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Posso misturar captadores de várias marcas na minha guitarra?

2016-03-18 - FB

Olá pessoal.

Parece brincadeira, mas conforme vi um conhecido nosso, tempos atrás no YouTube, explicando a lenda de que captadores de várias marcas pegariam fogo se instalados na mesma guitarra, resolvi abordar esse assunto em profundidade porque gosto muito e dedico boas horas dos meus finais de semana experimentando, misturando e testando captadores de guitarra!!

A busca por novos timbres, como já sabemos, não acaba nunca entre os guitarristas e misturar captadores nos traz muitas variáveis em timbres principalmente quando conseguimos acertar a maneira correta de ligá-los.

Misturar captadores de marcas diferentes e de tipos diferentes seja com os magnéticos de ligas de Alnico ou Cerâmicos (mistura de metais nobres, mais conhecidos como “terras raras”), para muitos ainda é um bicho de sete cabeças. Muitas vezes, até para alguns luthiers esse assunto é complicado.

A primeira guitarra que montei, há mais ou menos 10 anos atrás,  foi preciso consultar um luthier em minha cidade para me orientar na mistura entre os captadores Dimarzio (Duplo na ponte)  e Fender (Singles) no meio e braço. Havia um som estranho quando misturávamos na chave de 5 posições a ponte com o captador do meio. Sabe o que escutei desse luthier?

“Isto é assim mesmo, é do próprio captador”.

A minha teimosia em aceitar uma resposta tão óbvia, aliada à vontade de aprender sempre mais, fizeram com que me dedicasse ainda mais a estudar sobre o assunto.

Neste post mostrarei como misturar duas marcas de captadores que gosto muito. Colocarei um captador duplo HDistortion da SANTO ANGELO na ponte de uma Stratocaster e dois singles TexMex da Fender na posição meio e braço.

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Se seguirmos o manual de ambas as marcas onde o fio Hot (positivo) é ligado na chave e os demais fios aterrados ou isolados, teremos muitas surpresas e não conseguiremos “timbrar” corretamente os captadores. Veja no escudo abaixo como poderiam estar ligados os fios de acordo com o manual.  Já adianto que não vai dar certo.

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Para vocês não sofrerem tanto, eu mostrarei como resolvi as ligações usando a mistura de captadores acima citada e demonstrando o “pulo do gato”.

Para outros detalhes sobre ligações elétricas de guitarras, inclusive o “passo-a-passo” procure em posts anteriores, já publicados aqui no blog como por exemplo esse.

E como fazer essas ligações corretamente?

Como regra básica e simples para misturar os captadores, posso dizer que não conheço (rs). Nem ao menos um diagrama explicativo. A razão é que esse método é composto pelo famoso processo de “tentativas e erros” a fim de conseguir “timbrar” os captadores segundo nossos próprios gostos pessoais. Ou seja: o que pode soar bem para mim, pode não soar tão bem assim para você ou para seus outros amigos.

Eu já cheguei a misturar 3 marcas de captadores diferentes com duas chaves de comutação e uma de 5 posições. Com tantas variáveis, imaginem quantas vezes tive que montar e desmontar a guitarra para acertar o timbre. Lembro-me que demorei mais de uma semana para chegar na melhor combinação dessas variáveis.

Os captadores de modo geral são fabricados com dois fios para serem soldados, um no aterramento e outro no potenciômetro ou chave. Desta forma, é só você fazer as combinações de captadores que deseja experimentar, checar se o timbre te agrada e, em caso positivo, inverter os fios entre positivos e aterramentos até conseguir timbrar.

Voltando à pergunta anterior, comecei colocando novos potenciômetros (vide meu post ) e chave de 5 posições da marca SANTO ANGELO como mostra a figura abaixo:

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 Consegui timbrar essa combinação de captadores invertendo apenas os fios do captador da ponte. Coloquei o fio terra (verde) do HDistortion na chave de posições e o fio positivo (vermelho) aterrado, totalmente diferente ao demonstrado no manual.

Acreditem: o som ficou formidável e me agradou muito.

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Em caso de você estar usando outras marcas na combinação, pode acontecer que tenha que inverter não só o fio do captador do ponte mas também os singles. Como diz a sabedoria popular: “cada caso é um caso”.

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No meu caso, esse foi momento foi oportuno para trocar também as tarraxas, pois as originais não estavam sustentando a afinação, principalmente após bends. Já sabe a marca delas, certo? SANTO ANGELO modelo com trava.

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E já que acertou a resposta anterior, adivinhe qual encordoamento coloquei na guitarra finalizada? Isso mesmo, da SANTO ANGELO, modelo 0,010” cujo resultado que me agradou muito.

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Bem pessoal, espero que tenham apreciado mais uma experiência pessoal que divido com vocês. Se esse conhecimento lhe foi útil, gostaria muito que o compartilhassem com seus amigos, além de receber sugestões ou dúvidas, para juntos evoluirmos em mais conhecimentos.

 Um grande abraço e até a próxima.

Alexandre A. Berni é médico cirurgião geral, músico, produtor musical e entusiasta da Guitarra. Escreve regularmente para o blog SANTO ANGELO com o pseudônimo de DOUTOR SANTO ANGELO

 

  • Allan

    Muito interessante seu post, bastante útil para novas possibilidades de timbres de guitarra, parabéns!