Gênio sinistro: A virtuosa obra de Niccolò Paganini

2015-10-28 - FB

Olá pessoal, tudo bem?

Com a proximidade de 1 de outubro, o Dia Mundial da Música, resolvi trazer um pouco da história da música de volta ao blog. Além de um mundo cheio de acordes e sentimentos, a música têm seus mitos e lendas, que aguçam ainda mais nossa imaginação e trazem uma pitada de um misticismo interessantíssimo.

Você provavelmente já assistiu ao filme “Crossroads”, que conta a história de Eugene Martone (Ralph Macchio, que fez Karate Kid), um aficionado por blues que descobre a história sobre Robert Johnson e Willie Brown, que venderam sua alma para o diabo em troca do sucesso? Não é a primeira vez que um músico é rotulado com esse “pacto”.

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Em 1782 na Itália, nascia Niccolò Paganini.

Cresceu tocando violino sob a cinta do pai, que o fazia estudar por muito tempo, sem descanso e caso reclamasse, sofria severas punições. Era de família pobre, mas estudou e se tornou um violinista como nunca havia existido.

Seu dom de tocar músicas de extrema complexidade (algumas de suas composições só o próprio Paganini conseguia tocar) e velocidade fez nascer um boato de que ele tinha feito um pacto com o diabo, para adquirir todo esse virtuosismo.

A partir dessa lenda (ou não) e de sua aparência magra e um pouco doentia, boatos de que as cordas de seu instrumento eram feitas com as entranhas do próprio demônio ou mesmo de uma amante que se matou exclusivamente para isso. Sinistro, não é?

Seu estilo de música, como muito diferente de tudo que já se havia ouvido até então, suscitava estranheza (parecendo que a sala de concerto enchia-se de espectros, uivos, gritos de crianças e almas atormentadas), mas também admiração (sim, ele tinha muitos fãs histéricos, iniciantes que ficavam em seu encalço e inimigos que procuravam entender e replicar sua técnica). Alguma semelhança com os dias de hoje (guardadas as devidas proporções) é mera coincidência.

Podemos dizer que ele foi o primeiro “rock star” do mundo.

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E você acha que essa lenda urbana impediu esse gênio da música erudita? Muito pelo contrário, ele aproveitava cada boato para se promover mais e gerar medo e delírio no seu público.

Um verdadeiro “marqueteiro” do século XVIII.

Trazendo um pouco para a realidade, um estudo foi feito em 1978 para descobrir cientificamente o que acontecia com Paganini. As indicações de que ele possuía a Síndrome de Marfan (ou Aracnodactilia) era o que mais se aproximava de explicar o fenômeno.

Essa Síndrome é uma desordem no tecido conjuntivo que deixa os membros mais longos que a média normal. Se essa especulação fosse confirmada, explicaria a técnica que ninguém conseguia copiar, pois suas mãos seriam maiores e mais flexíveis, ajudando a realizar movimentos mais complexos. Como a pentatônica de 3 notas por corda que Paul Gilbert eternizou.

Nos dias de hoje, seu talento de certa forma sobrenatural é muito conhecido e influencia muitos músicos contemporâneos como Yngwie Malmsteen, Uli John Roth, Michael Angelo Batio, Jason Becker e o próprio Steve Vai que enfrentou “Daniel-san” em Crossroads. E sim, a música é completamente influenciada em Caprice nº 5 do “monstro” Paganini.

E você, acredita nessas lendas, tanto do Niccolò quanto do Robert Johnson? Conhece alguma história parecida?

Com pacto ou não, fato é que esse gênio é parte fixa da música clássica e desafio para os músicos do passado, do presente e do futuro.

E se quiser abraçar esse desafio, indicamos esses links com partituras e tablaturas:

E para ajudar na transposição, confira o post do nosso endorsee Ricardo Giuffrida ensinando como passar as partituras do violino para a guitarra/violão.

Até a próxima!

Dan Souza é CMO, Relações Artísticas, fissurado em tecnologia e música, além de baixista nas horas vagas e apaixonado por Publicidade, Propaganda, Literatura e Filosofia. Formado em Marketing pela UNINOVE/SP, faz parte, desde 2013, da equipe de Marketing SANTO ANGELO.