Endorsement SANTO ANGELO: de pai responsável a brother

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por Angelo Santos

Olá, aqui é o Angelo e desta vez meu post será sobre a política de Endorserment da SANTO ANGELO. Fique tranqüilo porque não vou escrever sobre um monte de regras e condições jurídicas, mas abordar a idéia central da empresa com relação aos seus músicos patrocinados.

Mas quem é você para falar de endorserment em nome da SANTO ANGELO?

Para quem ainda não me conhece, saiba que não faz nem um mês que comecei a trabalhar na SANTO ANGELO. Aprendi muita coisa em pouco tempo, mas posso te garantir que tudo está sendo fácil com minha paixão pela música. Conheci desde assuntos mais técnicos até algumas coisas sobre como tratar com as pessoas, que de certa forma, ainda era meio travado.  E nessas de relações interpessoais, termo muito usado na minha faculdade de Adm., descobri a figura do endorser e o trabalho que a empresa faz há tanto tempo com seus endorsees.

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Pesquisei a tradução da palavra “endorsee”. Ela é equivalente no português à “endossado”. Acessei o Dicionário Priberam e encontrei as seguintes definições:

en·dos·sa·do (particípio de endossar), adjetivo

  1. Que se endossou.
  2. Que traz endosso.
  3. Pessoa a quem se endossa uma letra, um cheque, etc. = ENDOSSATÁRIO

en·dos·sar, verbo transitivo

  1. Pôr endosso em.
  2. Transferir o direito e .ação (de um valor comercial) para outrem.
  3. Deitar para cima de outrem um encargo, um incômodo, etc.
  4. Apoiar ou solidarizar-se com.

Podemos resumir como endorserment o apoio a alguém que faz algo.

Entretanto, muita gente confunde a palavra apoio com “full support”, ou seja, que alguém é responsável por prover tudo o que é necessário para a realização de um objetivo.

Trago exemplos de famílias de amigos meus da época do colégio. Alguns deles, abusavam do famigerado “PAItrocínio”. O pai pagava tudo, dava tudo que o cara tinha vontade de ter e a personalidade dessa pessoa tornava-se, em alguns casos, intragável. Aposto que você conhece esse tipo. Ninguém aguenta o “olha, eu tenho isso e você não”. Já outros, recebiam uma dura lição dos pais desde cedo: “você quer, trabalhe e conquiste: eu estarei sempre do teu lado te incentivando”. Para um adolescente isso pode ser o fim do mundo, mas os que entenderam e internalizaram a filosofia, logo se deram muito bem.

Os anos se passaram. Entre os “mimados”, poucos colocaram a mão na consciência e viram que precisam trabalhar para conquistar. Já outros, ficaram embaixo da “saia da mãe”. Os que foram criados com o “trabalhe e conquiste” podem não ter conseguido alcançar seus objetivos ainda, mas com certeza sempre se esforçarão para conseguir o melhor.

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Evolução do ser humano define essa minha rápida explicação.

Quando se é criança, você realmente depende do apoio dos pais em tudo, desde te levar para a escola até da compra e preparo da comida que você come. No entanto, em famílias com pais responsáveis e comprometidos com o futuro dos filhos, essas crianças, aos poucos, vão sendo incumbidas de algumas tarefas simples como arrumar a cama e o quarto, fazer a lição de casa sem ser cobrado, regar as plantas do quintal ou até mesmo lavar o carro da família todos os finais de semana. Isso quando havia água a vontade, não é mesmo? Até o momento em que os filhos deixam a casa dos pais para rumar a sua própria vida, deixando o apoio que restou, e que diminuía ano a ano, para se igualar à eles, morando sozinho ou mesmo formando a própria família. Notem que nunca faltou o amor responsável dos pais quando cobraram atitudes adultas e participativas de seus filhos. Pelo contrário, laços forjados em comprometimento uns com os outros, duram toda a vida e se transmitem através das gerações.

PAItrocínio à Patrocínio à Brother

Perceba que nessa evolução, ocorreram fases distintas de totalmente dependente, passando pela semi-dependência até a final independência quando adultos escolhem seus próprios caminhos e se responsabilizam por eles. Não sei qual a sua idade e nem conheço seus pais, mas tenho certeza deve concordar comigo que pais que mimam demais seus filhos, acabam limitando ou mesmo anulando as suas possibilidades futuras. Se não concordar, leia um pouco mais sobre essa relação nesse link e não deixe de fazer um teste sobre como era, ou é, a sua relação com seus pais antes de sair de casa?

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E o que tudo isso tem a ver com o ambiente profissional dos músicos?

Indo mais fundo em minha explicação, queria abordar como algumas marcas tratam os endorsees. Nos EUA, é comum que as empresas só apoiem quem já é usuário há muito tempo das respectivas marcas. O Clapton teve que usar muita strato e trabalhar forte na sua carreira para a Fender chegar nele e oferecer apoio, uma guitarra signature e outras coisas. Em momento algum, também graças à filosofia inglesa e americana, ele dependeu totalmente do apoio. Ele trabalhou, fez seu nome e automaticamente, tanto a Fender como outras marcas chegaram até ele.

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Em completo desacordo com os estrangeiros, no Brasil, no início, era diferente. Os músicos dependiam de toda e qualquer ajuda. Podemos pensar que isso acontecia visto um mercado cultural fraco, onde o músico não tinha chance e sempre era rotulado de vagabundo. Infelizmente, devo reconhecer que isso ainda continua acontecendo.

Com a tecnologia e maior acesso ao crédito, os músicos puderam se equipar e desenvolver melhor suas carreiras, mas ainda a “síndrome de cachorro vira-lata” continuava. Se não houvesse apoio, nunca iria dar certo. Em dado momento, muitos deles perceberam o que os estrangeiros já faziam há tempo: trabalhar para conquistar.

E nesse momento, as empresas, ao invés de ganharem filhos mimados, ganharam Brothers. Pessoa e organização trabalhando juntos, um ajudando o outro a crescer. Uma mudança imensa de paradigmas, do “eu” para o “nós”.

Finalmente, chegamos às parcerias da SANTO ANGELO.

Entendo que uma empresa tem um poder maior do que um artista no começo de carreira, mas em certo momento, os esforços devem ser os mesmos de ambos os lados. Pego como exemplo a empresa que trabalho, a SANTO ANGELO (como se você já não soubesse). Vejo que eles promoveram vários concursos culturais, que além de dar visibilidade para muita gente, ainda pensavam naquela primeira fase do apoio. Revelado o talento, premiavam e davam espaço para os músicos, até então desconhecidos, pudessem mostrar seu talento. Em seguida, chegava a hora do músico trabalhar, melhorando sua imagem, técnica e produzindo cada vez mais e aos poucos estreitar essa parceria. Em certo momento, o contrato de endorserment aparecia, que nesse caso chama-se “Contrato de Cessão e Uso de Imagem” com clausulas bem determinadas sobre obrigações e deveres de cada parte. Os exemplos mais bacanas do sucesso dessa estratégia aqui no Brasil certamente foram o André Nieri e a Lari Basilio. Mas a vida continua evoluindo, evoluindo.

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E quando um músico deixa a empresa?

Como já disse antes, nada é mais feliz para um pai responsável do que ver seus filhos seguindo suas vidas e sendo reconhecidos pelo talento e esforço. Tanto é que muitos dos nossos endorsees deixaram – e com certeza deixarão – a SANTO ANGELO por outras marcas ao final de seus contratos de endorserment, dentro do plano de carreira de cada um. Isso é normal e faz parte da vida, mas, pelo que pude ver até agora, o pessoal aqui não fica triste porque tem em mente que cumpriram o dever de incentivar novos talentos.

E como os concursos não param, sempre tem um ou mais talentos novos para serem revelados todos os anos. Oportunidades aparecem sempre por aqui, mas cabe a você trabalhar e abraçar. Quem sabe a sua carreira não ganha um empurrãozinho se você participar e se destacar no próximo concurso? Lembro que o Concurso Cultural Solo-Minuto está rolando desde o dia 01/06/15 até o dia 15/07/2015, quando acabam as inscrições. O que acha de participar?

Existem outras formas de endorsement, além desse trabalho de revelar e incentivar talentos que a SANTO ANGELO realiza?

Claro que existem e o pior deles é o músico que recebe uma grana todo mês para dizer que usa determinado produto. Isso foi abolido há muito tempo aqui na SANTO ANGELO porque no final sempre fica o fato de quem pagar mais, leva o guitarrista famosão.

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Entretanto, existe uma forma muito mais elevada de endorserment e, como exemplo, cito o João Castilho, Marcinho Eiras e Roberto Frejat. Guitarristas de alto nível, com renda suficiente para comprarem o que quiserem, esses músicos usam, gostam dos cabos SANTO ANGELO e ajudam na divulgação da marca em seus shows, sem um contrato de endorserment assinado. Muita gente pensa que eles recebem grana para isso, mas em nosso caso não recebem. Esse tipo de endorserment eu chamo de brother.

Notem que nesse caso não funciona a analogia com pais responsáveis, mas sim de uma amizade sincera a ponto da produção do Frejat sempre reservar espaço para a galera da SANTO ANGELO em seus shows em São Paulo. Vocês acham que dinheiro paga esse tipo de atitude?

Aliás, ninguém está dizendo que não existe fornecimento ou reposição gratuita de cabos ou outros produtos da empresa para esse tipo de endorsee, mas é bem diferente daquele que recebe para dizer que usa e depois aparece nos shows com outros produtos.

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E como você pode ser dos nossos endorsees?

Demorou para perguntar, heim? Simples, primeiro entendendo como funciona a lógica de tudo que te expliquei. Depois é só seguir nossas redes sociais, participando e compartilhando conhecimento. Não posso garantir vagas a todos, mas se tiver talento e ser bem “profissa”, certamente a gente te descobre um dia.

Abração e até a próxima.