Aplicando conhecimentos financeiros: quanto custa para tocar?

Lounge Empreendedor

por Dan Hisa

Nos posts anteriores, você viu que até um cafezinho pode fazer diferença na hora de formar um capital inicial para comprar bons instrumentos e equipamentos musicais. E você acha que depois de comprados, eles vão sair de graça ou nunca farão parte do seu custo para tocar uma nota que seja?

A resposta é: SIM, e custarão mais do que você pensa.

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Depois de aprender sobre finanças, planejamento financeiro, fluxo de caixa e MEI, agora é hora de colocar na ponta do lápis tudo o que você gasta para realizar uma apresentação e por fim, formar o custo que pague seus investimentos em música, impostos e ainda te dê lucro para seguir vivendo e investindo em sua carreira. Vamos lá que os números nos aguardam.

Pensemos o seguinte: normalmente, o músico não compra seus equipamentos com a intenção em ganhar dinheiro com eles, certo? Compra pela paixão a essa arte, não é mesmo? Mas depois de um tempo, estudo e muita dedicação, o que era uma paixão, pode se transformar no seu sustento. Dessa forma, você deve pensar nesses gastos como investimentos que devem retornar o capital investido depois de algum tempo. Imaginemos a seguinte conta:

TAB 001

Ou em outros detalhes:

Está de acordo? Muito bem, sabendo desse investimento inicial, começamos a criar seus custos, estimando uma “vida útil” durante a qual deverão te devolver o valor de aquisição (numero de meses). Note que “Custo” não significa o “Cachê” que você deve cobrar. “Cache” é “Custo” mais a sua Margem de Trabalho. Outro lembrete: “margem de trabalho” não é “lucro” que só será conhecido quando você pagar todos os custos e despesas, certo?

Veja a tabela a seguir:

TAB 002

Recapitulando: a coluna “Nº de meses” representa o quanto, em média, durará o item (no caso da guitarra, 24 meses ou 2 anos). Esse tempo seria o limite para que você recupere seu investimento inicial e consiga comprar outra, substituindo a atual ou adicionando mais uma ao seu “arsenal”. Veja que colocamos como se você tivesse 2 apresentações nesse mês. Desta forma, o custo mensal será o “preço” dividido pelo “numero de meses”. Se você dividir esse custo pelo “número de apresentações por mês”, terá o custo do equipamento por apresentação. Ao somar todos os custos dos vários equipamentos e instrumentos, chegará ao seu custo total por apresentação. Na tabela do exemplo acima, o custo para tirar a guitarra do “case” toda vez que chegar a uma apresentação será de R$105,56 sem contar transporte, alimentação, seguro e outras despesas menores como veremos adiante. E você ainda não tocou uma nota sequer, certo?

Agora um dado importante: caso você aumente o número de apresentações, você deve diminuir o tempo de “durabilidade” do instrumento. Como você utilizou-o mais vezes, logicamente, ele deve estragar mais rápido, veja no exemplo:

TAB 003

Você dobrou as apresentações, logo, você corta pela metade a vida útil dos equipamentos (diminuição proporcional ao aumento dos shows). Perceba que seu custo por apresentação é o mesmo, R$ 105,56, mas o seu custo mensal dobrou. Fique atento à isso.

Calma, tem mais. Temos os custos variáveis à calcular:

TAB 004

Continuando com as 2 apresentações mensais. Caso elas aumentem, você acaba variando a quantidade desses itens, ou seja, se fizer mais shows, gastará mais cordas, se fizer menos, as cordas atuais durarão mais. Perceba que no item “despesas de viagem” colocamos um valor fixo, como se você se apresentasse essas duas vezes no mesmo lugar, pagando R$ 15,00 de estacionamento e R$ 20,00 de combustível. Seu custo mensal já aumentou significativamente. Somemos R$ 211,11 do equipamento e R$ 503,00 dos variáveis no mês, logo, R$ 714,11. Seu custo por apresentação é de R$ 357,06 (R$ 714,11 dividido por 2). Esse custo está ficando cada vez maior, não é?

Imaginemos que dobremos as apresentações, uma a mais no bar de sempre e outra em uma cidade a 100km (no valor de R$ 300,00, sendo R$ 150,00 de transporte e R$ 150,00 de hospedagem).

TAB 005

Veja que o custo mensal disparou. Cordas, palhetas e ensaios dobraram. A alimentação foi para 5 vezes pensando em 3 no bar de sempre e 2 na viagem (um jantar e um almoço). E as despesas das viagens foram divididas para facilitar a visualização. Somando: R$ 422,22 + R$ 1.321,00 = R$ 1.743,22. E veja, que comparado ao outro exemplo, seu custo por apresentação também ficou mais caro, R$ 435,81 agora. Ficou salgado, mas não acabou! Agora temos as despesas fixas:

TAB 006

Como o nome já diz, as despesas fixas não dependem de quantas vezes você vai tocar: elas acontecem mesmo que não toque nenhuma vez durante o mês de apuração dessas contas. Tudo isso porque você, para tocar bem, precisa estudar, logo, pagar um professor (ou a internet) sempre. Colocamos aqui um seguro para os equipamentos de maior valor (guitarra e amplificador) contra roubos ou extravios. Além disso, você tem os impostos que paga para ser um MEI (que são bem pequenos, em comparação a empresas maiores). Perceba que o total não mudará, apenas a diluição dele será maior caso você faça mais apresentações (com 4 shows, o custo ficaria em R$ 147,80).

Agora chegou a hora das contas gerais de custo:

TAB 007

Analisando essa planilha você percebe que o seu custo de fazer 2 apresentações mensais ficou em R$ 652,66, ou seja, se você ainda colocar a sua margem de trabalho em cima (imaginemos uma margem de 10%), o Preço mínimo (ou cachê) a ser cobrado pelo seu show seria de R$ 717,92. Veja que se você aumentar as apresentações, seu custo total aumenta, porém o custo por apresentação diminui para R$ 583,61, e com o cachê que presumimos ser de R$ 641,97.

Ou seja, pare de pensar na tabela fixa da OMB ou qualquer outra que queira te justificar um pagamento baixo. Você agora sabe fazer contas e aprendeu por si quanto custa para sair de casa para tocar.

O intuito dessa simulação é para que tenha noção do quanto se gasta, pensando empresarialmente, para ser músico (e a galera tocando por cerveja ou de graça). Não queremos dizer que você deve cobrar tudo, se te chamarem para tocar um uma ação para crianças deficientes, você deve ir e não pensar no retorno financeiro. Mas a realidade é essa: se você não colocar cada custo na ponta do lápis, pode sair perdendo. E muito.

Lembre-se, tirar a guitarra do bag que ela está te gera algum custo (de manutenção, troca de cordas, entre outros).

Com isso em mente, continuaremos nossa série de posts financeiros, pensando sempre no seu sucesso como profissional da Música.

Gostou ou achou complicado demais? Deixe suas dúvidas, criticas e elogios nos comentários, pois só assim poderemos contribuir cada vez mais com o conhecimento em troca do que vocês também nos ensinam.

Até a próxima!

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