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Calculando o preço da minha prestação de serviços

por Dan Souza

Vocês se lembram de que em um dos nossos posts anteriores sobre os primeiros passos do Empreendedorismo, falamos sobre como formar o preço dos produtos vendidos, certo? Agora é a vez de pensar em calcular o preço dos serviços, que tanto pode ser usado pelo músico (que conseguirá precificar seu trabalho de tocar um instrumento musical, desde uma festinha de aniversário como naquele estúdio, acompanhando um artista famoso) ou para o lojista que oferece diferenciais como luthieria, ensaios ou aulas em seu estabelecimento. Pode também, ajudar os pastores e responsáveis pelo Ministério da Musica a calcular o pagamento de seus músicos, quando a igreja tiver condições de fazê-lo.

Antes de mais nada, precisamos saber da importância de compor o preço de um serviço, que é muito mais complicado do que um produto. Isto porque trabalharemos com custos intangíveis, como o seu tempo e o seu esforço, que são difíceis de mensurar e quantificar e os números, às vezes, não podem tratar com exatidão o que é conceitual. Mas vamos seguir com uma proposta para esses cálculos.

Iniciaremos com um caso mais simples. Um MEI (lembra como se tornar um? Se não, clique aqui) que montou uma luthieria e trabalha sozinho.

Imaginemos o trabalho de troca de cordas, limpeza e regulagem de uma guitarra, sendo que o cliente entregou cordas 0.10 da SANTO ANGELO.

MEI 001

O profissional precisa cobrar a sua mão de obra, que seria o tempo necessário para fazer o serviço, os custos dos materiais utilizados como flanelas e produtos de limpeza de instrumento e ferramentas (que desgastam ou perdem a precisão com o tempo).

Desta forma, imaginemos que esse MEI paga R$ 500,00 de aluguel da sala onde sua oficina está instalada, R$ 300,00 de despesas de água, energia, telefone, IPTU, taxa de condomínio ou monitoramento de segurança, entre outros. Precisa também fazer um seguro bacana, porque as guitarras dos clientes não tem preço, não é verdade? Vai que arrombem a oficina e levem tudo que estiver por lá? Assim, lá se vão R$ 500,00 todo mês de seguro, sem falar da prestação do carro que o MEI usa para serviços externos de entrega e retirada dos instrumentos. Pode colocar mais R$ 1.000,00 do financiamento, combustível e seguro do carro todo santo mês. Tem também o contador, que vai custar até um salário mínimo por mês do nosso MEI. Vamos que essa despesa seja de R$ 500,00 porque o MEI é um bom negociador. Somando essas despesas fixas temos R$ 2.800,00. Calma que ainda não acabou.

QVMT 002

Se o MEI tivesse que pagar um bom luthier para trabalhar na oficina, qual seria o custo desse profissional? Claro que nosso MEI trabalha sozinho, mas precisamos quantificar quanto seria esse gasto. Vai que ele fique doente e precise contratar um, não é verdade?

Esse valor depende de região para região do Brasil, mas o nosso MEI mora em São Paulo – Capital e por aqui bons luthiers são caros. Assim, o salário médio mensal do nosso exemplo foi estimado em R$ 2.000,00. O nosso MEI também vai “precisar” de um motorista para fazer entregas, uma recepcionista para atender o telefone e um vendedor, para cuidar dos contatos e das redes sociais, porque o nosso MEI está antenado com o mercado. Digamos que essa turma toda custasse mais R$ 2.700,00 ao nosso MEI. Com carteira assinada, (regime CLT), os encargos sociais representam 110% em média na folha da galera, contanto com encargos sociais e vale transporte. Ah, tem também R$ 500,00 da diarista para dar um trato na oficina, de vez em quando, porque o nosso MEI não quer ser chamado de “boca de porco” quando os clientes visitarem a oficina no sábado, certo? Já fez as contas?

[($2.000,00 + $2.700,00)] + 110% [($2.000,00 + $2.700,00)] = R$9.870,00

$9.870,00 + $500,00 + $2.800 = R$ 13.170,00

Esse valor dividido por 220 horas mensais de trabalho, resulta R$ 59,86 que vamos arredondar para R$ 60,00 de custo por hora que a oficina do nosso MEI permanecer aberta, com ou sem serviço. Assim, estimando que o serviço de regulagem, limpeza e troca de cordas, proposto no exemplo acima, levasse uma hora para ser concluído, esse é o valor que aparece na primeira linha da nossa tabela.

QVMT 001

Os demais custos, dividimos o valor das obrigações fiscais do MEI (R$ 41,20 mensais) em 12 serviços, estimando que entrem 3 serviços de regulagem por semana para fazer. Colocamos os tributos sobre a receita que são PIS, COFINS e ISS (0,65% + 3% + 5%, respectivamente) e uma margem de lucro praticável.

A composição do markup é feita subtraindo-se os valores percentuais (tributos e margem de lucro) de 100%, e depois dividindo pelo valor obtido (71,35%). O total de custos é a soma da mão de obra, materiais e demais custos e depois multiplicado pelo valor do markup (1,4015), resultando R$ 116,94. Esse seria o preço mínimo do serviço proposto pelo exemplo.

Entendeu? Agora vamos para um caso mais complexo, onde o profissional tem uma empresa que faz sonorização de eventos e recebeu um pedido de orçamento para 10 dias de trabalho no evento em questão. Ele levará os seguintes profissionais para o trabalho (todos em regime de contratação CLT):

EVENT 001

Primeiro, calculamos o número de profissionais e as horas necessárias para a composição do serviço (quantidade x dias de trabalho x horas diárias = horas totais). Agora temos os salários dos profissionais (nesses valores, já incluídos Vale Transporte, Vale Alimentação, Vale Refeição e Seguro-Saúde):

EVENT 002

A partir dessas informações, começamos a montagem do custo operacional dos funcionários:

EVENT 003

Além do salário, deve-se pensar, como fizemos no exemplo anterior, nos encargos trabalhistas:  13º salário (1/12 do salário total) e adicional de 1/3 de férias. Feito isso, calculam-se os impostos e tributos para se chegar a um total mensal de despesas com o funcionário. Sabemos agora quanto cada funcionário custa anualmente para a empresa e o seu custo mensal efetivo (lembre-se que por ano, o funcionário trabalha 11 meses, sendo esse outro de férias). Como trabalhamos com horas, temos que achar o custo/hora do funcionário que é o Custo Mensal Efetivo dividido por um número de horas de trabalho no mês (no caso, 22 dias x 8 horas diárias = 176 horas totais).

Entramos na reta final do custo sabendo quanto cada funcionário gastará nesses 10 dias de serviço:

EVENT 004

Chegamos a nosso custo com funcionários. Agora, finalizamos a conta somando o que mais se precisa para realizar o trabalho:

EVENT 005

Somamos à mão de obra (R$ 22.479,34) aos custos de deslocamento (que pode ser o transporte de equipamentos e funcionários até o local), aos materiais de expediente (nesse caso cabos, conectores, fitas adesivas, alimentação dos funcionários entre outros) e às locações (equipamentos em geral para utilização no evento). Os tributos sobre receita são os mesmos (PIS, COFINS e ISS) e uma margem de lucro mais baixa e praticável.

Fechamos multiplicando o custo pelo markup para criar o preço final do serviço.

Deu trabalho, não é? É um processo que pode demorar, mas sempre te dará margens para continuar investindo no seu negócio e manter a empresa sustentável, financeiramente falando.

Como lição de casa, imagine que você é um MEI prestando serviços de musico para várias pessoas físicas, bandas, estúdios e empresas. Consegue calcular quanto cobraria por hora dos seus clientes, utilizando o método que te ensinamos. Se ainda estiver com dúvidas, relembre nosso post “Quanto custa para tocar”.

E se você já viu outras formas de criar esse custo, comente conosco para que possamos adicionar informações e evoluir juntos. E caso queira se aprofundar mais no assunto, aproveite essa matéria da Exame.com clicando aqui.

Até a próxima.