Como escolher encordoamentos para guitarra

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Olá pessoal.

Aqui é o Bruno Palma novamente (com muito prazer) colaborando para o blog SANTO ANGELO e escrevendo sempre na intenção de aprendermos sempre mais juntos.

No meu último papo (que você pode relembrar ou ler aqui), comentei sobre as possibilidades de afinação na guitarra, um assunto interessante e muito acessado aqui no blog.  O tema de hoje é, com certeza, tão interessante quanto porque responde uma dúvida de muitos iniciantes e até mesmo alguns que já estão há anos na jornada musical têm:

Qual a corda ideal para seu instrumento?

Sem dúvida, para um melhor desempenho, é fundamental escolher, com sabedoria, aquele encordoamento cujas bitolas das cordas melhor se encaixam tanto ao timbre desejado quanto ao seu estilo musical.

a set of electric guitar strings on a white background

Quero deixar bem claro que essa escolha é muito pessoal e que depende de uma série de fatores, entre eles, a “pegada” de cada músico, a frequência que toca e as características de timbre que está buscando. A proposta do meu post é levantar as características, esclarecer alguns pontos e tornar mais consciente a escolha do encordoamento ideal.

Pensando nesses fatores, temos alguns pontos que “pesam” mais ne processo: bitola (ou calibre) das cordas, durabilidade, materiais básicos de fabricação, tipo de enrolamento e, claro, a relação preço / benefício.

Vamos falar um pouquinho sobre cada um deles, começando pela dúvida básica:

Qual o Calibre de cordas devemos utilizar?

Geralmente nomeamos o set de cordas pelo calibre (bitola) da primeira corda, sejam 009 ou 010, por exemplo, medidos em milésimos de polegadas Inglesas (1 polegada = 25,4mm). Também temos a possibilidade de nomear pelo menor ao maior calibre, por exemplo: 09-42 (0,2286mm – 1,0668mm) ou 10-46 (0,254mm – 1,1684mm).

Em geral temos a seguinte estrutura de acordo com os calibres:

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A primeira análise para uma boa escolha do calibre da corda é de acordo com o estilo musical e a pegada do músico. Um dos primeiros passos para encontrar a sua medida de cordas mais indicada é analisar sua maneira de tocar.

Estilos que exigem certa velocidade e passagens muito técnicas podem casar muito bem com as cordas leves (.009-.042) ou ainda mais leves (.008-.038). A medida de corda mais leve (ou fina, como é mais conhecida) proporciona menor tensão no braço do instrumento e, consequentemente, menos força muscular é exigida do músico para bends e vibratos. Essa é uma boa dica para músicos que estão iniciando e continuam com dúvidas sobre qual encordoamento utilizar.

Pensando ainda mais além, se a sua praia é o jazz ou blues-rock, cordas mais pesadas (grossas) tendem a ser uma melhor escolha. Além de frequências graves naturalmente mais presentes, muitos músicos sentem que cordas mais pesadas demandam maior esforço físico porque mantêm melhor a tensão em afinações alternativas e slides.

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Naturalmente, como já disse anteriormente, cabe a cada músico experimentar diferentes bitolas e encordoamentos, tendo em vista os pontos que abordei acima!

Uma autoanalise do seu “playing” pessoal é fundamental para que o calibre escolhido do encordoamento combine bem com sua musculatura corporal.

Vale lembrar que se você sofre de problemas como tendinite ou dores nos braços e punhos, a indicação é reduzir o calibre de corda utilizado. Vale ainda mencionar hoje a existência de sets híbridos e de calibres intermediários entre os mais comumente utilizados.

Alguns exemplos de músicos renomados e seus sets de encordoamento:

  • Yngwie Malmsteen – Utiliza set .008-.048 e afina meio tom abaixo do padrão.
  • Steve Vai – Utiliza set .009-.046 com afinação padrão.
  • Paul Gilbert – Utiliza set .010-.046 com afinação padrão.
  • Jim Root (Slipknot) – Utiliza set .011-.056 com afinação em B.
  • Joe Bonamassa – Utiliza set .012-.052 com afinação padrão.
  • Stevie Ray Vaughan – Utilizava set .013-.058 com afinação meio tom abaixo.

Se quiser se aprofundar nesse tema, consulte: https://www.guitar.com/rigs

Vamos falar sobre a durabilidade das cordas?

Um fator importante a considerar, é a frequência com que toca o instrumento. Se você é um guitarrista ocasional, que toca apenas algumas vezes por mês e ainda tende a tocar com uma pegada mais leve, cordas mais acessíveis e que apresentam uma durabilidade padrão podem ser uma boa pedida no seu orçamento financeiro.

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Por outro lado, se você é rigoroso sobre a prática e toca muitas vezes, cordas com um tratamento diferenciado e com camadas especiais podem ajudar, porque proporcionam maior durabilidade e, portanto, certa economia. Muitos fabricantes de cordas costumam classificar o seu “mix” de produtos segundo a durabilidade.

Uma queixa de muitos músicos é a perda de “brilho” no timbre ao passar do tempo. Deve-se colocar na balança o custo-benefício como também as aplicações do seu trabalho. Aqueles que atuam, por exemplo, com gravações em estúdios, o mais indicado é sempre utilizem cordas novas em seus instrumentos.

E antes que eu esqueça, não acredite nos mitos que ferver encordoamentos em panelas com água e limão resolvem esse problema de durabilidade.

Escolhendo encordoamentos pensando nos materiais de fabricação?

Em geral, todas as cordas da guitarra elétrica são feitas com aço, níquel ou outras ligas metálicas, uma vez que são boas geradoras de vibrações nos campos magnéticos gerados pelos captadores. São as variações dos campos magnéticos que geram diferentes potenciais de energia, originando os sinais captados pelas bobinas elétricas dos captadores e medidos em microvolts.

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O tipo de metal no núcleo da corda (caso dos bordões), ou ainda o revestimento superficial aplicado nas ligas de aço, tem um impacto extremamente significativo no timbre das cordas.

Aqui estão algumas características gerais tonais dos tipos mais comuns de encordoamentos segundo os seus fabricantes:

  • Nickel -Plated Steel : Brilho Balanceado e quente com bom ataque;
  • Pure Nickel: Menos brilho que a Nickel-Plated Stell porem um som mais quente e vintage;
  • Stainless Steel: Brilhante, quente com excelente sustain e boa resistência a corrosão;
  • Chrome: Quente com menor ressonância; muitas vezes escolhido pelos guitarristas de jazz e blues. Possuem um toque macio em sua cobertura lisa;
  • Titanium: bastante brilhante, com excelente resistência;
  • Cobalt: possui excelente dinâmica com um brilho notável;
  • Polymer-coated: Possui menos sustain que as cordas não revestidas equivalentes; excelente resistência à corrosão;
  • Color-coated: Algumas revestidas foram adicionadas corantes para um melhor aspecto visual da corda, mas o timbre pode variar de acordo com as especificações do fabricante;
  • NYXL: núcleo de aço de alto carbono proporciona volume intenso e excelente resistência. Alta estabilidade da afinação.

Analisando o tipo de enrolamento da corda

Outra característica interessante de analisar encordoamentos é a forma de enrolar os fios na construção de cordas bordões, como listado abaixo:

Roundwound: tem características de serem arredondadas interna e externamente. Apresentam aspereza ao toque, brilho, volume e alta sustentação. Essas cordas são geralmente simples de fabricar e menos custosas. Podem trazer um maior desgaste aos trastes do instrumento se comparado às do tipo Flatwound;

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Flatwound: tem característica plana em sua construção, tanto interna como externamente. Pode ser considerada uma corda lisa, largamente utilizada por jazzistas em guitarras acústicas e semi-acústicas. Uma ótima opção para os sons limpos, devido ao baixo atrito que possuem e ao volume menos intenso;

Halfwound strings: podemos dizer que são um cruzamento entre os tipos Roundwound e Flatwound. Internamente arredondada e lisa externamente. Devido ao processo extra de fabricação envolvido, elas são normalmente mais caras do que Roundwounds, porem menos do que Flatwounds. Possui um pouco mais de brilho que a Flatwound;

Hexcore strings: são compostas de um núcleo hexagonal regular e um enrolamento justo geralmente arredondado. Esse tipo de design impede que o enrolamento deslize em torno do núcleo, o que pode ocorrer com sequências de núcleo redondo. Promove um timbre mais preciso, melhorando a qualidade tonal das cordas.

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Agora que já temos a noção de como elas são feitas, vamos à uma parte mais prática.

Reconhecendo alguns sinais de que chegou a hora de trocar a corda!

  • Quando você afina, mas esta não se estabiliza. Desconsiderando problemas estruturais do instrumento (tarraxas), pode ser uma boa hora para trocar o seu encordoamento!
  • A ferrugem das cordas já esta evidente e não dá para disfarçar.
  • Quando o desgaste nas cordas já começa a expor os núcleos.
  • O timbre, o som em geral das cordas já está mais “morto” e você sente que falta aquele tempero quente no som final das cordas.
  • Por fim quando você não consegue se lembrar da última vez que mudou as cordas, pode ser uma boa hora para fazer esta troca (rsrsrs).

Algumas outras dicas sobre cordas e seus cuidados.

  • Mantenha um pano limpo e seco para a limpeza depois que terminar de tocar. Isso com certeza vai favorecer a vida útil das cordas.
  • Muitas pessoas suam muito nas mãos; uma boa dica para ajudar prevenir a oxidação rápida das cordas, é sempre lavar as mãos antes de tocar.
  • Invista em enroladores de corda; eles são baratos e aceleram a troca.
  • Sempre que trocar as cordas, anote a data que realizou o processo. Assim você consegue medir o tempo de troca e a vida útil desse encordoamento.
  • Mantenha um set extra de cordas no seu bag, principalmente em shows, apresentações e gravações onde não dá para correr riscos. Uma emergencial troca de cordas pode ser necessária nessas ocasiões.
  • Produtos limpadores podem te ajudar a aumentar a vida útil das cordas, principalmente se você toca diariamente e com muitas horas de prática.

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A escolha de um tipo ou marca de encordoamento pode refletir um produto mais caro ou mais barato. Creio que o “preço final” nessa hora deve ser colocado na balança com bom senso e qual aplicação final será dado ao encordoamento: treino, apresentação ou gravação? Nesse julgamento, eu consideraria o processo de fabricação, a qualidade final do produto e a duração.

A minha grande dica é: busque sempre o melhor para o seu timbre pessoal.

Quero registrar mais uma vez: esteja sempre aberto a testar diferentes calibres e afinações de vários fabricantes. Essa atitude pode ajudar a lapidar sua personalidade no instrumento e favorecer a sua pegada.

Escolher a corda ideal é um processo individual e as dicas apresentadas são meramente um guia para que você melhor discernir a escolha correta.

Particularmente por muitos anos utilizei sets .010, mas atualmente reduzi um pouco para o set .009 e tenho experimentado alguns encordoamentos híbridos como o.0095.

A gente se vê em breve! Grande abraço a todos.

Bruno Palma, guitarrista e Engenheiro Mecânico, é endorsee das marcas SANTO ANGELO e Ibanez entre outras. Entusiasta de novas tecnologias e amante da boa música, principalmente o bom e velho Rock n´Roll. Desenvolve atualmente um trabalho instrumental e tem ministrado diversos workshops pelo Brasil.