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Música sem violência

por Angela

Interromperemos um pouco a série de posts sobre Criatividade, que você pode ler assim que terminar esse tema, para chamar sua atenção para o “Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher”. Vamos pensar sobre isso dentro de nosso mercado musical, que como sabemos, é masculino e, em alguns casos, extremamente machista.

Antes de tudo, é importante saber o fato histórico que fez com que esse dia surgisse. Assim como o “Dia Internacional da Mulher”, que é marcado pela tragédia onde mais de 100 mulheres, após serem duramente reprimidas por reinvidicarem diminuição de sua jornada de trabalho (de 14 para 10 horas diárias, pode?) e que morreram queimadas durante um incêndio em uma fábrica norte americana, a data de hoje também tem uma triste trajetória.

Em 25 de novembro de 1960, as irmãs Minerva, Pátria e Maria Tereza Mirabal, conhecidas como “Las Mariposas” foram brutalmente assassinadas durante a ditadura de Rafael Leônidas Trujillo, na República Dominicana, por serem opostas à seu regime político. Elas foram perseguidas e posteriormente presas, juntamente com seus respectivos maridos. Isso gerou uma comoção nacional massiva e para apaziguar os ânimos do povo, o ditador resolveu soltá-las, porém, isso era apenas parte de um terrível plano para matá-las.

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Libertas e na primeira oportunidade, foram visitar seus maridos em outra prisão. Nesse momento foi simulado pelo ditador um acidente de carro, que levou à morte das três. Alguns dias depois os corpos foram encontrados em um precipício, estranguladas e com os ossos quebrados.

O escândalo mobilizou toda à nação e as ideias opostas ao regime não morreram. Passados 6 meses, o ditador foi assassinado e a ditadura de Trujillo caiu também. Ao mesmo tempo, o povo dominicano começou a ser libertado da tirania e começou um processo de respeito aos direitos humanos no país.

Porém, a data só se concretizou como dia de luta em 1981, no Primeiro Encontro Feminista da América Latina e Caribe.

Vocês podem estar se perguntando: “E o que isso tem a ver com a Música?

Para começar, existem muitas mulheres músicas compartilhando nossa devoção à guitarra. Em segundo lugar, mesmo que não sejam músicas, muitas mulheres tornam-se musicistas em razão de seus parentes, namorados e maridos. Portanto, é mais do que justo dedicarmos um post a essa calamidade das agressões as Mulheres que acontece em nosso país, como os recentes casos relatados por alunas da faculdade de Medicina da USP – SP. Mas isso não ocorre só no Brasil, como mostra o quadro geral do que acontece pelo mundo.

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A violência contra as mulheres tem as mais diversas formas. A lista é grande. As mais brutais são o Infanticídio Feminino (praticado na China), sequestro de noivas (pratica do Oriente Médio que consiste em raptar a mulher escolhida e tentar convencê-la a se casar, às vezes até chegando ao estupro), Morte por Honra (prática onde a Mulher, sentindo-se culpada por algum deslize conjugal decide acabar com a própria vida por pressão cultural), Violência Doméstica em geral (desde espancamentos até queimaduras e ataques com ácido) e a Mutilação Genital (em algumas culturas não é permitido que a mulher sinta prazer, logo, eliminam partes exteriores da genitália o que pode levar até a morte da pessoa).

Outras são culturais como as Vestimentas Obrigatórias (a burca é considerada uma delas), o Tráfico de Mulheres (oferecem oportunidades de uma vida melhor, mas ao chegar no local a Mulher se depara com Escravidão Sexual) e a Servidão Ritual (que é uma reparação contra alguma ofensa à outra família ou pessoa, oferecendo uma mulher virgem como “recompensa”).

Chega a dar náuseas, não é? Mas finalmente chegamos ao nosso mundo, a Música.

Você já deve ter visto uma garota tocando (ou você mulher, já deve ter passado por essa situação) e alguém gritar alguma ofensa. Às vezes, na cabeça de quem gritou aquilo é um elogio, mas não passa de uma ofensa mascarada. É ruim ver o quanto a Mulher não é julgada pelo seu talento ao instrumento e sim pelo seu físico ou beleza.

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Infelizmente, vimos isso acontecer na fanpage da SANTO ANGELO algumas vezes. Por mais deplorável que a atitude do “usuário do Facebook” fosse, todas essas grandes musicistas que tiveram seu talento exposto agiram de forma integra e souberam se desvencilhar dessa situação com muita classe, focando em seus dotes musicais enquanto um ‘X’ de pessoas insistia em tratá-las como nada.

Lembremos que na Música (como em qualquer outro campo do conhecimento ou da arte), todos somos exatamente iguais. Alguns nascem com talento que outros não. Em ambos os casos, precisamos treinar, estudar e nos dedicar para atingirmos a excelência, independente do gênero. As pressões culturais muito tradicionais não podem ter chance de podar tanto talento.

Por isso, parabenizamos todas as mulheres que lutam constantemente para ganharem seu espaço, por mais “pedradas” que possam receber. E aos que respeitam essas musicas como iniciantes até profissionais, nosso muito obrigado, pois vocês tem estendido a igualdade que tanto queremos nesse mundo.

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E claro, não poderíamos passar sem o desafio: faça uma música sobre a igualdade entre os gêneros que todos devemos ter e manda pra gente. O que acham? Bora?

Assuntos importantes como esses merecem seu comentário, opinião, crítica ou elogio (aqui ou no Facebook, fica a seu critério). O espaço aqui livre e realmente queremos que compartilhe mais conhecimentos e experiências para que todos possam aprender e evoluir cada vez mais, sempre juntos.

Até a próxima.