Haters gonna hate (mas dá pra evitar)!

por Isis Mastromano Correia

“Tudo o que você disser poderá ser usado contra você” – quem nunca escutou essa frase em algum filme de ação policial? Pois bem, o negócio é que hoje tudo o que você escrever, publicar, curtir ou compartilhar também pode.

Assim como não dá pra entrar no metrô empurrando velhinho ou querer que um motorista ceda espaço para você depois de furar o trânsito pelo acostamento, na internet também não dá para manter alguns comportamentos. O problema é que muita gente mantem. A falsa ilusão de que estamos sozinhos frente a uma tela qualquer nos incita a quebrar diversas regras de etiqueta que, na vida real, a empatia (a capacidade de se colocar no lugar do outro) por sorte nos impede, caso contrário, a encrenca seria grande e a vida em sociedade inviável.

Pode não parecer, mas o que você escreve calmamente pode estar ofendendo e muito quem está do outro lado

Melhor do que devanear sobre o assunto, o que a gente está tentando falar mesmo é da boa e velha etiqueta social, dos bons modos, que, na internet ganhou o nome de Netiqueta. A Netiqueta é um conjunto de regras não-oficiais, passadas de boca em boca para estabelecer um padrão de comportamento considerado desejável por quem navega na rede. As regras da Netiqueta visam tornar a Internet um lugar menos caótico e mais sadio, ensinando as pessoas que certas atitudes aparentemente inofensivas podem aborrecer, atrapalhar ou agredir outros usuários e por isso devem ser evitadas.

A Netiqueta pode variar ligeiramente de acordo com o tipo de comunicação. Por exemplo, em canais de chat e em postagens de amigos é normal que se use e abuse do internetês, mas, em grupos e posts públicos de discussão e, sobretudo, em e-mails, vamos lembrar do bom e velho Português, das regras gramaticais e de que os verbos no infinitivo ainda existem, afinal, você não quer passar a imagem de despreparo e ninguém é obrigadU. a le e intender. u q vc quis dize, não é mesmo?

Alguns dos exemplos de Netiqueta são: não falar palavrões, não fazer flood (entupir a cada 30 segundos a timeline alheia de publicações), não gritar (ESCREVER COM O CAPS LOCK ATIVADO!), não fazer propaganda de qualquer espécie, entre outras coisas. O usuário que desrespeita a Netiqueta, propositalmente ou não, prejudica também a si, porque, na melhor das hipóteses é deixado de lado pelos outros ou banido do grupo e, na pior situação, ganha uma legião de haters (os odiadores que passarão a persegui-lo como lobo atrás da carne fresca!).

Afinal, Haters gonna hate

Resolvemos tocar nesse assunto dos bons modos na rede, porque, quando se fala em Marketing Pessoal na Internet, deslizes têm de ser evitados a qualquer custo. Ainda assim, há quem jure de pé junto que angariar haters significa mexer com o coração dos seguidores no melhor estilo “fale bem ou mal, mas fale de mim”. Essa é uma postura que só você pode decidir: se quer mexer em vespeiro ou não. Pelo bem da reputação que você deseja construir como Músico, nosso palpite é que não vá por esse caminho um tanto insólito!

Infelizmente essa tecla não existe!

Uma postura que ajuda bastante na divulgação de seu trabalho pelas Redes Sociais é manter uma espécie de linha editorial, ou seja, não publicar mil assuntos desconexos a todo instante, mas sim, publicações relacionadas entre si. Esse comportamento ajuda inclusive o usuário a decidir se vai ou não te seguir, pois, ele saberá o que esperar de você e enxergar em seu perfil uma fonte abalizada para determinado assunto.

Estabelecer uma linha editorial na sua rede ajuda a não cometer gafes ou deslizes, pois, diferentemente de quando os conteúdos só eram possíveis de serem publicados em jornais, revistas e TV, sob a curadoria de vários editores que barravam os excessos, a Internet não passa pelo crivo de ninguém mais a não ser da própria consciência.

Na rede, sua consciência é seu editor

Com uma linha editorial estabelecida – por exemplo, usar a rede apenas para publicar seus vídeos e falar de suas influências e seus trabalhos na Música – dá para começar a medir sua popularidade (sem a mãozinha pesada de haters) e os interesses de quem te segue. Se você publicar um post de pura carência (“estou em casa entediado!”), que não acrescenta nada na vida de ninguém, e, mesmo assim recebe 100 curtidas por isso, enquanto seus posts informativos e de serviços não ultrapassam os 10 “joinhas”, você passa a ter um termômetro importante do comportamento dos seus seguidores, do que eles esperam receber de você.

Em tempos em que ser notado virou requisito tão importante quanto respirar, é bem fácil e provável que hora ou outra você se deixe ser levado por uma deprê depois de perceber que várias publicações bacanas não recebem retorno em forma de likes, comentários e compartilhamentos. Nessa hora vale lembrar que fora da rede a coisa não é lá tão diferente: as músicas de sucesso são as de refrão pegajosos, os ditos melhores livros são apenas aqueles mais vendidos nas livrarias e os programas prediletos são os reality shows …

Gosto sempre de citar o exemplo de um colega que resolveu cometer “facecídio” há uns meses, pois, achava que suas publicações não tinham impacto algum entre seus seguidores. Antes de sair, ele comunicou a todos e, como resposta, recebeu dezenas de comentários que revelaram para ele que muita gente também só continuava conectado na rede para receber o tipo de conteúdo que ele publicava e produzia! Parece que estamos muito mimados, reivindicando “likes” e compartilhamentos a mil e esse caso mostra bem que apostar no bom conteúdo ainda é o mais válido para quem quer usar a rede como ferramenta de trabalho na Música!

Ou seja, quem usa a rede para divulgar o trabalho vai ter essa tarefa ingrata de receber feedbacks do público e trabalhar em cima disso, pois, é esse retorno dos seguidores que vai te ajudar a estabelecer uma medida entre o que você precisa mostrar com a forma que o público deseja receber e ainda não ficar tão encanado caso o retorno do seu esforço não venham em ‘likes’, mas, sim, é absorvido verdadeiramente por outros formadores de opinião.

E você, como tem mantido a etiqueta na rede? Ou ainda não parou para pensar nos impactos de suas palavras e ações dentro dela? Conta pra gente e até a próxima!