Precisa estudar na universidade para compor?

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Olá pessoal, tudo bem?

No último post falei sobre as razões para estudar Música na universidade e contamos com a participação do professor universitário Djalma Lima, que nos contou sobre suas motivações. Se ainda não leu, confira aqui 

Sabemos que Composição é uma tarefa árdua que envolve trabalho e dedicação, além de muito conhecimento musical. Mas, você pode questionar: “Eu componho uma música em cinco minutos e fica excelente”

Sim, isso pode acontecer e desde ja aceite meus parabéns por esse talento.

Porém, a grande maioria dos músicos possuem dificuldades para compor, talvez pela falta de conhecimento mais técnico.

Por isso eh que na universidade a historia e os processos composicionais sao muito exigidos com diversas matérias voltadas para criação.

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Sempre que os músicos ouvem a palavra “compositor”, vêm à mente os grandes mestres da música erudita como Beethoven, Mozart, Vivaldi, Bach ou Schubert ou mesmo os gênios da MPB como Tom Jobim ou Vinicius de Moraes. Alguns deles foram até abordados aqui no blog e sempre vale a pena relembrar clicando aqui.

Compor é fundamental e requer: prática e continuidade. Sabemos que todos os dias compositores descartam dezenas e dezenas de esboços. E alguns, infelizmente, sao por fim esquecidos. Todas essas etapas fazem parte do processo criativo de compor.

Vamos entender um pouco sobre essa palavra que assusta:

Lendo a definição no dicionário (utilizamos o Priberam), encontramos a definição: “autor de música”. Ou seja, podemos considerar John Frusciante (do Red Hot Chili Peppers), Lady Gaga ou Fernando & Sorocaba compositores, dado que eles escrevem e arranjam as próprias musicas. Há quem vá dizer: “mas se formos pensar assim, o Mr. Catra é compositor”. Sim, ele é. Apesar das simples letras e do estilo que não exige virtuose em instrumentos musicais como guitarra ou baixo, ele é um compositor, no sentido da definição. Coisas da nossa língua?

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Uma curiosidade é que no Português falado no Brasil, a palavra “compositor” engloba qualquer gênero, sendo ele erudito ou popular, porém, a língua inglesa e a alemã (composer e komponist, respectivamente) tem palavras específicas para compositores populares (songwriter em inglês e liedermacher em alemão).

Saindo um pouco da simples definição, na Música o compositor é visto de forma diferente. Em geral, é o autor e dono dos direitos autorais (direitos esses que começaram a ser cobrados por Mozart, na forma de reconhecimento profissional do compositor, mas depois se tornando uma ferramenta de grandes gravadoras para lucrar valores astronômicos em cima dos músicos), mas se considerarmos a música erudita, via-se como um músico de execução e conhecimento ímpares, pois escrevia em partituras e executava sua obra.

Segundo Daniel Lemos, coordenador do curso de Música da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) “Até o Século XVII na cultura Ocidental, não havia muita diferença entre compositor e instrumentista/cantor”. Passado esse período, o trabalho começou a se dividir entre o compositor, que era responsável pelo conhecimento teórico e a criação das obras e o interprete, que se focava em tocar (e precisava saber bem ler as partituras). Na atualidade, as funções tem se juntado novamente, criando um profissional multitarefa.

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Nessa época onde se separavam as funções, o compositor não era valorizado, já que não estava no “palco”, sem contar que o intérprete podia alterar (ou improvisar) a obra como lhe conviesse, fazendo floreios no arranjo (colocando uma “fritada”, uma nota diferente e mais longa ali, conhece essa história?). E isso aconteceu com Frédéric Chopin (gênio da composição) e Franz Liszt (gênio da execução).

Como a complexidade das músicas ia aumentando, aos poucos o compositor começou a ser mais percebido. E nesse momento (não se sabe exatamente em qual século), a partitura se tornou um conjunto de regras a serem seguidas, fazendo com que o interprete executasse a música exatamente como ela era, dando espaço apenas à interpretação (expressão corporal, interação com o público, “feeling”). Mas no período clássico, alguns compositores adicionavam as “cadenzas”, que eram compassos em branco que davam espaço para que o músico mostrasse sua improvisação e seu virtuosismo.

Passando-se o tempo, a Música Popular começou a dominar o terreno. Nesse momento, a composição era mais aberta e admitia improvisos e adaptações. O Jazz se tornou um estilo acostumado com essa nova abordagem, criando arranjos em cima da execução (quantas versões de “Autumm Leaves” você conhece?, colocamos 3 delas)

  

Na divisão de tarefas e com a maior entrada da Música cantada, o ofício compositor ganhou mais uma vertente, o letrista (o qual já falamos em posts anteriores que também vale a pena relembrar, clicando aqui).

E por que levantamos o tema composição, que já foi abordado aqui no blog em uma série de textos? Pois hoje, 15 de janeiro, é o Dia Mundial do Compositor (não confunda com o Dia do Compositor Brasileiro, que é comemorado no dia 07 de outubro). Se você já escreveu uma música autoral, nós te desejamos os parabéns pelo seu dia. Se você ainda não escreveu, não espere e coloque a sua criatividade para funcionar.

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Outra curiosidade para te deixar com mais vontade de compor: você sabia que o maior compositor das Américas é brasileiro? Sim, Heitor Villa-Lobos leva esse título, com mais de 1.000 obras compostas (isso mesmo, mil). Só esperamos que o novo ministro da Cultura, Juca Ferreira, empossado no dia 12/01/15 cumpra sua promessa de modernização do direito autoral. “O ambiente digital se transforma rapidamente e nossas leis devem acompanhar as novas tecnologias para termos conduções de garantir de fato o direito dos autores no Brasil”, disse o ministro em seu discurso durante a cerimônia de transmissão de cargo, em Brasília.

E hoje, como não poderíamos deixar de lado, temos os compositores gospel, que estão em evidência trazendo as mensagens bíblicas de uma forma mais simples mas com muita emoção, para as pessoas. E fiquem ligados pois essa é uma dica para o nosso próximo Concurso Cultural, que já está chegando.

E ai, tem algum compositor que influencia muito na sua forma de escrever letras ou criar arranjos? Esse compositor é do mesmo estilo que o seu ou você adapta as influências? Fique à vontade para comentar e compartilhar suas experiências conosco. Assim, aprendemos juntos e evoluímos.

E novamente, parabéns, compositores!

Até a próxima.