre os vários locais daquele ambiente e observe o posicionamento das caixas acústicas de vários pontos. Se conseguir, veja a marca das caixas e tente descobrir, nos sites dos fabricantes as informações que mencionei anteriormente, combinado?

Até a próxima.