8 passos para se tornar um bom redator e, consequentemente, um bom letrista

por Dan Hisa

Guitarras, baixos, baterias e respectivos músicos, compositores, arranjadores e produtores são partes essenciais da Música, porém, vez ou outra nos esquecemos dos letristas. São eles que colocam as palavras no ritmo e nos fazem decorar um refrão forte ou mesmo uma frase introdutória poderosa. Sem falar da mensagem, muitas vezes poética, de suas criações.

Formar um letrista é quase tão árduo como formar um músico. Tudo começa com o entendimento do nosso Idioma e das obras de seus grandes escritores, tanto nacionais como internacionais. Assim, todo letrista é um grande redator e é na Redação que concentraremos nosso post de hoje, também aproveitando para estudar sobre o exame do ENEM, que começa amanhã, precedendo os vestibulares do final de ano (já fique de olho na agenda, clicando aqui).

Como todo o texto, a letra de uma música precisa conter começo, meio e fim. Em outras palavras, podemos chamar de intro, refrão e final. Assim, criar em uma canção, que pode ser considerada como uma narrativa bem curta, não é das tarefas mais simples.

Imagine o trabalho que dá reunir um músico ou vários de uma banda, explicar sobre o que é métrica e gramática, discorrer sobre o que acham do assunto e concluir de maneira a satisfazer e agradar ouvintes e fãs. Quantas vezes isso deve ser feito a fim de que o resultado seja marcante? Uma boa dissertação pode ser assim também. Peguemos como exemplo uma famosa música da banda “Legião Urbana”, conhecida por “Faroeste Caboclo”, composta por Renato Russo em 1979. Sempre é bom lembrar que naquele tempo vigorava a Censura do Regime Militar e a letra teve que ser editada para compor o álbum “Que País é Esse?”.

Apesar da letra não apresentar refrãos cantados pré-definidos, ela conta uma história sobre “João de Santo Cristo”, “Jeremias” e “Maria Lucia”. Baseados em personagens reais ou imaginários, o letrista inicia contando um pouco da historia deles, desenvolve um bom enredo e conclui a obra deixando o ouvinte satisfeito. Ou quase, porque todos morrem no final. Exatamente como uma boa história escrita.

A construção é bem feita e faz com que o leitor busque as interpretações nas entrelinhas da música, tema que já abordamos no post “17 passos para desvendar os mistérios de um texto”. Sabe-se que a letra é uma critica social ferrenha, mas existem pessoas que a interpretam como um simples relato da vida de um traficante, ou até uma historia de amor terminando em tragédia.

Outra que tem uma construção bem interessante, conta uma história e gera múltiplas interpretações, também da mesma banda, é “Eduardo e Mônica” escrita e lançada por Renato Russo em 1986 no álbum “Dois”.

Diz-se que essa letra foi inspirada em um casal que realmente existiu pertencente ao círculo social de Renato Russo. O fato teria facilitado na criação do texto, visto que a história já existia, apenas necessitava do tom poético para se encaixar como uma balada romântica. Podemos descrevê-la como uma música sobre amor puro (tema principal), algo que nenhum tipo de diferença pode separar (idade, gostos, etc.), mas podemos até levar a interpretação da letra como uma brincadeira (clique aqui e veja uma análise bem divertida sobre essa música feita pelo Whiplash.net).

Repare que a construção dessas letras não leva em consideração nenhum tipo de métrica batida de composição (introdução, verso, refrão, final), mas todas elas começam, desenvolvem e terminam, podendo ser lidas facilmente como uma história, sem ritmo. Claro, temos muitos outros exemplos de músicas assim e de letras fortes que ficam em nossa lembrança por muito tempo.

Pensando nesse ofício de letrista e no desenvolvimento de qualquer texto que você queira redigir, recomendamos as seguintes dicas, principalmente se estiver estudando para prestar algum exame:

1. Rascunhe e rabisque. Comece o texto sempre em um rascunho e nunca nas folhas definitivas. Vai que você erra (em casa você pode dar um jeitinho, mas na prova, não tem como voltar atrás).

2. “Manje” sobre o tema. Não fale sobre algo que você não domina, mas se quiser, pesquise bem sobre o assunto para inspirar credibilidade.

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3. Revise como um louco. Com tudo escrito, revise o texto e o altere, se necessário. Leia novamente e altere. Mesmo se estiver bom, revise-o “again”. Se possível, peça para que outra pessoa ler, uma visão de fora sempre é bem vinda. Importante: NÃO passe seu texto para um colega no ENEM ou no vestibular, porque redações iguais similares é nota zero para os envolvidos!

4. Não jogue para o alto, jogue para alguém. Sempre tente focar seus argumentos em fatos e nunca generalize demais. Dessa forma você acaba perdendo a profundidade do texto.

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5. “Eu discordo de você, meu caro.”. Saiba que quem ler a sua letra ou texto pode não concordar com a sua opinião. Não é possível agradar sempre a “gregos e troianos”.

6. “Por que sim, não é a resposta!”[1]. Isso pode ser engraçado na televisão, mas não afirme, critique ou negue sem argumentar o porquê da sua decisão.

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7. Leia jornais, portais de notícias e muitos (muitos mesmo) livros. Eles só ajudam no seu vocabulário e deixam-no sempre antenado com o que se passa no mundo, o que pode gerar muita inspiração.

8. Passe à seco… opa, a limpo. Depois de tudo feito e conferido, passe a limpo com uma letra bem bonita (ou fonte, se você estiver digitando).

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E para você que vai fazer o ENEM, a dissertação argumentativa é quase a mesma coisa. A diferença é que você deverá iniciar apresentando o tema e dizendo o que fará dele (não enrole demais e não “viaje” no tema também). Lembre-se de colocar o tema bem à vista para que os examinadores entendam seus argumentos (e se convençam deles no decorrer do texto). Esse passo é chamado de Introdução.

Na segunda parte, conhecido como Desenvolvimento, você defenderá a sua tese, apresentando as ideias que justifiquem, de forma embasada, seus argumentos. Não faça como nas músicas e outros textos, deixando muitas ideias nas entrelinhas. O segredo é não ter segredo, ser claro quando deixar suas ideias explicitas, para que o examinador entenda a sua posição quanto ao tema. Outra dica importante é separar um parágrafo do desenvolvimento (2 no mínimo e 3 no máximo seria o ideal) para cada argumento que você vai tratar, assim, você não embola a argumentação.

Agora, feche sua redação com chave de ouro.

Na Conclusão, você vai retomar as ideias da introdução, pegar as justificativas que deu no desenvolvimento e confirmar seu ponto de vista, terminando assim o texto. Lembre-se que em provas do ENEM e vestibulares você deve propor uma solução para o problema do tema.

Por exemplo: você apresenta o tema, sobre a falta de chuvas. Discorra seus pontos de vista, climáticos e infraestrutura nos parágrafos de desenvolvimento e termine sugerindo soluções para o clima global e local e possíveis obras para diminuir o desperdício nos encanamentos da cidade.

Pronto para a prova ou para a seção de composição com a sua banda?

Para não ficarmos sem exercícios, propomos uma lição de casa que está mais para um desafio à sua criatividade utilizando os possíveis temas que cairão no ENEM:

  • Escolha um dos temas:
    • Ostentação;
    • Copa do mundo;
    • Analfabetismo funcional;
    • Bullying;
    • Limites no humor;
    • Manifestações populares;
    • Mudança climática e consciência ambiental (falta de chuvas);
    • Mobilidade urbana (ônibus e metrô);
    • Saúde pública.
  • Pesquise bem sobre o assunto;
  • Escreva uma letra de música sobre o tema (pode ser curta, duas estrofes e um refrão);
  • Mande para a SANTO ANGELO com o link da notícia escolhida até 12/11/2014 através do email mar004@santoangelo.com.br

As mais legais serão divulgadas aqui no blog.

Esperamos que essas matérias tenham ajudado e para quem vai prestar o ENEM, e para mais informações, disponibilizamos alguns links que podem ajudá-lo:

Link 1 Link 2 Link 3

Quer continuar seus estudos, é só clicar nos outros posts que fizemos para ajudá-los:

Boa prova nesse final de semana.

Até a próxima.

[1] Referência ao programa Castelo Ra-Tim-Bum, da Rede Cultura de Televisão.