Rosas, diamantes, mensagens ou guitarras?

por Dr. Alexandre Berni

Hoje abordarei um tema um pouco diferente em relação aos que escrevo periodicamente aqui no blog SANTO ANGELO. Ao invés de dicas sobre instrumentos e acessórios musicais, o post de hoje é um reconhecimento e homenagem às mulheres que tem a Música correndo dentro de suas veias.

Todos sabem que o preconceito é um marco histórico em todo planeta, seja por raça, credo, cor ou sexo, e são diariamente demonstrados (veladamente ou não) pelos meios de comunicação. Considerando por exemplo, a área da Música, as escolhas por instrumentos musicais na hora do aprendizado também demonstra certo preconceito de gênero. Quem já não escutou, quando demonstrou interesse por tocar um instrumento musical “este instrumento não é para menina” ou então “meu filho tem que tocar instrumento musical de macho”. Na minha opinião, os pais deveriam tomar mais cuidado em comentários como esse a fim de que seus filhos e filhas encontrem seus próprios caminhos no desenvolvimento musical, orientando e não interferindo. Aqui mesmo no blog já postamos dois artigos dedicados exclusivamente a orientar pais e responsáveis com relação aos filhos e filhas musicistas.

O Dia Internacional da Mulher comemora-se no dia 08 de março. Sempre me disseram que esta data representa a luta das mulheres por igualdade social, política e mercado de trabalho, mas não podemos fechar os olhos para a discreta banalização ou comercialização que envolve a data. Muitas vezes, as propagandas veiculadas nesse dia acabam sendo extremamente depreciativas e abafam a discussão da desigualdade de gênero, transformado a Mulher em uma pessoa regida só pelas emoções e por isso devemos presenteá-la com flores, bombons e mensagens. Para mim, trata-se de um clichê da sensibilidade, delicadeza, ternura e beleza. Só faltou dizer que “Amélia é que era mulher de verdade”.

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Mesmo sem maldade, ou até mesmo inconscientemente, as pessoas podem acabar contribuindo para esvaziamento do sentido desta data, que você pode saber mais nesse post. É importante lembrar a importância da luta das mulheres pelos seus direitos, e também conscientizar as pessoas de que esta data não existe só para dar flores, bombons, presentes e tampouco homenagear somente a beleza de sua feminilidade, principalmente na hora de dar à luz.

É importante percebermos que alguns aspectos da desigualdade entre mulheres e homens vão sendo desconstruídos com o transcorrer dos anos para dar lugar a uma sociedade com mais oportunidades e direitos iguais. O Dia Internacional da Mulher representa a luta por essa desconstrução, que não deveria acontecer apenas em um dia do ano, e sim ao longo dele. É uma data para recordar que ainda existe um longo caminho pela frente, mas também para celebrar as conquistas adquiridas até então.

Para melhor entender o porquê de escrever este post, vamos focar nas mulheres ligadas a área da música, seja como profissão ou como curtição. Volto a alertar os pais para incentivarem suas filhas na música como também a construírem ou regularem guitarras e contrabaixos, para ficar na minha especialidade aqui no blog SANTO ANGELO.

Assim, minha intenção nestas breves palavras é, além de homenagear as mulheres guitarristas, é incentivar mais mulheres a adentrarem ao maravilhoso mundo da construção e regulagem de instrumentos musicais, como os exemplos a seguir:

Christina Hudson – Guitar Tech – Los Angeles-EUA
Christina Hudson – Guitar Tech – Los Angeles-EUA

Christina é guitar tech, ou seja, realiza reparos e organiza todas as guitarras do artista em um show. Trabalhou com Slash e Prince, entre outros artistas.

Linda Manzer – Luthier – Canadá
Linda Manzer – Luthier – Canadá

Linda produz violões com maestria, tendo feito instrumentos para diversos artistas, como Carlos Santana. Além disso, é a responsável pelo violão Pikasso, sensação de Pat Metheny, com 42 cordas.

“Pauleira” – Luthier – São Paulo – Brasil
“Pauleira” – Luthier – São Paulo – Brasil

E para quem pensa que só tenho exemplos de “gringas”, escolhi como representante feminina da luthieria brasileira, a Paula “Pauleira” Bifulco que considero um exemplo de enfrentamento do preconceito masculino. Convidei a Paula para contar mais do seu trabalho aqui no blog nos próximos posts sobre a personalização de instrumentos femininos e o campo de trabalho.

Gostaria muito de ver mais mulheres atuando como “guitar tech” ou “luthier” trabalhando aqui no Brasil e, portanto, faço um convite a todas as profissionais, menos conhecidas, que atuam nesses ramos para se apresentarem, enviando sua história para o e-mail colae@santoangelo.com.br. A ideia é desenvolvermos juntos algumas propostas femininas para os respectivos fabricantes, como as palhetas abaixo. O que acham?

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Até a próxima.